Alfredo Correia, do Sindileite: “Suspender incentivos fiscais vai prejudicar produtores de leite e trabalhadores nos laticínios em Goiás”

A ameaça do governador Ronaldo Caiado de suspender os incentivos fiscais das indústrias de leite em Goiás que importam matéria-prima de outros países pode fazer que o setor transfira parte de sua produção para fábricas instaladas em outros Estados, o que seria um retrocesso à industrialização do segmento conquistada nas últimas décadas. Há pouco mais de 20 anos, Goiás vendia praticamente todo o leite in natura que produzia para outros Estados. Hoje quase toda a produção é industrializada no Estado. A afirmação é do diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Laticínios em Goiás (Sindileite), Alfredo Luiz Correia.

Em encontro com cerca de 600 produtores rurais nesta semana na FAEG, que reclamam do preço do leite e pediram intervenção do Estado junto às indústrias em Goiás, o governador Caiado anunciou que poderá suspender os incentivos fiscais das que importam leite. “Aquilo que for importado, como o leite em pó, não pode receber incentivo fiscal. A lei determina que eu dê incentivo para que a indústria instalada absorva aquilo que é produzido no Estado. Não posso abrir mão de ICMS para um produto que tem a ampla oferta em Goiás e está sendo importado para penalizar o cidadão que está pagando imposto”, disse (leia mais aqui).

O Sindileite afirma que esta posição está equivocada e carece de melhor análise técnica. O setor tem 202 indústrias em Goiás, que geram mais de 10 mil empregos diretos, sendo que 80% de sua produção é vendida para outros Estados e países e apenas 20% é consumida pelo mercado interno. “Do total que a indústria goiana consome de leite para a sua produção, menos de 5% é importado de outros países por uma questão de mercado e até mesmo por falta de oferta da matéria-prima em determinados períodos do ano no Estado”, afirma Alfredo Correia ao EMPREENDER EM GOIÁS.

O dirigente do Sindileite enfatiza que suspender ou até mesmo reduzir os incentivos fiscais para os laticínios no Estado fará que a industrialização seja transferida para outros Estados. “Caso isto seja levado adiante pelo governo, os grandes laticínios, que importam uma pequena parte do leite que consomem, podem transferir parte da sua produção para unidades que têm em outros Estados e deixar de industrializar o leite produzido em Goiás. Seria um retrocesso para os produtores rurais, que teriam de voltar a vender seu leite para laticínios em outros Estados, e para os milhares de trabalhadores empregados em Goiás”, diz Alfredo Correia.

O Sindileite afirma que os laticínios goianos, que têm incentivos fiscais, sofreram aumento médio de 32% na sua carga tributária desde que o governo estadual instituiu o novo Protege, que começou ser cobrado em abril deste ano e deve vigorar até março de 2020. Dos Estados maiores produtores de leite do País, Goiás teria hoje a carga efetiva mais alta, acima de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, por exemplo.

“Por conta do mercado altamente competitivo, em que os outros Estados produtores de leite têm hoje uma política de incentivos mais agressiva que a de Goiás, os laticínios goianos não têm como repassar o aumento dos impostos do novo Protege para o preço final, para o consumidor. Lembrando que 80% da nossa produção é vendida para outros Estados, onde também é preciso embutir custos com frete. Este custo maior com os impostos em Goiás foi absorvido em parte pelas indústrias e outra foi repassada aos preços pagos aos produtores rurais. Portanto, suspender os incentivos dos laticínios só tende a piorar ainda mais a situação da cadeia do leite em Goiás. Será o início de uma forte industrialização do setor no Estado”, afirma Alfredo Correia.


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