Patrimônio líquido da Celg GT é avaliado em quase R$ 1 bilhão

O governador Ronaldo Caiado (DEM) anunciou que deverá privatizar ainda neste ano a Celg Geração e Transmissão (Celg GT), última empresa pública do que já foi a maior estatal de Goiás. A decisão do governador é uma condição para o Estado poder aderir ao socorro federal chamado de Regime de Recuperação Fiscal (RRF). Outra estatal que terá parte de seu controle privatizado é a Saneago (hoje a maior empresa pública de Goiás), via emissão de ações (IPO) no mercado, mas neste caso Caiado preferiu não prever prazo.

O patrimônio líquido da Celg GT é avaliado em R$ 931,4 milhões, segundo o balanço da estatal publicado em maio deste ano. No primeiro trimestre de 2019, teve uma receita bruta de R$ 50,8 milhões, com redução de 22% em relação ao primeiro trimestre de 2018, mas o lucro líquido neste ano, de R$ 14,1 milhões, foi 57% maior em comparação ao do mesmo período de 2018. No ano passado o faturamento bruto da estatal goiana foi de R$ XX milhões e o lucro líquido, de R$ 58,5 milhões. O endividamento geral da Celg GT é baixo, de apenas R$ 80 milhões, maior parte por conta de financiamentos para a realização de investimentos.

A Celg GT é dona das concessões das usinas hidrelétricas de São Domingos, Rochedo, Mambaí e Mosquito (paralisada), além de 12 subestações e 14 linhas de transmissão. Também tem sociedade (de 10% a 50,1% do controle acionário) em investimentos nas seguintes usinas hidrelétricas e redes de transmissão em Goiás e no Entorno do Distrito Federal: Energética Fazenda Velha, Vale de São Bartolomeu, Energética Corumbá 3, Pantanal Transmissão, Lago Azul Transmissão e Firminópolis Transmissão.

“A Celg GT está sendo remodelada para que, tão logo tenhamos as condições, possamos privatizá-la”, afirmou o governador. Na semana passada, uma liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes determinou que o Tesouro Nacional autorize a entrada de Goiás no Regime de Recuperação Fiscal dos Estados, desde que o governo estadual conclua, nos próximos seis meses, a aprovação de um plano de ajuste fiscal junto à Assembleia.

O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, disse acreditar que o governo goiano consiga aprovar até o fim do ano as leis necessárias para Goiás faça a adesão ao RRF. “Cabe ao governo do Estado aprovar as leis com o plano de controle de despesas, a venda de estatais e a redução de benefícios do ICMS”, afirmou.

O governo de Goiás já privatizou duas grandes empresas públicas no setor de energia elétrica: a Usina de Cacheira Dourada, em 1997, por R$ 780 milhões (em valores da época); e a Celg Distribuição (Celg D), a maior de todas, por R$ 2,2 bilhões depois de passar por três anos sob a gestão federalizada da Eletrobras. A gestão privada da Enel, que comprou a Celg D, tem sido alvo de críticas de consumidores, empresários e governo do Estado (leia mais aqui, aqui e aqui). Mas a empresa promete investir na expansão e melhoria da qualidade dos seus serviços (leia mais aqui e aqui).

Do espólio da holding Celg sobrará ainda, após a venda da estatal de geração e transmissão, a Celg Telecom, mas esta ainda tem pouca representatividade economicamente.


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