Hypera compra portfólio da Takeda por US$ 825 milhões

Hypera compra portfólio da Takeda por US$ 825 milhões

2 de março de 2020

A Hypera Pharma, que tem complexo instalado no Distrito Industrial de Anápolis, fechou acordo com a Takeda Pharmaceutical International para a aquisição de portfólio de 18 medicamentos isentos de prescrição (OTC) e de prescrição na América Latina por US$ 825 milhões, segundo fato relevante divulgado oficialmente pela empresa nesta segunda-feira (02/03).

O portfólio inclui produtos em áreas terapêuticas como cardiologia, diabetes, endocrinologia, gastrenterologia, sistema respiratório e clínica geral, além de marcas como Neosaldina e Dramin. O conjunto de medicamentos teve receita líquida de cerca de R$ 900 milhões – 83% no Brasil e 15% no México – em 2019, segundo a Hypera. “Quando concluído, esse passo transformador representará a maior aquisição da história da Hypera Pharma e está em linha com o seu já reconhecido foco estratégico de expansão de market share e investimento em marcas líderes com alto potencial de crescimento”, afirmou a companhia.

A Hypera disse que já assegurou com bancos linhas de crédito de R$ 3,5 bilhões para financiar a transação e afirmou que a conclusão da aquisição deve ocorrer até o final deste ano, sujeita a determinadas condições, incluindo aprovação dos órgãos antitruste e dos acionistas. A aprovação da transação não dará aos acionistas o direito de retirada da companhia.

O acordo ainda prevê a fabricação e fornecimento em conexão com a transação, por meio do qual a Takeda continuará a fornecer produtos à Hypera, que também fortalecerá seu time de vendas e marketing com uma equipe de aproximadamente 300 pessoas que será transferida da Takeda quando do fechamento do negócio. Com a conclusão da transação e a recente aquisição da marca Buscopan, a Hypera Pharma disse que passará a ser a maior empresa farmacêutica do Brasil e a líder absoluta em OTC, com participação de mercado de aproximadamente 20%, de acordo com o IQVIA.

A Hypera Pharma, do empresário João Alves de Queiroz Filho, conhecido como Junior, decidiu entrar no páreo pelos negócios da Takeda para aumentar seu portfólio de medicamentos isentos de prescrição. No ano passado, o grupo desembolsou R$ 1,3 bilhão pelas marcas Buscopan e Buscofem, que pertenciam à alemã Boehringer Ingelheim. Fontes a par do assunto afirmaram que a companhia de Junior quer comprar 100% do negócio, avaliado entre R$ 4 bilhões e R$ 4,5 bilhões. Os planos são fazer uma oferta de ações para se capitalizar. O Bank of America (BofA) está assessorando as negociações pelo grupo Takeda. As discussões estão sendo tratadas pelos executivos da matriz da farmacêutica japonesa.

Império de marcas
Criada para ser a “Unilever brasileira”, a Hypermarcas foi idealizada no início dos anos 2000 por Junior e cresceu, desde então, por meio de aquisições de empresas e marcas. O grupo, que já foi dono da Arisco, Bozzano, Etti e Assolan, começou a montar seu império farmacêutico em 2007. Por conta dessa estratégia agressiva de crescimento, o grupo, que concentrou em Anápolis seu complexo industrial, acumulou pesadas dívidas.

Em 2011, o grupo passou a vender seus negócios de bens de consumo e alimentos para reduzir o endividamento. Após vender seus negócios de consumo para a Coty, por R$ 3,8 bilhões, e a divisão de fraldas para a Ontex, por R$ 1 bilhão, o grupo passou a ser uma empresa 100% de medicamentos. Em 2018, tornou-se de vez Hypera Pharma.

Alvo da operação Tira Teima, desdobramento da Lava Jato, a companhia afastou seus principais diretores em 2018 da gestão do grupo. No dia 12 de fevereiro, o Ministério Público Federal (MPF) denunciou Junior e os ex-executivos Nelson Mello, Carlos Roberto Scorsi e Sílvio Tadeu Agostinho. Na denúncia, o MPF coloca o dono do grupo e os ex-diretores como suspeitos de integrarem esquema envolvendo parlamentares para favorecer os interesses do grupo farmacêutico. A ação penal é resultado das investigações realizadas após acordo de colaboração firmado com Nelson Mello, ex-diretor institucional da Hypera. Sobre esse tema, o grupo afirma que tem colaborado com a Justiça nas investigações.

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