Bares e restaurantes preveem falências e demissões em massa

Bares e restaurantes preveem falências e demissões em massa

12 de maio de 2020

Fernando Jorge, presidente Abrasel Goias: “Cerca de 3 mil empresas devem baixar as portas definitivamente no Estado, o que resultaria na demissão de 12 mil trabalhadores”

Praticamente dois meses após o início da quarentena para conter o coronavírus em Goiás e sob a expectativa de um novo decreto do governador Ronaldo Caiado que volte a endurecer as regras de isolamento social, o setor de bares e restaurantes do Estado prevê uma onda de falências e demissões. Casas tradicionais, como o Restaurante Pimenta´s, no Setor Oeste, e o L´Entrecôte de Paris, no Flamboyant Shopping Center, estão entre o que sucumbiram após quase 60 dias com as portas fechadas devido às restrições sanitárias. O Restaurante Parrilla, no Setor Bueno, suspendeu suas atividades por tempo indeterminado.

Presidente da seção goiana da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Fernando Jorge, diz que a intenção manifestada pelo governador Caiado de endurecer as regras de isolamento nos municípios (leia aqui) chega em um momento ainda mais delicado para o setor. “Muita gente que se preparou para atender em delivery, drive thru ou takeaway, comprando estoque nos últimos dez dias. Eles podem perder o resto de capital de giro que tinham, porque são produtos altamente perecíveis”, explica.

A entidade estima que cerca de 3 mil empresas baixem as portas definitivamente no Estado, o que resultaria na demissão de 12 mil trabalhadores. Segundo Fernando Jorge, as linhas de crédito anunciadas pelos governos federal e estadual foram “para inglês ver”. “A burocracia é muito grande, os bancos sabem das dificuldades dos empresários e dificultam o crédito. O dinheiro não chega na ponta, que é o empresário”, afirma.

Fernando Jorge critica o posicionamento do governo estadual. “Fomos parceiros, os primeiros a fechar. Preparamos nossas casas, formulamos uma cartilha, fizemos o dever de casa, mas o governo não fez com a gente”, lamenta. Ele conta que a situação é ainda mais dramática em cidades como Pirenópolis, Caldas Novas e outras, que depende do fluxo de turistas para movimentar a economia.

O empresário, que é proprietário do Café Nice, diz que afastou os 30 funcionários com base na Medida Provisória 936, que permitiu a suspensão de contratos por 60 dias e garantiu aos trabalhadores o pagamento de parcelas proporcionais ao seguro-desemprego. No fim do mês, quando a MP perde a validade, Fernando Jorge diz que terá de tomar outras providências. “Ninguém aguenta mais. Nossa conta não para de chegar”, afirma.

Um dos estabelecimentos que não resistiram à crise é o Pimenta´s, self service que funcionava no Setor Oeste

Flexibilização
Para o presidente do Sindbares Goiânia, Newton Pereira, o anúncio de Caiado de que haverá novo endurecimento na quarentena chega em um momento em que era possível fazer a flexibilização. “Graças a Deus e às medidas do próprio governador, Goiânia tem uma realidade relativamente confortável em relação à pandemia”, acredita.

As entidades, inclusive, produziram um vídeo em que explicavam as medidas sanitárias que haviam adotado para voltar a funcionar. O texto diz que foram preparados protocolos de segurança, que incluem, além das regras de segurança tradicionais, o uso de máscaras por todos os colaboradores e o distanciamento mínimo de dois metros entre as mesas.

O empresário afirma que o setor teve um bom Dia das Mães, que só não foi melhor porque houve um colapso nas plataformas de entrega – como IFood e Uber Eats. Porém, ele acredita que o recrudescimento do isolamento social e a natural queda no poder aquisitivo das pessoas vai impactar um setor já abalado. “Os produtos que estão nos estoques serão todos perdidos”, prevê.

