Lojas de material de construção já deixam a crise para trás

Lojas de material de construção já deixam a crise para trás

19 de junho de 2020

Irma Fernandes: “O faturamento nominal com as vendas no varejo cresce há seis semanas consecutivas, praticamente eliminando as perdas do início da quarentena”

Depois de um impacto inicial causado pela Covid-19 e a consequente interrupção de muitas atividades econômicas, um segmento específico começa a dar sinais de que pode ser o primeiro a sair da crise: o de material de construção. Conforme dados repassados pelo Sindicato do Comércio de Materiais de Construção em Goiás (Sindimaco), com exclusividade para o EMPREENDER EM GOIÁS, o faturamento nominal com as vendas no varejo cresce há seis semanas consecutivas, praticamente eliminando as perdas do início da quarentena.

A fonte do Sindimaco é o estudo Impacto da Covid-19 no Varejo Brasileiro, da operadora de cartões Cielo. Apesar de serem números nacionais, eles refletem o mesmo movimento observado em Goiás, segundo a presidente da entidade, Irma Fernandes. A análise abrange o período entre 1º de março a 13 de junho e avalia a evolução semanal das vendas. O levantamento mostra que, nas duas primeiras semanas de março, houve crescimento nas vendas, de 1,7% e 4,1%, respectivamente. A partir da terceira semana do mês, que coincide com o primeiro decreto de quarentena em Goiás, a tendência se reverteu.

Foram sete semanas seguidas de queda. A pior foi a semana entre 22 e 28 de março, com faturamento 59% inferior ao da semana anterior. “Nesse período, muitas lojas fecharam, pois houve um desentendimento quanto ao alcance do decreto”, diz Irma Fernandes. Assim, empresários deram férias coletivas ou negociaram banco de horas com os funcionários. Porém, com o esclarecimento de que as lojas de material de construção estavam incluídas nos serviços essenciais, as atividades foram retomadas, o que refletiu nas vendas. “A maioria ficou parada entre uma semana a 15 dias”, explica a presidente do Sindimaco.

Início da recuperação
Ainda assim, em todo o mês de abril o resultado foi negativo. O crescimento retornou logo na primeira semana de maio, com faturamento 8,4% maior que na semana anterior. O patamar oscilou, mas, nas três últimas semanas, atingiu o pico de crescimento: 10,1%, 19,1% e 28,6%, respectivamente. No acumulado do ano, ainda há um recuo de 3,5%. “Somos privilegiados, por permanecermos abertos o tempo todo. Segundo ela, há 4.198 lojas registradas no Sindicato e o setor não precisou demitir em meio à crise. “Fica caro treinar um funcionário. Não vale a pena demitir para readmitir depois”, explica.

A retomada de fôlego no setor ainda não foi captada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com números fechados até abril, quando as vendas nas lojas de material de construção ainda registravam baixas, o IBGE estima que a retração no primeiro quadrimestre, em Goiás, foi de 3,8% em relação ao mesmo período de 2019. Um dado muito próximo ao apontado pela Cielo.

Solimar Fernandes: “O mercado ficou aquecido por uma soma de fatores: demanda reprimida dos dias iniciais da quarentena, necessidade e retomada do que havia sido deixado para trás”

Reação com cautela
Presidente da Rede da Construção, que tem 37 lojas associadas, Rodrigo Cardoso sente um clima parecido. O crescimento das vendas nas últimas semanas chega a algo em torno de 30%, mas é preciso cautela. “Não podemos comprar, fazer estoques, porque não sabemos o que vai acontecer. Estamos otimistas, mas é um otimismo cauteloso”, afirma. Ele conta que, nas primeiras semanas da pandemia, muitos empresários tiveram de reduzir o quadro de funcionários. “Agora, estão recontratando, buscando os vendedores”, afirma. Rodrigo Cardoso não sabe, contudo, explicar esse movimento. “As reformas são a maioria, mas há muita construção começando do zero. Acho que é confiança no País, de que as coisas vão melhorar no segundo semestre”, aposta.

Diretor comercial da Leroy Merlin, Solimar Fernandes explica que, no início da pandemia, houve uma queda acentuada nas vendas, que se prolongou por abril. Mas, já em maio, houve uma retomada. Segundo ele, o mercado ficou aquecido por uma soma de fatores: demanda reprimida dos dias iniciais da quarentena, necessidade e retomada do que havia sido deixado para trás. “As pessoas entenderam que precisavam melhorar o próprio lar, que passou a ser também lugar de trabalho”, acredita. Com esse movimento, o quadro de funcionários da Leroy em Goiânia, que tem 185 pessoas, foi mantido e agora a empresa tem contratado alguns reforços pontuais. Solimar acredita que o segundo semestre será de crescimento para o segmento, especialmente por causa da queda na taxa básica de juros, que chegou ao menor patamar da história, 2,25% ao ano.

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