O mercado financeiro espera por manutenção da taxa básica de juros, a Selic, no atual patamar de 6,5% ao ano, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta terça-feira (18) e quarta-feira (19). Entretanto, a partir de setembro, os economistas do mercado esperam três cortes consecutivos da Selic. Isto por causa da queda nas estimativas de alta para o Produto Interno Bruto ( PIB), que passou de 1% para 0,93%, em 2019. Há quatro semanas, a estimativa de crescimento era de 1,24%.

As projeções mais recentes foram divulgadas nesta segunda-feira (17), no relatório Focus, que compila estimativas de instituições financeiras. A expectativa média é de que, após manter a Selic em 6,50% ao ano nesta semana, o BC corte a taxa básica para 6,25% em setembro, 6% em outubro e finalmente 5,75% em dezembro. Foi a primeira vez que, no Focus, as estimativas são de corte de juros este ano – e não de manutenção. Até a semana passada, as estimativas eram pela manutenção da Selic em 6,50% até novembro de 2020. Nesta segunda, algumas instituições chegam a projetar uma Selic de 4,75% no fim de 2019.

Os cortes adicionais da Selic contrariam o cenário que era projetado pelas instituições financeiras e pelo próprio governo no fim de 2018. Isso porque havia a expectativa de que, com o aquecimento da economia no governo de Jair Bolsonaro, a inflação também subisse, o que exigiria juros mais elevados. Em quase seis meses de governo, porém, o que se viu foi uma queda nas projeções para o PIB este ano, na esteira das dificuldades do governo para aprovar a reforma da Previdência no Congresso. Contrastando com a projeção no Focus no início deste ano, que era de crescimento de 2,55% do PIB, agora, a estimativa é de 0,93%.

“A questão da atividade foi o que mais pesou nas revisões para a Selic no Focus”, avaliou o economista-chefe do Haitong Banco de Investimento do Brasil, Flávio Serrano. “Mas há um conjunto de fatores atuando para o corte da Selic. Houve uma mudança no cenário externo, no sentido de corte de juros nos EUA, e existe probabilidade maior de aprovação da reforma da Previdência”, disse.

De acordo com Serrano, a aprovação da reforma será positiva para a reativação da atividade, mas ainda assim o BC será levado a promover novos cortes da Selic, porque a ociosidade na economia é grande. Para ele, o mais provável é que a Selic caia a partir de setembro.

Com a atividade econômica em marcha lenta e o desemprego em alta, empresários não encontram espaço para elevar preços. Para todo o ano de 2019, a projeção do IPCA no Focus de inflação caiu para 3,84%, abaixo da meta perseguida pelo BC para este ano, de 4,25%. (Com agências)


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