Newton Pereira diz que as empresas não têm fluxo de caixa e, assim como o presidente da Abrasel, reclama que os bancos não estão concedendo empréstimos. “O crédito está muito restrito”, afirma. Diante dessa situação, ele estima que aproximadamente 5 mil estabelecimentos fechem as portas definitivamente – o que provocaria a demissão de 12 mil trabalhadores.

O empresário cita o exemplo de seu restaurante, o Cateretê. A unidade do Setor Bueno está completamente fechada desde o início da quarentena, em 16 de março. A filial do Jardim Goiás funciona no sistema de delivery. “O faturamento é de cerca de 8% do que tínhamos”, contabiliza. Assim, dos 80 funcionários que tinha antes da crise, apenas cinco estão trabalhando. Do restante, 20, que estavam em período de treinamento, foram dispensados. Os demais estão afastados com base na MP 936 ou estão de férias. “Em alguns casos, até adiantamos o período de férias. Foi o jeito de garantir alguma renda para os funcionários”, conta.

Um dos estabelecimentos que não resistiram à crise é o Pimenta´s, restaurante self service que funcionava no Setor Oeste. Em um vídeo que circula nas redes sociais, três homens mostram o interior do estabelecimento, com produtos vencidos e salão completamente vazio. “Esse é um, vai ter mais fechando as portas”, diz um dos homens que aparecem no vídeo sem se identificar. O homem que faz as filmagens se identifica apenas como Jocélio. Abrasel e Sindbares Goiânia aguardam o teor do decreto anunciado por Caiado para definir os próximos passos. “Tanto nacionalmente quanto em Goiás, a Abrasel tem tratado o assunto com muito diálogo. Infelizmente, no nosso Estado isso não está mais acontecendo”, critica Fernando Jorge.

Atualização (13/05): o proprietário do restaurante Parrilla, Ricardo de Paiva Rodrigues, informa que seu estabelecimento está em Goiânia há 13 anos e tem sofrido com a medidas de isolamento social e decisões incoerentes do poder público. “Estamos suspensos por prazo indeterminado, mas não encerramos em definitivo. Quando as autoridades permitirem e o mercado também, retomaremos nossas atividades normais”, enfatizou. Em abril o restaurante chegou a funcionar pelo sistema de delivery (entregas), mas não compensou e desde o último dia 3 encerrou suas atividades, conforme noticiado ontem pelo portal EMPREENDER EM GOIÁS, que espera que aconteça o mais breve o pleno retorno das atividades da empresa e de todas as outras atingidas pelas restrições adotadas pelas autoridades públicas para o combate à pandemia da Covid-19 no Estado.

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7 thoughts on “Bares e restaurantes preveem falências e demissões em massa”

  1. Boa tarde Empreender Goiás, não conheço o trabalho de vocês, mas venho aqui por meio deste comentário, pedir-lhes que confirmem as informações prestadas a sociedade. Sou proprietário do Parrilla Restaurante, empresa goiana existente há 13 anos, como inúmeros fiéis clientes, e que está sim sofrendo muito neste momento difícil para todos, de isolamento social e medidas incoerentes do poder público, mas que em nenhum momento comunicou o encerramento da empresa. Estamos suspensos por prazo indeterminado, desde o dia 03.05.20, mas não sucumbido conforme sua matéria. Ficamos ofendidos com tal informação sem conferência e vocês mostram total descuidado com a produção de conteúdo. Peço retratação imediata em todos os meios usados para difundir tal matéria, e caso de não cumprimento, fiquem certos de receberão ação para reparar tais danos provocados a nossa empresa, e consequentemente todas famílias que trabalham nela.

    Att.

    Ricardo de Paiva Rodrigues

  2. Avatar Ângelo Carlos sobrinho de oliveira disse:

    O caiado não está pensando nós pequenos e grandes empresários e bares de Goiânia ele disse que destinou um grande dinheiro pra ser emprestado mas nunca da certo pois a burocracia e grande nós já temos o nome no spc pois voltaram muitos cheques e aí como passa no crédito do governo na Goiasformento e uma piada desde governador.

