Roberto Lunardelli: investimento de R$ 7 milhões para produzir orgânicos de qualidade

Produção muito associada à irregularidade, os produtos orgânicos, especialmente hortaliças e frutas, ainda sofrem de inconsistência e baixa qualidade no mercado brasileiro. A goiana Fazenda da Mata, no entanto, já começou um negócio que pode mudar essa percepção, garantindo escala e qualidade certificada de verduras, legumes e frutas.

Localizada nos arredores de Goiânia, entre as cidades de Nerópolis e Terezópolis, a Fazenda da Mata está levando aos principais supermercados e empórios da Região Metropolitana da capital as primeiras produções de hortaliças e legumes orgânicos com marca própria. São 27 itens em 3 mil unidades diárias sendo produzidos nos primeiros 15 hectares, de uma área que chegará em breve a 200 hectares, incluindo frutas orgânicas tipo exportação.

A área total tem 400 hectares, originários de uma fazenda maior que fora desmembrada, de 3 mil hectares, em cujas terras está também o condomínio de chácaras Santa Branca. Serão investidos R$ 7 milhões no projeto que conta com participação (de 34%) da construtora Tropical.

O empresário Roberto Lunardelli afirma ao EMPREENDER EM GOIÁS que o projeto foi planejado em três etapas. A primeira, já em andamento, consistiu no preparo do solo e início da produção nos canteiros da fazenda, antes dedicada somente à criação de gado. A segunda etapa, em início de preparo, consiste em ampliar a área da primeira etapa para 40 hectares com produção de hortaliças e as primeiras produções de frutas para o mercado nacional. E a terceira etapa, em 2019, será dedicada à exportação de frutas desidratadas para Europa e Estados Unidos.

“Nosso planejamento já previa esse sucesso que estamos tendo, mas confesso que estamos surpresos com a rapidez dessa boa aceitação. Já estou tendo de dizer não a muitos varejistas que nos procura, até que nossa próxima etapa de produção esteja em pleno funcionamento”, diz Lunardelli.

Produção
Dentre as verduras produzidas no local estão diversas folhagens (três tipos de alface, couve, espinafre, agrião, salsa, cebola), tubérculos (batata doce, mandioca, beterraba, cenoura), legumes (abobrinha, berinjela, tomate etc), milho e vagem. As primeiras colheitas de frutas serão de abacate, abacaxi, mamão, manga, maracujá, morango, uva e banana. As mudas vêm de um fornecedor de Brasília. A certificação é da OIA/Agricontrol, com selo também da Orgânico Brasil.

Lunardelli vem de larga experiência como executivo de grandes traders de comércio internacional em São Paulo, que trocou por Goiânia com a família para iniciar o projeto há apenas um ano e meio. O estudo de mercado e o planejamento da Fazenda da Mata começaram no início de 2017, com o plantio, colheita e venda das primeiras produções sendo concluídas no último trimestre do ano.

“No início não foi difícil perceber a vocação daqui para os orgânicos. Estamos numa área coberta em mais de 60% por matas originárias e nascentes. Nosso plano foi só aliar essa riqueza natural a uma produção sustentável que tem demanda crescente no Brasil e no mundo”, explica Roberto Lunardelli detalhando alguns números desse mercado. O consumo de produtos orgânicos cresce nos Estados Unidos e Europa a uma taxa média de 20% a 25% por ano. No Brasil, esse índice é ainda maior: 30% a 35% anuais.

Profissionais
Para botar a mão na terra, além de um detalhado estudo de mercado, Lunardelli requisitou profissionais e consultores experimentados no setor de Goiás e outros Estados, incluindo o ex-presidente da ADAO (Associação para o Desenvolvimento da Agricultura Orgânica) em Goiás, o engenheiro agrônomo Ricardo Máximo Filho. A empresa tem 40 funcionários diretos, entre produção, embalagem e entrega.

A proposta está embasa num conceito ampliado de sustentabilidade, que vai além de não usar agrotóxicos na produção. “Reproduzimos aqui as melhores práticas de produção orgânica, com respeito ao meio ambiente e convivência com os seres vivos que habitam essas terras. Formiga para nós não é praga”, diz o empresário ao falar do tratamento do solo, rotação de culturas, uso de compostos verdes, barreira natural ao vento e técnicas que levam a uma convivência harmoniosa entre plantas e bichos.


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