Inflação derruba indústria e varejo, dizem economistas

Inflação derruba indústria e varejo, dizem economistas

25 de novembro de 2021

Paulo Borges: “ A falta de um futuro claro faz o empresário pisar no freio dos investimentos”

A soma de um cenário interno de incerteza, escassez de insumos e dólar elevado: esta é a tempestade perfeita que está por trás da queda em indicadores importantes da economia goiana. Economista ouvidos pelo Empreender em Goiás avaliam que estes são alguns dos fatores que explicam a queda de 8,2% na indústria e de 7,5% no varejo goianos, em setembro. Para piorar, a inflação de outubro, em Goiânia, foi a maior do País, com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) alcançando 1,53%.

O economista Aurélio Troncoso lembra que o panorama atual difere do ano passado, mesmo com a pandemia marcando forte presença tanto em 2020 quanto em 2021. Isso porque, incialmente, a indústria goiana, ancorada na produção de alimentos, foi beneficiada por ter sido considerada essencial. Assim, as exportações puxaram a indústria goiana em 2020. Tendência que se inverteu em 2021, devido à perda do poder de compra do consumidor, causada pelo desemprego e elevação de preços, especialmente em itens regulados pelo governo, como combustível, energia e água.

Outro problema foi a alta dos custos de insumos, que ocorre mundialmente. Indústrias que dependem de embalagens plásticas e de componentes eletrônicos, como a de bebidas e automotiva, respectivamente, foram seriamente afetadas. “Assim, o que ocorre não é uma inflação de demanda, é de custo de produção”, diz Troncoso.

O remédio utilizado pela equipe econômica do governo federal, segundo o economista Júlio Paschoal, está errado. Ele lembra que o time do ministro Paulo Guedes (Economia) iniciou um ciclo de alta na taxa básica de juros, a Selic. “Inflação de custo se combate com equilíbrio fiscal e não quebrar o teto. A equipe está aumentando taxa Selic, que é para curto prazo para inflação de demanda. Há uma sucessão de erros”, acredita.

Incertezas

O também economista Paulo Borges Campos Jr. adiciona um outro molho na discussão: as incertezas advindas do contexto político brasileiro, especialmente para o ano que vem, quando serão realizadas as eleições presidenciais. Entre os empresários, a falta de um futuro claro o faz pisar no freio dos investimentos. Por parte do consumidor, ocorre o adiamento da decisão de compra, principalmente de produtos duráveis, que dependem mais da oferta de crédito.

Paulo Borges é outro que aponta um ganho inicial em alguns setores da indústria e no varejo goianos no primeiro ano da pandemia, quando houve um aumento nas vendas de alimentos e produtos farmacêuticos, principalmente. “No ano passado, o agro segurou (a indústria goiana)”, afirma.

Os economistas são unânimes em apontar a alta do custo dos insumos como ponto de virada do bom momento vivido pela indústria ano passado. “Está mais caro produzir”, ressalta Paulo Borges. “Com o encarecimento do crédito, as empresas, ao invés de produzir, compram títulos”, complementa o economista Júlio Paschoal.

Consequentemente, os efeitos chegam ao varejo. Com a disparada nos preços dos combustíveis e energia e a alta do dólar, o consumidor se retraiu. “Os supermercados estão relativamente vazios, as pessoas estão comprando o básico. No varejo, os setores de móveis e eletrodomésticos, que dependem muito do crédito, sentem a alta dos juros”, afirma Júlio Paschoal. Com preços altos, há menos consumo. Com menos consumo, menos produção. E o ciclo se retroalimenta.

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