  3. Avatar Jaime canedo disse:

    O governador Caiado, adota somente medidas de restrições e não vê o impacto das medidas. Tanto no social, quanto no econômico. O caos será muito grande , com o mote salvar vidas . Mas o que fazer com essa vidas salvas?

    1. Avatar Revoltado disse:

      Porém, 70% da culpa é da população, onde deveriam ter consciência, e não ficar atoa passeando nesse momento de risco, se só saísse quem realmente precisa, tanto para trabalhar ou para comprar alguma coisa, essas medidas restritivas não seriam necessárias, daí boa parte reclama dos ônibus lotados, fizeram a proposta do escalonamento mas como foi uma sugestão e não foi obrigatório, tocaram o foda-se e praticamente ninguém fez e continuou do mesmo jeito, daí depois quando acontece as restrições a culpa é só do governo…

      Outro ponto, é o governo ser culpado porém salvando vidas, do que ser culpado da mesma forma deixando virar caos e sobrecarregando o sistema de saúde e funerário e no final a economia cair do mesmo jeito

  4. Avatar Márcio Pedroso disse:

    Boa noite, é com muita tristeza que venho aqui manifestar minhas lamentações por vocês desse ramo. Aproveito para me dispor, como amigo do Fernando (Abrasel) de longas datas, coloco me à disposição para nós reunirmos, já que sou da Área de Academias (Personal Trainer) e similares, estamos na mesma situação. O Vírus existe, sim! Mas a fome também existe!!! Então, quero propor à vocês nos unirmos para buscarmos soluções para a reabertura desses comércios para evitarmos o pior!!! Qualquer coisa é só me procurar via DIRECT no Instagram: marcio_personal

  5. Avatar Sandra corado disse:

    Eu penso que deve liberar tudo com restrições e segurança total e cada um procura fazer sua parte da melhor maneira para se proteger pq o.povo esta aglomerado nos parques e reunindo turmas rm algumas casas e fazendo festa e o ônibus tem aglomeração enorme ai esta a transmissão estudar hrs diferenciados tem haver uma maneira para evitar quebradeira

  6. Avatar Moreno disse:

    Esqueçam filas de lotericas, CEF, supermercados, tem coisa bem pior: Os bares. Se liberar bar vai ter uma explosão da pandemia.
    1 – A pessoa fica 3 ou 4 horas e parada numa mesa de bar (é muita exposição). Uma coisa é vc sair de casa para sacar sua aposentadoria ou beneficio ou ir numa farmacia, outra coisa, é vc ficar 3 horas num bar e ir sempre lá.
    2 – As pessoas estão sob o efeito do alcool, e vão baixar a guarda (cumprimentar, abraçar, vai entrar 4 no banheiro ao mesmo tempo e etc). O brasileiro comum nao aceita a quarentena e não tem medo da covid, imagina bebado.
    3 – É IMPOSSIVEL MANTER DISTANCIA DE 1,5 METRO NA MESMA MESA, vai ter aglomeração, ir a bar é mesma coisa de ir a uma casa de eventos, as pessoas vão para sociabilizar. As mesas de bar ten en media 80 cm
    4 – É INVIAVEL vc tirar a mascara a todo instante (umas 20 ou 30 vezes) para degustar cerveja e tira-gosto. Ninguem vai usar mascara. Na lanchonete e restaurante (mas sem cerveja), as pessoas tiram a mascara, fazem o seu lanche e vão embora
    5 – Garçom vai lavar as maos toda hora antes de pegar no seu copo? ou vai vir com luvas ja contaminadas? E as garrafas serão todas higienizadas?. Em lanchonete e restaurante, quem trabalha com comida, não poe a mao em dinheiro ou faz faxinha. Finalmente Cerveja e refeição pode ser consumida em casa.