Comércio goiano reclama da alta dos juros

Comércio goiano reclama da alta dos juros

5 de maio de 2022

Valdir Ribeiro, da FCDL-GO: “Se consumidor vai embora, lojista não vende”

A alta dos juros básicos, que passou a ter a maior taxa (Selic) desde janeiro de 2017, afeta toda a economia, mas um setor em especial: o comércio varejista. Com o crediário mais caro para o consumidor parcelar suas compras, o setor prevê uma redução das vendas em Goiás.

“O setor varejista é um dos mais prejudicados por qualquer elevação na Selic. O comércio vende produtos de todos os preços e os mais caros geralmente são aqueles que os consumidores parcelam. Ele pode não entender nada de Selic, mas quando percebe que a prestação fica além do que cabe no bolso, ele vai embora e não compra”, afirma o presidente da FCDL-GO, Valdir Ribeiro.

“Se o consumidor vai embora, o lojista não vende. Se o lojista não vende, ele demite funcionários. Se ele demite funcionários, a gente não precisa nem explicar o que acontece. Isso tudo parece muito óbvio”, continua.

O presidente da entidade goiana afirma que, com juros mais caros, o empresário fica impedido de tomar crédito e expandir o negócio. “A inflação que o Banco Central está tentando combater não é de consumo e sim de preços administrados. Não dá para curar uma doença grave com um remédio errado”, frisa.

Prestações e inflação

É a mesma opinião do presidente do Sindilojas-GO, Cristiano Caixeta. “Esse aumento de 1 ponto na Selic pouco vai interferir nos valores das prestações pagas pelo consumidor ao comprar móveis, eletrodomésticos e eletroeletrônicos, se compararmos com a taxa até então vigente de 11,75%. Mas quando olhamos pelo retrovisor e vemos que no início de 2021 essa mesma taxa era de 2% a situação muda muito”, afirma.

O dirigente dá como exemplo um consumidor que comprou uma máquina de lavar no ano passado por R$ 1.500,00. Ele pagaria 12 prestações de R$ 166,00 por mês. Agora terá de pagar 12 parcelas mensais de R$ 172,00.

“Parece pouco, mas com uma inflação que já vem corroendo o poder de compra, será que ele vai adquirir produtos que geralmente exigem o parcelamento da compra por serem mais caros ou vai priorizar itens básicos em casa? O Banco Central vai conseguir frear o consumo. Esse é o objetivo dos aumentos da Selic. Mas junto com isso ele prejudica o comércio e paralisa a economia”, diz.

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