A China é um dos principais parceiros de Goiás. Mas, esta relação comercial pode melhorar ainda mais, principalmente nas áreas de alimentos prontos e de infraestrutura. A opinião é do administrador Edival Lourenço Jr., formado pela PUC Goiás e Sênior Business Development Manager para a América Latina da China Railway Rolling Sock Corporatino, considerada a maior empresa ferroviária do mundo. Ele é um dos palestrantes do seminário “China e Inovação: o que você precisa saber?”, que será realizado hoje, em São Paulo.

“Imagine se 1% da população chinesa tomar uma boa cachaça, um bom mel ou comer um bom chocolate goiano”, provoca Edival Jr. ao falar ao EMPREENDER EM GOIÁS, lembrando que a economia chinesa está migrando do modelo industrial-exportador para um modelo voltado para o consumo interno. Ou seja, os chineses querem alimento já pronto. Mas também estão interessados em investir em polos logísticos, principalmente para escoamento da safra.

Quais os segmentos de negócios mais promissores na China para os empresários brasileiros? E para os goianos?
Alimentos. Primeiro porque o Brasil, em especial Goiás, já tem uma vocação natural para produção de alimentos. Segundo, a economia da China está migrando do modelo industrial-exportador para um modelo voltado para o consumo interno. Falo aqui do alimento já pronto, embalado e com uma boa estratégia de marketing e distribuição. Não somente a matéria-prima. Imagine se 1% da população chinesa tomar uma boa cachaça, um bom mel, comer um bom chocolate goiano.

Quais barreiras ainda impedem a relação comercial plena entre o Brasil e a China?
Existe uma natural barreira geográfica, linguística e cultural. Mas destaco que a China já é, desde 2009, o maior parceiro comercial do Brasil e com grande potencial de seguir sendo. Existe uma complementariedade gigantesca entre os dois países. Lembrando que essa relação tem a balança comercial extremamente favorável ao Brasil.

Edivaldo Lourenço Júnior, administrador de empresas

Ainda existe um imaginário popular do produto chinês ser de baixa qualidade e não original, isto é real? O que se está fazendo para reverter isto?
Entendo que seja um processo normal, que inclusive já aconteceu com outros países no passado. Na década de 70, o Japão também era reconhecido por “bugigangas” e hoje é referência em tecnologia. A China se beneficiou da mão de obra barata por muitos anos, porém o tempo passou, investimentos pesados em educação e qualificação aconteceram. Hoje, a China já é referência em várias tecnologias. Exemplos: ferroviário com os trem-balas, maquinário pesado, energia solar e em especial o know-how em infraestrutura. A China já registra mais patente de invenção por ano do que o próprio Estados Unidos.

Até onde decisões recentes de taxação de produtos chineses pelos EUA podem afetar o comércio com o Brasil?
Primeiramente, é importante citar que a China é muito “habilidosa” em lidar com conflitos, principalmente os comerciais. Os últimos anos têm mostrado que a cultura comercial e expansionista dos chineses tem logrado êxito. Existe uma grande chance da China retaliar importação de produtos americanos como: carne, frutas e soja. Neste cenário, essa “guerra” chega a ser boa para o Brasil. O Trump fecha uma porta de um lado e o Xi abre duas janelas do outro.

Com sua vocação produtora, Goiás é um Estado de grande interesse dos chineses.

Os problemas brasileiros de infraestrutura (estradas, distribuição, Correios) são impeditivos graves ao desenvolvimento do comércio a custos competitivos. No que isto afeta a possibilidade de ampliação da relação comercial com a China?
O know-how de infraestrutura da China merece total destaque. Qualquer estrangeiro que vai à China atualmente fica boquiaberto com os aeroportos, portos, estradas e ferrovias, principalmente a rede de trem-bala. A China tem um grande apetite para investimentos nesse setor. Entendo que essa pauta vai dominar ainda mais a agenda de investimento chinês no Brasil.

Goiás tem chances de receber investimentos chineses em infraestrutura? Em que setores?
Com certeza. Com sua vocação produtora, Goiás é um Estado de grande interesse dos chineses. Um dos desafios da China é manter a estabilidade no fornecimento de alimentos. Goiás tem muito a contribuir nesse sentido. Destaco a conclusão e operação da Ferrovia Norte Sul e investimentos em outros polos logísticos, principalmente para escoamento da safra.

Diante da crise que o Brasil vem enfrentando, o que teríamos de lição a pôr em prática imediatamente que poderíamos aprender com a China?
Combate à corrupção com penas mais severas e planejamento de longo prazo com metas claras a serem cumpridas no curto prazo.


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