Dois indicadores têm preocupado economistas, empresários e sindicatos de trabalhadores no Brasil: o Produto Interno Bruto (PIB) deve fechar neste ano, na melhor das hipóteses, com crescimento zero. A atual projeção oficial ainda é de um pequeno avanço de 1%, mas com viés de queda. Já a inflação está batendo os menores índices desde 2006, o que seria uma ótima notícia, não fosse a economia em retração. A combinação destes dois fatores indica que o País pode voltar, oficialmente, ao caminho da recessão econômica que tem custado sair desde 2014.

O horizonte econômico na visão do Comitê de Política Monetária indica que o PIB “deve apresentar desempenho próximo da estabilidade no segundo trimestre”, em comparação ao primeiro trimestre, quando houve queda de 0,2% no PIB. Esse diagnóstico, associado a um quadro de controle da inflação, apontam que o incentivo para o crescimento pode vir da política monetária, com a redução dos juros na próxima reunião do Copom, do Banco Central, daqui a 40 dias.

“Indicadores recentes da atividade econômica indicam interrupção do processo de recuperação da economia brasileira nos últimos trimestres”, informou o BC. E acrescentou que a economia segue operando com “alto nível de ociosidade dos fatores de produção, refletido nos baixos índices de utilização da capacidade da indústria e, principalmente, na taxa de desemprego”.

Ao analisar o horizonte inflacionário, o Copom avaliou que a manutenção da atual taxa de juros em 6,5% projeta que a inflação ficaria abaixo da meta em 2020, estabelecida em 4%. Simulou que caso haja uma redução da taxa Selic para 5,75%, como previu o mercado no relatório Focus, a meta inflacionária se manteria dentro dos 4%. Ou seja, o BC estaria confortável para reduzir os juros e cumprir seu principal objetivo que é manter a inflação no centro da meta. Contudo, os diretores do Banco querem esperar mais sinais de que a reforma da Previdência será aprovada pelo Congresso.

Só que nem mesmo a aprovação da reforma da Previdência, embora ninguém tenha dúvidas da sua necessidade para o País, será o suficiente para fazer a economia brasileira retomar o fôlego a curto prazo. A votação do relatório do deputado Samuel Moreira deve ser iniciada nesta semana com as mudanças na proposta original do governo, o que levará a novas estimativas de economia para os próximos 10 anos. Além dessas modificações, os parlamentares ainda poderão aprovar destaques que, em geral, tentam reduzir o impacto fiscal da reforma. Secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida disse que a atual reforma não impede o crescimento do rombo fiscal, apenas desacelera a curva deficitária da Previdência.

Enquanto isto, além do desemprego elevado, a crise econômica volta a gerar impacto muito forte nas atividades de milhões de empresas no Brasil. A inadimplência de micro e pequenas empresas bateu recorde em março, chegando a 5,38 milhões, segundo a Serasa Experian. O número é o maior da série histórica, iniciada em março de 2016, e teve alta de 6,9%, na comparação com o terceiro mês de 2018. As micro e pequenas empresas representam 95% do total das empresas inadimplentes no País. Mas o número de empresas inadimplentes de todos os portes também bateu recorde e atingiu 5,7 milhões. Este é o maior de série história, superando o de fevereiro de 2018, que foi de 5,6 milhões.


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