Prefeito Gustavo Mendanha afirmou que eventual revogação dos incentivos fiscais por parte do Estado provocará “efeito cascata” em toda a economia aparecidense

Empresários e lideranças políticas goianas demonstram uma crescente preocupação com a eventual saída de empresas de Goiás em busca de ambientes mais favoráveis aos seus negócios. Isto deve gerar três impactos diretos: redução do parque industrial de Goiás a médio prazo, hoje o sétimo maior do País; demissão de trabalhadores; e menor arrecadação de impostos estaduais e municipais.

Esta preocupação foi a principal tônica dos relatos de empresários, trabalhadores e políticos no seminário regional do Movimento em Defesa do Desenvolvimento e dos Empregos, realizado por cerca de 30 entidades segunda-feira (11/11) à noite no auditório da Associação Comercial e Industrial de Aparecida de Goiânia (Aciag).

O prefeito Gustavo Mendanha afirmou que a eventual revogação dos incentivos fiscais por parte do governo de Goiás provocará “efeito cascata” que não atingirá somente empresas e os empregos dos trabalhadores, mas também pequenos e médios empresários e comerciantes que prestam serviços às indústrias aparecidenses. “Não podemos prejudicar todo o setor produtivo por conta de duas ou três empresas que podem ter recebido incentivos em desacordo com a lei. A população não pode perder seus empregos. Se hoje a cidade é o que é, é por conta dos incentivos”, ressaltou o prefeito.

O senador Vanderlan Cardoso (PP) revelou que já esteve com o governador Ronaldo Caiado (DEM) e o alertou de que outros governadores esperam a possível revogação dos incentivos fiscais por parte do governo estadual para prospectar indústrias goianas. “A forma como este debate está sendo conduzido [pelo Poder Executivo] tem gerado um clima de instabilidade muito ruim. Senador Canedo [Vanderlan foi prefeito no município entre 2004 e 2010], assim como Aparecida, foram por muitos anos consideradas cidades-dormitórios. Se avançaram em industrialização e geração de empregos, isso se deve aos incentivos fiscais”, ressaltou o parlamentar. “É preciso dialogar”.

Vanderlan Cardoso: A forma como este debate é conduzido [pelo governo] tem gerado clima de instabilidade muito ruim”
Já o ex-governador de Goiás e ex-prefeito de Aparecida, Maguito Vilela (MDB), lembrou estratégias empregadas no seu governo (1995-1998) na concessão dos incentivos a determinados segmentos da indústria goiana. “Atrelei-os ao aumento da arrecadação. Os empresários entenderam o acordo e a sonegação de impostos diminuiu consideravelmente”, contou. Durante a gestão de Maguito havia o programa Fomentar, posteriormente transformado em Produzir na administração tucanas a partir de 2000.

Maguito Vilela também foi enfático ao lembrar que se o Governo de Goiás revogar os incentivos fiscais, Estados como São Paulo, Minas Gerais e o Distrito Federal continuarão a concedê-los. Logo, não haveria razão plausível para as indústrias continuarem em solo goiano. “Peço a todos, principalmente aos líderes políticos, que usem de muito bom senso. Se há distorções [na concessão de incentivos], que se corrija. Se um boi tem carrapatos, precisamos matar o boi?”, questionou.

Maguito Vilela: “Se um boi tem carrapatos, precisamos matar o boi?”

O presidente da Aciag, José Luiz Celestino, afirmou que há investidores temerosos diante do atual “cenário de incertezas” e preferem aguardar uma definição concreta por parte do governo estadual quanto à revogação ou diminuição dos incentivos fiscais. “Quem veio investir aqui o fez porque o Estado assegurou os incentivos. Portanto, é preciso cumprir o que está em contrato”, disse Celestino. Presidente da Federação dos Trabalhadores na Indústria do Estado de Goiás, Pedro Luiz Vicznevski cobrou diálogo por parte do governo do estado, principalmente sobre as reformulações dos incentivos fiscais. “Desemprego é coisa séria. Estamos lidando com as vidas de milhares de famílias goianas”, afirmou.

Diretor-executivo da Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás (Adial), Edwal Portilho atribuiu o “descompasso” nas contas públicas do governo estadual à crescente folha de pagamento. “Somos a nona economia do País, temos o sétimo maior parque industrial e somos também o sétimo Estado em arrecadação de ICMS. Definitivamente, não são os incentivos os responsáveis pelos problemas financeiros do estado”, disse.

O Movimento em Defesa do Desenvolvimento e dos Empregos tem promovido seminários em diferentes regiões do Estado. Aparecida de Goiânia sediou a sexta edição. O Movimento reúne, de forma inédita em Goiás, entidades empresariais, meio acadêmico e sindicatos e federações que representam trabalhadores nas indústrias goianas. Um grande evento, na primeira semana de dezembro em Goiânia, vai encerrar a mobilização de empresários e trabalhadores goianos com a entregue de propostas ao governo de Goiás.


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