A divulgação de operações da Polícia Federal como a Carne é Fraca e a Lava Jato mostram como a corrupção está entranhada nos governos e empresas públicas ou de capital misto – antes motivo de orgulho nacional. Do outro lado estão grandes empresas privadas que estiveram envolvidas nesses escândalos e que receberam favores em forma de contratos, isenção fiscal ou financiamentos em instituições financeiras ligadas à União.

Diante dos escândalos envolvendo políticos e empresários, a percepção negativa que parcela da população tem sobre o empresariado está aumentando. Como se todos fosse corruptos e se aproveitassem das fragilidades da nossa incipiente democracia. É sempre bom lembrar que em todos os segmentos existem os bons e os maus elementos e que nem todo o empresário é como aquele que está no noticiário participando de ilícitos.

A grande maioria acorda cedo, arrisca-se para se manter no mercado. O que não é nada fácil considerando que a taxa de sobrevivência para empresas de até dois anos era de 76,6% em 2012, segundo dados do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) divulgados em 2016. O que significa que 23,4% dos empreendimentos não conseguem sobreviver por mais de dois anos. Ainda assim é possível dizer que houve melhora, pois em 2008, a mortalidade era de 45,8% nos primeiros dois anos. As microempresas são as mais vulneráveis pois ainda têm as menores taxas de sobrevivência (55%).

O desempenho do empresário brasileiro tem nos mostrado é que possível avançar e crescer em qualquer cenário. Mesmo quando as dificuldades estão por todos os lados como a burocracia na hora de tomar crédito, a elevada carga tributária, as inúmeras leis que compõem a legislação empresarial e o desafio constante de fidelizar o cliente. A volatilidade da economia é tamanha, que o Produto Interno Bruto (PIB) anual entre 2008 e 2014 sofreu oscilações de 5,1% a 0,1% ao ano.

O agravamento das crises políticas, econômica e do desemprego contribuiu para lançar ainda mais brasileiros no mundo do empreendedorismo por necessidade, quando não há emprego ou falta opção para ganhar a vida. Bem diferente do empreendedorismo por oportunidade, quando planeja-se cada etapa do negócio em que vai atuar.

É preciso reforçar o discurso em defesa da imagem do empresário antes que ela se torne ainda mais negativa. Afinal não é de hoje que as micro e pequenas empresas são as maiores empregadoras da nação. Elas geraram 60% a mais de postos de trabalho do que as médias e grandes no ano passado. O empresário brasileiro é ao mesmo tempo herói (o que salva) e mocinho (o que precisa ser salvo) dessa história, não o vilão.


Deixe seu comentário