BC aumenta os juros e diz que pode não ser a última alta

BC aumenta os juros e diz que pode não ser a última alta

3 de agosto de 2022

Fieg critica novo aumento dos juros: “A atual política adotada pelo Banco Central inibe a atividade econômica no País”, diz Mabel

O Banco Central confirmou as expectativas do mercado financeiro e elevou nesta quarta-feira (3/8) a taxa Selic em 0,5 ponto percentual, que agora chega a 13,75% ao ano, o maior patamar desde janeiro de 2017. É o décimo segundo aumento consecutivo que o Comitê de Política Monetária (Copom) realiza para conter a inflação no Brasil.

Entretanto, havia uma expectativa do mercado que o BC sinalizasse para a interrupção da alta dos juros básicos no Brasil. Mas, em comunicado, o Copom disse que vai avaliar a necessidade de um “ajuste residual, de menor magnitude, em sua próxima reunião”. Ou seja: a Selic pode chegar a 14% ao ano em setembro.

Desde o primeiro movimento de alta, em março de 2021, a taxa já subiu 11,75 pontos porcentuais. É o maior choque de juros na economia brasileira desde 1999, quando, durante a crise cambial, o BC elevou a Selic em 20 pontos porcentuais de uma vez só.

“O Comitê entende que essa decisão reflete a incerteza ao redor de seus cenários e um balanço de riscos com variância ainda maior do que a usual para a inflação prospectiva, e é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante, que inclui o ano de 2023 e, em grau menor, o de 2024. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, destacou o Copom em comunicado.

Reação na indústria

A Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) avalia negativamente a decisão desta quarta-feira do Copom, que impacta diretamente nos custos acessórios do setor produtivo, com desdobramento na queda de produção, emprego e consumo. “A atual política adotada pelo Banco Central inibe a atividade econômica no País e dificulta a recuperação da indústria e a geração de empregos em diversos setores de nossa economia”, afirma o presidente da entidade, Sandro Mabel.

Para ele, a alta taxa de juros impede o acesso ao crédito pelo setor produtivo não só para regularização de dívidas, mas principalmente para novos investimentos. “Precisamos de crédito, não de elevação dos juros! É isso que vai proporcionar novos investimentos no setor para sermos mais competitivos e avançarmos economicamente”, frisa.

De acordo com a área técnica da Fieg, apesar da política fiscal expansionista do governo federal e das incertezas na condução econômica em 2023, dados da Sondagem Industrial Nacional assinalam que as menções sobre dificuldades de acesso à insumos têm caído, ao mesmo tempo que sobe a preocupação com a alta das taxas de juros.

Saiba mais: Preocupação com juros é a maior desde 2016

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