Falso pagamento é o golpe mais usado no Brasil

Falso pagamento é o golpe mais usado no Brasil

22 de setembro de 2021

O falso pagamento foi responsável por 42% dos golpes aplicados no comércio eletrônico no 1º semestre de 2021, com prejuízo estimado em cerca de R$ 6 milhões, de acordo com estudo da OLX, uma das maiores plataformas de compra e venda online do país, e do AllowMe, plataforma de proteção de identidades digitais desenvolvida pela Tempest. Em seguida, estão a falsa venda (25%) e roubo de dados (23%). O estudo também analisou o comportamento dos fraudadores ao aplicar os golpes.

Conforme o estudo, os eletrônicos foram os produtos mais visados, representando 78% dos casos. Celulares aparecem em primeiro lugar na lista, com 47%, seguido por videogames (19%) e computadores (13%), facilidade no transporte, valor e facilidade de repassar esses produtos são os principais pontos que os colocam no topo do ranking. O estudo analisou dados do mercado digital brasileiro, incluindo sites, apps e contas digitais de janeiro a junho de 2021 em comparação com o mesmo período de 2020, em uma base de cerca de 20 milhões de contas abertas em plataformas on-line.

“Mesmo com um maior investimento por parte das empresas nas soluções de segurança e a tecnologia como uma aliada nos modelos de prevenção de fraudes, os fraudadores atuam principalmente na falta de conhecimento dos usuários sobre os processos de compra e venda eletrônica para aplicar a engenharia social e enganá-los. Por isso, a educação digital é fundamental para que as pessoas possam identificar comportamentos suspeitos e se protejam das investidas dos golpistas”, explica Beatriz Soares, diretora de Produto e Operações da OLX.

O golpe do falso pagamento é uma atualização do antigo golpe do envelope vazio, quando o fraudador apresentava um comprovante de depósito no caixa eletrônico, mas não colocava o dinheiro no envelope e o valor não era computado pelo banco. Com a predominação das transações bancárias digitais, hoje o fraudador faz um falso comprovante de depósito com os dados da vítima e o envia por e-mail ou aplicativo de mensagem, fazendo a pessoa acreditar que o valor já foi depositado e entregue o produto da venda. Quando a vítima percebe o golpe, o fraudador já está com o produto e deixa de responder as mensagens.

Comportamento

Ao contrário da imagem clássica que se tem dos golpistas, eles não agem sozinhos e nem de maneira desorganizada. Os golpes são praticados por associações criminosas que se articulam em rede, criam inúmeras contas falsas (utilizando dados válidos de pessoas) e tentam atrair o maior número de vítimas – seja com anúncios, seja com abordagens para comprar itens anunciados por clientes legítimos.

Muito se imagina que as atividades cibernéticas criminosas estejam relacionadas a fatores como “navegador Tor” (famoso por ser utilizado para acessos à deep web) ou e-mails descartáveis, mas os números mostram o contrário. A cada 10 mil contas falsas criadas, apenas uma é feita a partir do Tor (0,01%) e 14 utilizam caixas de e-mail temporárias (0,14%).

A proporção de uso em relação a e-mails válidos e que caíram em vazamentos recentes de dados é muito maior: em uma amostragem de mais de 10 mil contas falsas, 173 foram abertas fazendo uso de e-mails comprometidos.

Quando observado os horários com maior atividade criminosa na internet, o senso-comum de “hackers atacando na calada da noite” também cai por terra. Três em cada quatro atividades criminosas ocorrem entre meio-dia e meia-noite, enquanto a madrugada corresponde a somente 18% das tentativas de golpe.

“Prevenir fraudes não é uma tarefa que deve ocorrer somente no momento em que há uma transação financeira ou um pagamento, mas ao longo de toda a jornada digital do cliente em uma plataforma – e isso vale para empresas e também para usuários. Enquanto os principais players do mercado investem em soluções de alta tecnologia para detectar e barrar atividades suspeitas, usuários devem também estar atentos a possíveis investidas fraudulentas – seja em relação a promoções extremamente irrecusáveis em troca de dados cadastrais ou na hora de efetuar um pagamento (por boleto, cartão de crédito, transferência bancária ou PIX)”, destaca Gustavo Monteiro, managing director do AllowMe.

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