Trabalhadores e empresários protestam contra o Protege

Trabalhadores e empresários protestam contra o Protege

11 de dezembro de 2019

Mais de 2 mil trabalhadores e empresários em frente ao Palácio Pedro Ludovico Teixeira

Mais de 2 mil trabalhadores e empresários protestaram hoje em Goiânia contra os projetos do governo do Estado, enviados para a Assembleia, que se aprovados vão causar a redução dos incentivos fiscais em Goiás. Caravanas chegaram no início da tarde de vários municípios do interior, principalmente dos municípios goianos que são polos industriais, e realizaram protestos em frente à Assembleia Legislativa e ao Palácio Pedro Ludovico Teixeira.

Mais de 30 indústrias também fixaram faixas pretas em placas do Produzir e Fomentar na entrada de suas fábricas em protesto contra as medidas propostas pelo Governo de Goiás. Essa inédita manifestação em Goiânia, reunindo empresários e trabalhadores, sinaliza a frustração das indústrias e dos trabalhadores com os projetos de lei que reduzem benefícios fiscais no Estado, afetando a competitividade, níveis de investimento e geração de empregos em Goiás.

“Estamos todos unidos nesta mobilização, empresários e trabalhadores, para que possamos sensibilizar os deputados e deputadas estaduais sobre o risco ao futuro do nosso Estado. A questão principal é o Protege, que foi instituído em abril deste ano e valeria apenas por 12 meses, mas agora pode ser prorrogado por tempo indeterminado. Isto prejudicará tantas as empresas como os trabalhadores. Não podemos deixar que as empresas reduzam suas operações ou deixem Goiás, afetando os empregos de milhares de trabalhadores”, disse o presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias do Estado de Goiás (FTIEG), Pedro Luiz Vicznevski.

“As indústrias em Goiás não suportam mais aumento de impostos. Sem dúvida é preciso retirar o projeto do governo na Assembleia que prorroga o Protege e cumprir o acordo feito com o setor produtivo. Sem indústrias, não há crescimento econômico e geração de novos postos de trabalho”, afirmou Reginaldo José de Faria, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Anápolis. O sindicalista citou o indicador do IBGE, divulgado em novembro, apontando que a taxa de desemprego em Goiás saltou de 8,9% (dezembro de 2018) para 10,8% (outubro de 2019).

“Sem política de desenvolvimento regional competitiva, as empresas em Goiás vão travar. É questão de tempo. A transferência de produção ou de plantas industriais para outros Estados não acontece da noite para o dia, mas se não garantirmos segurança jurídica e a competitividade para as empresas em Goiás, este processo vai acontecer. Algumas já decidiram pela mudança, mas a maioria ainda espera sinalização positiva por parte do governo do Estado em relação a manutenção dos incentivos fiscais”, disse o presidente da Adial Goiás, Otávio Lage Filho.

Presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Sandro Mabel, afirmou que a mobilização de hoje dos trabalhadores e empresários é um alerta para os parlamentares na Assembleia Legislativa e para o governo estadual de que Goiás não pode perder a oportunidade de um novo ciclo de crescimento econômico que se desenha para o País nos próximos anos. “A questão da prorrogação do Protege é uma quebra do acordo feita com o setor produtivo para ajudar o atual governo do Estado. É impossível para as indústrias absorverem este custo maior por mais tempo”, disse.

O economista Júlio Paschoal lembrou que o mercado consumidor em Goiás é incipiente para absorver a produção das indústrias instaladas no Estado. Entretanto, para as empresas venderem para Estados, com mercados consumidores maiores, precisam arcar com elevados custos de transporte e impostos. “Então, nós precisamos manter os incentivos fiscais e reduzir a taxa do Protege, que não poderia ser maior do que 4%, e não a alíquota de 15% proposta pelo governo estadual. Não são apenas as grandes indústrias que são atingidas, mas milhares de pequenas e médias empresas em Goiás que fornecem para elas”, afirmou.

Saiba mais
O Movimento em Defesa ao Desenvolvimento e dos Emprego começou a ser formatado em maio deste ano, quando a Adial Goiás contratou pesquisas quantitativa e qualitativa para verificar os anseios dos goianos quanto à economia do Estado e a visão com relação aos incentivos fiscais. As pesquisas, feitas nos municípios goianos mais industrializados, captaram um apoio de mais de 90% da população à adoção de políticas públicas que levem ao crescimento econômico, por meio da industrialização, incremento do comércio e do setor de serviços.

Com a adesão de entidades empresariais e de trabalhadores foi criado o movimento, que realizou uma seis seminários regionais entre agosto e novembro deste ano em Rio Verde, Anápolis, Goianésia, Itumbiara, Catalão e Aparecida de Goiânia. No final de novembro, o movimento se tornou um fórum permanente.

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