Odenir Campos abriu em Aparecida de Goiânia a primeira Empresa Simples de Crédito de Goiás

O micro e pequeno empresário brasileiro já podem contar com uma nova opção para obter dinheiro na praça de uma maneira mais simples e barata. Desde o último dia 24 de abril, quando foi publicada a lei que regulamenta o funcionamento da Empresa Simples de Crédito (ESC), o País já conta com 25 empresas do tipo e uma delas foi aberta em Aparecida de Goiânia.

O objetivo da ESC é ser uma alternativa de crédito para microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte, segmentos que hoje têm muita dificuldade de conseguir empréstimos na rede bancária, tanto pelas altas taxas cobradas quanto pelo alto nível de garantias exigidas.

Pelo projeto, as ESCs podem realizar operações de empréstimos, financiamentos e descontos de títulos. É uma opção que todos esperam que venha a baratear o crédito ao tomador, alternativa tanto para quem pede quanto a quem empresta. É o caso de Odenir Campos, contador que abriu há menos de um mês a Exímio Empresa Simples de Crédito.

“Estou sondando o mercado, basicamente atendendo a pedidos de clientes que já tenho na minha empresa de contabilidade, mas estou animado, acho que na virada do semestre, teremos uma reação do mercado que vai impulsionar o negócio”, disse Odenir Campos, ao afirmar que tem feito por ora apenas desconto de títulos e busca um sócio para ampliar a capacidade de oferta de crédito da recém-inaugurada Exímio.

Taxa menor
A lei da ESC determina que ela só pode atuar no município onde estiver instalada ou em cidades vizinhas. Com sede no setor Vila Brasília, em Aparecida de Goiânia, a Exímio pode atender a clientes da própria cidade, além de Goiânia, Senador Canedo, Hidrolândia e Nova Fátima. Com mais de 30 anos de experiência em assessoria contábil (e 20 anos à frente da empresa contábil de mesmo nome da Exímio), Odenir Campos viu na ESC uma oportunidade de negócio numa área que ele conhece bem.

“Eu sempre orientei clientes na tomada de empréstimos e via a dificuldade que o pequeno empresário tem de conseguir dinheiro em bancos. Então, quando surgiu a ideia da ESC, eu acompanhei de perto e resolvi apostar no negócio”, conta sem revelar o valor do capital investido na abertura da pequena empresa. A empresa contábil de Odenir Campos tem sua clientela formada por microempresas (90%) e microempreendedores individuais (10%).

Sem detalhar percentuais, Odenir Campos diz que vai trabalhar na Exímio com uma taxa “muito menor” do que a dos bancos e lançar mão de garantias fiduciárias (bens móveis e imóveis) para viabilizar as transações. Nesse sentido, há um bom caminho para as ESCs trilharem, já que o Sebrae também aponta que 30% das MPEs não têm qualquer relação com bancos como pessoa jurídica. E esse percentual vai a 55% entre Microempreendedores Individuais (MEIs).

Duas premissas embasam e animam os entusiastas da ESC: o custo e a burocracia para o pequeno empresário que vai à rede bancária tentar um empréstimo. Estudo recente do Sebrae ouviu 3 mil micros e pequenas empresas e mostrou que 20% delas já tiveram o pedido de empréstimo negado pelos bancos. Destas, 21% apontaram que a recusa se deu por falta de linhas específicas dos bancos ao segmento. Em dois anos, 1 mil empresas desse tipo devem injetar R$ 20 bilhões na economia, prevê o Sebrae.

Regras
Conforme a lei, a ESC deve se organizar como empresa individual de responsabilidade limitada, empresário individual ou sociedade limitada entre pessoas físicas. Uma mesma pessoa não pode participar de mais de uma ESC, mesmo em municípios diferentes. Embora desempenhe atividades típicas do sistema financeiro, a Empresa Simples de Crédito não pode se identificar como um banco. O valor de todos os empréstimos, financiamentos e descontos de títulos concedidos pela ESC não pode superar seu capital declarado.

A receita bruta anual da ESC fica limitada a R$ 4,8 milhões e a remuneração deve vir exclusivamente da cobrança de juros. É proibido o pagamento de tarifas ou qualquer outro tipo de encargo. A ESC também é impedida de emprestar dinheiro a entidades governamentais e não pode recorrer a bancos para se financiar, em que pese todas as suas operações devam ser feitas via contas bancárias e registradas em entidades autorizadas pelo Banco Central ou pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Essas operações também estão sujeitas à fiscalização do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).


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