Marcos Bernardo: “Não existe uma fórmula pronta para uma startup ter êxito”

Goiás terá o dobro de startups no próximo ano, saltando de 150 para 300 empresas. Exemplos de plataformas que já alcançaram relativo sucesso em solo goiano e no País serão as molas propulsoras deste crescimento, avalia um dos fundadores do Gyntec Condomínio Tecnológico, Marcos Alberto Campos. Investimentos dos governos federal e estadual, por meio do Programa Centelha e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), também contribuem.

Marcos Alberto considera 2019 o ano da virada. “Cases de sucesso são grandes incentivadores e é a melhor forma de motivar empreendedores. Não existe uma fórmula pronta para uma startup ter êxito, mas se inspirar nos acertos e pontos fortes dos outros é extremamente positivo”, avalia Marcos Alberto.

Segundo levantamento oficial da Associação Brasileira de Startups (ABSTARTUPS), as 150 empresas registradas em Goiás representam quase 27% do total da Região Centro-Oeste e Distrito Federal, com 562 startups em operação. Do total em Goiás, 100 estão em Goiânia. “O número coloca o Estado em destaque e na mira de investimentos”, analisa Marcos Bernardo. O EMPREENDER EM GOIÁS conversou com diretores de três startups goianas que têm crescido sistematicamente e conquistado projeção nacional. Confira o que elas têm feito para crescer no mercado brasileiro.

Foco
Em pouco mais de dois anos de funcionamento, a Congressy, plataforma de gestão de eventos corporativos e científicos, contabiliza 3.550 eventos realizados e conta com 870 clientes. Com seis funcionários, a empresa cresceu 545% em relação ao ano anterior. Em 2019, a média de crescimento tem sido de 17% ao mês.

Hugo Seabra e Wyndson Oliveira: a Congressy cresce em média 17% ao mês

“Vamos além da venda de ingressos. Focamos na gestão do evento, otimizando processos, diminuindo custos, integrando ferramentas e aumentando a conversão de vendas dos ingressos e, consequentemente aumentando o público”, diz Wyndson Oliveira, CEO da startup.

A Congressy consegue gerir de forma simultânea múltiplos auditórios e adequar a programação de um congresso aos interesses que o público está demonstrando naquele momento. A plataforma também trabalha com um programa de indicações, onde todos que indicam e tem inscrições pagas confirmadas são bonificados com cortesias de ingressos e recompensas em dinheiro, entre outras, conforme definição do organizador do evento.

A Congressy não começou “do zero”. Ela adquiriu duas plataformas que já existiam no mercado goiano e aproveitou a expertise de ambas. “O grande acerto nestes poucos anos de existência foi validar muito bem o produto com o cliente. Não adianta criar uma plataforma e só acreditar que vai dar certo. Tenho que ‘construir’ o produto entendendo exatamente o que o cliente quer. Preciso ouvi-lo, entender suas dores e entregar algo que ele precisa, na medida certa”, frisa Oliveira.

Boca a boca
“Não há melhor propaganda para um produto ou empresa do que o boca a boca”, diz Leandro Martins, diretor da Buzzlead, startup que começou a operar em 2016 e que se dispõe a potencializar vendas através de recomendações de clientes. A Buzzlead tem atualmente 17 funcionários e cresce, segundo Martins, 12% ao mês. Segundo ele, o ciclo de vendas (intervalo compreendido entre o primeiro contato e o fechamento da venda) diminui e o que chamamos de Custo de Aquisição do Cliente (CAC), quando fomentamos o boca a boca, fica próximo a zero.

“Percebemos a oportunidade que tínhamos diante das dificuldades das empresas em conquistar novos clientes. Muitas fazem anúncios em rádios, tevês, redes sociais e deixam de fora seu principal ativo: o cliente satisfeito”, explica o diretor.

Gabriel Rodrigues, da Auvo, que tem hoje cerca de 1.200 clientes

Demanda latente
Em 2015, eles trabalhavam em uma empresa e pensaram em desenvolver, juntos, uma solução para um problema que enfrentavam ali mesmo com gestão de equipes. No ano seguinte, tomaram uma decisão mais ousada: pediram demissão e começaram a empreender. “Nós acertamos no alvo quando conseguimos, naquela época, enxergar a necessidade que muitas empresas tinham em relação aos seus funcionários”, explica Gabriel Rodrigues, da Auvo, startup que tem hoje cerca de 1.200 clientes.

“Crescemos 300% em relação ao ano anterior. Saímos de 30 para 50 funcionários. 2019 tem sido nosso melhor ano”, celebra. Gabriel também lembra o que faria de diferente, caso tivesse esta chance: “Deveríamos ter feito tudo mais rápido, desenvolvendo a plataforma de maneira mais ágil. Nós não tínhamos o conceito de startup tão bem definido como hoje”.


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