As medidas que o governo federal anunciou em julho que promete facilitar o acesso do trabalhador ao saldo da sua conta do FGTS, possibilitando a retirada de parcela de seus recursos, tem o potencial de favorecer 3,425 milhões de trabalhadores em Goiás com o direito de sacar até R$ 500 por conta ativa ou inativa. O impacto econômico disto poderá chegar a 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, segundo estudo do Ministério da Economia, entre setembro deste ano e março de 2020.

Caso um mesmo indivíduo possua mais de uma conta, com mais de R$ 500, ele poderá sacar até o valor resultante da multiplicação de R$ 500 pelo número de contas, independente se elas forem ativas ou inativas. Por exemplo, suponha que um trabalhador possua duas contas inativas e uma ativa, com mais de R$ 500 em cada. Nesse caso, ele poderá realizar um saque de até R$ 1.500.

Segundo a Caixa Econômica Federal, o potencial dessa medida é de liberação de até R$ 28 bilhões em saques, ainda em 2019, e R$ 12 bilhões, em 2020, contemplando 96 milhões de trabalhadores, o que equivale a 46,3% da população brasileira. Ao todo, esses saques representam 0,58% do PIB do Brasil e 18,6% da renda habitual média das pessoas que estavam trabalhando no começo de 2019.

A importância dessa medida é reforçada ainda pelo fato de que 81% das contas do FGTS possuem saldo inferior a R$ 500, ou seja, o valor liberado é suficiente para um percentual bastante expressivo das contas. Em outras palavras, para 81% das contas essa medida devolve o valor integral dos recursos do trabalhador.

O saque tem bastante relevância para as regiões Sudeste, Sul e Nordeste, representando 0,64%, 0,56% e 0,56% do PIB do ano de 2018 dessas regiões, respectivamente. Analisando-se esse percentual desagregado por estados, é possível observar que é particularmente elevado para São Paulo (0,70%), Goiás (0,60%), Ceará (0,59%) e Alagoas (0,59%).

O saque poderá melhorar a situação das famílias em piores condições de vida, permitindo a compra de itens de cesta básica e o pagamento de dívidas em atraso. Assim, ao limitar o valor de saque a R$ 500 para contas ativas e inativas, ao invés de se liberar completamente saques de contas inativas, por exemplo, o governo federal avalia que a medida beneficiará mais pessoas, sendo mais focada nos mais pobres, e, com isso, traz um benefício particular às regiões com maior proporção de pessoas com renda habitual média mais baixa.


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