CNI: Brasil continua na lanterna em competitividade

CNI: Brasil continua na lanterna em competitividade

30 de julho de 2020

O ambiente de negócios no Brasil melhorou nos últimos dez anos, com redução de burocracias e melhorias na legislação trabalhista, mas não foi suficiente para tirar o País do penúltimo lugar do relatório Competitividade Brasil 2019-2020. O estudo, elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), compara o Brasil com 17 economias, com características similares às da economia brasileira, em 61 variáveis. Na classificação geral, o Brasil aparece em 17º lugar a frente apenas da Argentina. Os países mais competitivos são Coreia do Sul, Canadá e Austrália.

A economia brasileira até conseguiu uma classificação mais positiva nas categorias Tecnologia e Inovação; Trabalho; e Estrutura produtiva, escala e concorrência. No entanto, Financiamento, em especial o custo do capital e a tributação, funciona como uma bola de ferro que impedem o Brasil de subir à superfície, respirar e competir em pé de igualdade com outras economias. O relatório compara o Brasil com África do Sul, Argentina, Austrália, Canadá, Chile, China, Colômbia, Coreia do Sul, Espanha, Índia, Indonésia, México, Peru, Polônia, Rússia, Tailândia e Turquia. Em nove fatores: Ambiente macroeconômico; Ambiente de negócios; Educação; Estrutura produtiva, escala e concorrência; Financiamento; Infraestrutura e logística; Tecnologia e inovação; Trabalho e Tributação.

“Apenas no fator ambiente de negócios, o Brasil registrou avanço. É urgente avançarmos com reformas que tragam protagonismo ao empreendedorismo em nosso País. Uma nação desenvolvida se faz com empresas fortes e para isso precisamos corrigir nosso sistema tributário e proporcionar mais competitividade ao setor produtivo”, avalia o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Sandro Mabel. Para ele, é fundamental a aprovação de uma ampla reforma tributária. “A pauta se arrasta no Congresso há mais de duas décadas. Enfrentamos uma recessão histórica desde 2015, onde a economia patina na tentativa de voltar a crescer. E, agora, enfrentamos outro desafio com a crise decorrente da pandemia do coronavírus”, observa.

Crédito caro
O Brasil é o país com o pior desempenho no ranking do fator Financiamento entre os 18 países avaliados. Ele obteve nota 2,22. Mas essa prova vale 10. O Canadá, o melhor colocado, conseguiu 7,65, e a China, a segunda melhor, 7,16. Em duas, das três dimensões avaliadas, o Brasil não teve uma performance tão negativa. Foram elas: disponibilidade de capital e desempenho do sistema financeiro. No entanto, o custo do capital no Brasil é muito superior ao custo nos demais países. O Brasil apresentou a mais alta taxa de juros real de curto prazo (8,8%) e o maior spread da taxa de juros (32,2%) em 2018. Entre os 18 países selecionados, a Rússia apresentou a segunda maior taxa de juros real de curto prazo (5,2%) e o Peru o segundo maior spread da taxa de juros (11,9%), quase três vezes menor que o indicador brasileiro.

No fator Tributação, o Brasil está em penúltimo lugar a frente apenas da Argentina. Nas duas dimensões avaliadas – peso e qualidade – o Brasil situa-se no terço inferior do ranking. No subfator Peso dos tributos, o Brasil ocupa a 17ª posição, superando apenas a Argentina. Em 2017, a carga tributária no Brasil representou quase um terço do PIB (32,3%), sendo inferior apenas à observada na Espanha (33,7%) e na Polônia (33,9%), países cuja renda per capita é cerca de duas vezes superior à brasileira, segundo dados de 2018.

Além da carga elevada, o sistema tributário brasileiro tem baixa qualidade. O Brasil é o último colocado no ranking do subfator Qualidade do sistema tributário. Chama atenção, o desempenho da Turquia, que subiu da 14ª para a 4ª posição no fator Tributação, passando do terço inferior para o terço superior do ranking. Entre 2018 e 2019, a Turquia realizou reformas que facilitaram o pagamento de impostos no país: melhorou o portal online para cumprir com obrigações tributárias e isentou do IVA (Impostos sobre Valor Agregado) certos investimentos, segundo o Banco Mundial.

O Brasil é o nono colocado no fator Trabalho, situando-se no terço intermediário do ranking dos 18 países avaliados. O resultado reflete a vantagem competitiva do país no subfator Disponibilidade de mão de obra. No outro subfator, Custo da mão de obra, o país está entre os últimos colocados. Apesar de a oferta de trabalho no Brasil situá-lo em 10º lugar, a baixa produtividade do trabalho torna o custo com trabalho no Brasil um dos mais elevados. Entre os 18 países, o Brasil apresentou a segunda menor produtividade do trabalho na indústria, superando apenas a Índia. (Com informações da Agência CNI de Notícias)

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