A industrialização de Goiás foi responsável pela metade da guinada industrial do Centro-Oeste nos últimos 20 anos, diz o Ipea

A produção industrial do Centro-Oeste brasileiro apresentou taxa de crescimento superior à média nacional entre 1999 e 2016, segundo diagnóstico divulgado neste mês pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e Goiás apresentou a maior contribuição para o crescimento industrial no período. A pesquisa revela que a região teve crescimento industrial de 7% no intervalo de quase 20 anos apurado pelo Ipea, superando as regiões Norte (5,2%) e Nordeste (3,5%) no mesmo período.

O Centro-Oeste deu uma guinada econômica. Agregada às regiões menos desenvolvidas, Norte e Nordeste, antes da década de 1990, hoje o centro do País está associado às macrorregiões mais ricas do Brasil, o Sul e o Sudeste. Isso porque, em 20 anos, teve o maior crescimento industrial do País.
Enquanto, entre 1996 e 2016, a média nacional é de um crescimento de 2% do valor de transformação industrial (VTI) — indicador calculado pelo IBGE que define a diferença entre o valor bruto da produção industrial e o custo com as operações —, no Centro-Oeste o índice foi de 6,7%, acima do Norte, segundo colocado, com 4,4%, que ganhou o impulso da Zona Franca de Manaus no período.

O agronegócio continua a ser o setor predominante em Goiás, tendo impactos na indústria. Além disso, o Estado respondeu, na média das duas últimas décadas, por quase 50% da atividade produtiva industrial do Centro-Oeste. Na sequência aparecem Mato Grosso, com 27%, e Distrito Federal, com 4%.

Incentivos fiscais
De acordo com o técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, Murilo Pires, responsável pela pesquisa, a guinada do Centro-Oeste se deu porque, nas primeiras políticas públicas de desenvolvimento regional, a região era vista como “um problema”, como o Norte e o Nordeste. “Hoje, o Centro-Oeste está mais próximo do Sul e do Sudeste, que são regiões desenvolvidas”, disse. A explicação para essa mudança, segundo o especialista, ocorre dos anos 1990 em diante, quando o processo de industrialização em São Paulo começa a se espraiar para o Sul e para o Norte do Estado, chegando à região Centro-Oeste.

“Porém, a dinâmica do desenvolvimento do Centro-Oeste começa antes, com a agricultura, que provocou um vetor de modernização, a revolução verde da produção de soja”, comentou. “Em 1980, entram grandes comercializadores e agroindústrias. A partir de então, os Estados começam a dar incentivos fiscais. Isso provoca o crescimento industrial e a diversificação”, assinalou.

Quando se chega aos anos 1990, os eixos de integração e desenvolvimento conectam a região ao mercado internacional. “O estímulo externo, de certa forma, regulou o desenvolvimento dos estados do Centro-Oeste, a partir do comércio exterior (exportação e importação) e o que ocorre com a produção industrial”, afirmou. Quando o estudo abre as unidades da Federação da região Centro-Oeste, Goiás, inicialmente, é o mais industrializado de todos, depois Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e, por fim, Distrito Federal.

“A presença do comércio exterior permitiu dobrar a taxa de crescimento industrial do Centro-Oeste no período observado quando comparado ao Nordeste. Isso coloca a região acima da média nacional em relação à taxa de crescimento anual na atividade industrial do país”, afirma o pesquisador Murilo Pires. A pesquisa aponta, ainda, que as importações da região Centro-Oeste passaram de 0,8% do total nacional nos anos 1990 para 5,5% em 2016.

Os indicadores mostram que dez segmentos específicos impulsionaram a produção industrial no Centro-Oeste. Os produtos alimentícios representaram 54% da atividade industrial, seguidos de derivados de biocombustíveis (10,2%), e produtos químicos (8,3%). Também foi observada tendência de crescimento na taxa de exportações de produtos derivados agrícolas da soja e do milho.


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