O investimento na tecnologia aplicada ao manejo colocou a pecuária goiana em lugar de destaque no cenário do agronegócio no Brasil. Fora da porteira, como aponta o diretor executivo do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag), Edson Novaes, o pecuarista aposta na gestão e em novas formas de comercialização do seu rebanho. “Antes, gastava-se cinco anos para produzir um boi. Hoje, leva-se menos de 18 meses, dependendo da tecnologia utilizada”, comparou ele, em entrevista ao EMPREENDER EM GOIÁS nesta terça-feira, 6, antes do lançamento da 3ª Exposição de novas tecnologias voltadas ao desenvolvimento da pecuária (Expopec).

A feira ocorre de 22 a 25 de março, em Porangatu, no Norte do Estado, e é realizada pelo Ifag, Faeg, Sebrae Goiás e Sindicato Rural (SR) de Porangatu. A localização é estratégica. Junto com o Sul do Tocantins, a região abriga mais de 13 milhões de cabeças de gado. A ideia é levar até esses produtores inovações que possam ajudá-lo a diminuir custos e a otimizar recursos.

Segundo Edson Novaes, o pecuarista olha a propriedade como uma empresa ruralNa avaliação de Novaes, do Ifag, o investimento cada vez maior em tecnologia dentro da porteira e em novas formas de comercialização fora dela explicam esses resultados. “Há 25 anos, tínhamos uma forma de produzir carne: totalmente extensiva [gados criados a pasto], grandes áreas e baixa tecnologia, produtores com menos de um animal por hectare. Hoje, com a agricultura de precisão, ele consegue colocar seis até 12 cabeças por hectare”, compara, destacando o papel das melhorias em genética, alimentação e mão de obra.

Em 2017, pecuária de corte foi responsável por quase 28% do Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária em Goiás: R$ 10 bilhões

 

Hoje, o Estado tem o terceiro maior rebanho bovino do País, com quase 23 milhões animais no plantel, e ocupa o sexto lugar no ranking de suínos, com aproximadamente 2 milhões de animais, de acordo com do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A pecuária de corte foi responsável por quase 28% do Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária em Goiás no ano passado: abocanhou R$ 10 bilhões de um total de R$ 36 bilhões.

Em outra ponta, cita Novaes, o pecuarista tem se preocupado cada vez mais com a gestão do negócio. “Ele olha a propriedade como uma empresa rural”, ressalta, citando novas formas de comercialização dos animais. “A gente vê produtores fechando operações de mercado futuro, travamento em dólar para que possa se precaver em relação a queda de preço. Isso avançou por causa do maior conhecimento que o produtor tem sobre a atividade”, avalia.

O desafio atual, na análise do diretor executivo do Ifag, é ampliar o acesso à assistência técnica rural. “Temos uma pecuária de vanguarda em Goiás, mas precisamos incluir produtores que ainda não têm acesso à tecnologia”, pondera.

Wanderson Portugal, diretor técnico do Sebrae Goiás: “A sucessão familiar é um dos principais objetivos do nosso trabalho”


Sucessão rural

Além da tecnologia, a sucessão rural é outra preocupação para a agropecuária. Segundo o diretor técnico do Sebrae Goiás, Wanderson Portugal, é necessário mostrar às novas gerações que é possível ser inovador e produtivo no campo, sem abrir mão de ferramentas que fazem parte do dia a dia, como a internet. “A sucessão familiar é um dos principais objetivos do nosso trabalho”, diz.

Ele ressalta que a Expopec busca levar ao produtor tecnologias aplicáveis em sua atividade. “O evento faz com que ressurja esse empreendedorismo no pecuarista. Escolhemos trabalhar com esse novo modelo de feira de negócios. Queremos apresentar o que de melhor existe em tecnologia não só na teoria, mas na prática, trazendo pessoas de renome e com experiência”, ressalta.

Negócios

Em quatro dias de programação, a Expopec deve receber mais de 20 mil pessoas, segundo a organização, que espera superar o volume de negócios fechados na edição do ano passado. Em 2017, a feira registrou uma movimentação de R$ 30 milhões. Nesta edição, a novidade é o espaço destinado às aves. “Acredito que vamos chegar aos R$ 60 milhões”, adianta o presidente do Sindicato Rural de Porangatu, Carlos José Garcia.


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