Custo da construção civil dispara em Goiás

Custo da construção civil dispara em Goiás

10 de maio de 2021

O aumento de até 150% nos preços de matérias-primas nos últimos 12 meses, como aço, PVC, cobre, cimento e outros, fez disparar o custo básico da construção civil em Goiás, a exemplo do que ocorre em todo o País. Isto já está jogando para o alto os valores dos imóveis residenciais e comerciais e das obras públicas. O Custo Unitário Básico (CUB) anualizado, medido pelo Sindicato da Indústria da Construção (Sinduscon-GO), subiu 3,47% apenas no mês passado, chegou a 15,31% em 12 meses (o IPCA do período é de 6,1%) e deverá ultrapassar a casa dos 20% em agosto, de acordo com estimativas do presidente da entidade, Cezar Mortari. Atualmente, o valor referencial do metro quadrado do CUB é de R$ 1.921,74.


Nos últimos 12 meses, de acordo com o levantamento do Sinduscon-GO, o aço para construção subiu 150%, o PVC (usado nas instalações hidráulicas) dobrou de preço, o cobre (usado nas instalações elétricas) aumentou cerca de 90% e o cimento, 40%. Os custos da brita, tijolo, areia, vidro chegaram a ser reajustados em 30% em média. “A situação está sem controle. A inflação chegou a galope no nosso setor, desde janeiro último. O nosso custo está até 10% superior ao dos índices oficiais da inflação”, lamenta o empresário. Ele atribui os aumentos dos preços das matérias-primas da construção civil, inclusive da areia, tijolo, brita, vidros, às variações das cotações desses produtos, desde agosto do ano passado.


Por causa da pandemia da Covid-19, as indústrias reduziram a produção. Por outro lado, cresceu a demanda por matérias-primas com o retorno das atividades da construção. As pequenas obras tocadas pelos “formiguinhas”, também cresceram graças à ajuda governamental do auxílio emergencial, criado pelo Governo Federal para ajudar às famílias de baixa renda, afetadas pela pandemia, da Covid-19.

Cezar Mortari: ““A situação está sem controle”

Cezar Mortari conta que os dirigentes das entidades de classe do segmento estão negociando com o governo federal a redução de alíquotas para fazer importação de alguns produtos, como aço, cimento, PVC e outros para equilibrar o mercado e conter as altas no Brasil. Porém, a chegada destas mercadorias no País poderá demorar até 90 dias, o que mostra que o custo da construção civil continuará pressionado para o alto por um bom tempo.


O presidente do Sinduscon-GO assegura que as construtoras garantirão os valores dos contratos em vigor com os compradores finais. Porém, para os novos imóveis a serem lançados, a partir de agora, há uma estimativa de alta de até 15%. “Isto tira o poder de compra dos consumidores, infelizmente”. Atualmente, cita, a renda familiar para adquirir um imóvel do Programa Minha Casa, Minha Vida, avaliada em R$ 150 mil, é de R$ 2.900,00. Com a alta do custo da construção, o valor da casa chegará a R$ 185 mil e a renda exigida será de R$ 3.100,00. “Ficará, cada vez mais difícil para o comprador final ter acesso à casa própria”, lamenta.


O aumento do custo da construção civil atinge todas as obras, desde as populares até as de luxo. Porém, segundo Motari, o pior da situação está nas obras públicas porque não há previsão legal para reajustes de contratos. Isto, já está afetando, sobremaneira, os caixas das empreiteiras e a licitação de novas obras. Recentemente, conta, a Saneago licitou 15 obras e não apareceu nenhuma empresa interessada, já que os valores, estavam baseados em planilhas defasadas, portanto, aquém dos custos operacionais.
A sugestão do presidente do Sinduscon-Go às construtoras e incorporadoras é que aumentem a produtividade, reduzam custos operacionais e que continuem negociando com fornecedores os preços das matérias-primas da construção.

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