Jedson Pereira, em parceria com a Rocco Iannelli, já comercializa para o mercado europeu. (Foto: Graça Pires)

Quando se fala em moda praia, o brasileiro é mais do que entendido, é um apaixonado. Expertise que levou o empresário e estilista Jedson Pereira a conquistar o mercado europeu com a Brasil 70 Bikini. A marca com a cara do Brasil criou e sustentou um padrão internacional. Com três lojas em Goiânia, a comemoração dos 20 anos traz projetos de expansão e abertura de franquias.

Com a parceria do sócio investidor Rocco Iannelli, Jedson Pereira iniciou fabricando cerca de 20 mil peças a cada verão apenas para os consumidores europeus. Atualmente, a fábrica goiana produz em torno de 5 mil peças mensais – biquínis, maiôs, sungas e saídas –, lança duas coleções anuais e cápsulas ou minicoleções intermediárias. A produção gera mais de 20 empregos diretos e mais de 30 indiretos em facções terceirizadas.

Nos próximos anos, o empresário pretende abrir franquias e, para isso, já reformulou a loja na Galeria 1, no Setor Oeste, que se torna modelo de franquias futuras. Na loja da fábrica, no Jardim da Luz, ele abriu em anexo um outlet, com peças prêt-à-porter de coleções passadas e preços acessíveis. “Planejo me instalar no triângulo baiano, de Porto Seguro, Arraial d’Ajuda e Trancoso”, avisa.

(Foto: Graça Pires)

Apaixonado por moda

Jedson Pereira, nascido em Brasília, vivia em Goiânia na adolescência quando iniciou o curso de Jornalismo na UFG. Aos 18 anos, interrompeu a faculdade para passar uma temporada na Itália, onde ficou por décadas. Em Roma, fez curso de vitrinismo e trabalhou na área. Bruno Magli e Gucci, as icônicas grifes italianas, foram escolas para Jedson. Atuou como vendedor e consultor de moda. Somente na Gucci, foram 12 anos. “Eu já estava apaixonado pela moda, estudei italiano e aprendi tudo por lá”, conta o estilista.

A alma criativa falou mais alto e Jedson começou a levar biquínis do Brasil para vender na Itália. “Embora considerados pequenos para os padrões europeus, os biquínis brasileiros fizeram sucesso de cara”, lembra. Ele era até chamado de “Rei dos Biquínis” quando chegava com novidades a cada verão, chegando a vender cerca de mil peças nas últimas temporadas.

Marca própria

Com a necessidade de ter uma marca própria, Jedson criou a Brasil 70 em 1998. O nome trazia referência do seu país e do ano em que Jedson nasceu e que foi marcante pelo desempenho do jogador Pelé na Copa do Mundo. As peças eram desenhadas pelo estilista, fabricadas em Goiânia no sistema de facção e vendidas na Europa.

Após 8 anos atuando sozinho, em 2006, o criador se uniu ao sócio investidor Rocco Iannelli, um restaurateur. “Ele acreditou no meu projeto”, recorda o brasileiro. Os sócios abriram a fábrica no Jardim da Luz, em Goiânia, e contrataram mão de obra local.

Para apoio às vendas, que só eram realizadas para o exterior, foi aberto um showroom na Vicolo del Bologna, no centro histórico de Roma. Era ali que recebiam os lojistas durante todo o ano. Em uma loja ao lado, funcionava um espaço sazonal, no verão italiano. Além da Itália, as ilhas do Mediterrâneo eram as principais consumidoras.

Jedson vivia em Roma e retornava a Goiânia em períodos curtos. Em 2007, o crescimento do negócio o fez sair da Gucci para se dedicar apenas à sua marca. Dois anos depois, diante da crise na economia mundial e do crescimento da produção, voltou definitivamente para Goiânia, mantendo o showroom em Roma por cerca de dois anos. “Eu precisava acompanhar a produção de perto”, argumenta. A clientela europeia continua, agora na exportação.

De volta às raízes

Em 2011, Jedson abriu o mercado aos brasileiros, já que a fábrica ficava ociosa nos meses de carência de vendas no inverno europeu. “Fiz um bazar às vésperas da temporada do Rio Araguaia. Fiquei chocado com a procura. Entendi que no Brasil a moda praia deve trabalhar tanto no verão quanto no inverno”, conta.

Além de Goiânia, cidades como Brasília, Rio de Janeiro e Cuiabá estão entre as maiores consumidoras brasileiras. “Goiás é um ótimo mercado para a moda praia. A goiana é vaidosa, gosta de combinar o biquíni com a saída. Aposta numa produção mais requintada”, define Jedson, criador de kaftans bem no estilo europeu e de linhas combinadas para toda a família.

Peças personalizadas

A produção trouxe outro aprendizado. “Vi que as mulheres tinham dificuldade com a numeração e comecei a fazer peças sob medida. Foi uma ideia do meu sócio, inspirado na alfaiataria”, diz. O made to measure passou a ser o principal diferencial da grife que atrai mulheres, homens e crianças, de todas as formas físicas. A fábrica também oferece opções de montagens de peças diferentes, resultando em looks personalizados. “As clientes são minhas parceiras de criação”, frisa.

Outro atrativo é a consultoria prestada pelas vendedoras, treinadas para total assistência e orientação sobre as peças que melhor se encaixam em cada corpo. “É impossível alguém sair insatisfeito”, assegura Jedson.


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1 comment

  1. Ilza silveira Responder

    É com muito prazer e alegria que vi e acompanhei de perto essa trajetória vitoriosa da Brasil70Bikini! Amiga e admiradora de Jedson Pereira desde quando ainda menino ousou correr atrás de seu sonho e mudar pra Europa, na época um feito pra maioria dos brasileiros!
    Hoje, ao entrar nas lojas da Brasil70 confesso que me emociono ao ver o movimento incessante e alegre principalmente das mulheres diante das belas peças criadas por Jedson!
    Nos olhos de cada uma também o brilho do empoderamento pela permissão gentil de Jedson/estilista de “palpitarmos” nas combinações das peças e respeito às nossas diversas e diferentes medidas de seio/bumbum.
    Parabéns, que prolifere pelo Brasil e pelo mundo essa marca que cresceu pela dedicação de seu proprietário aliado à beleza e acessibilidades de suas criações!!