Ano para acertos de contas

Ano para acertos de contas

12 de janeiro de 2022

Paulo Borges Campos Jr.

Iniciamos o ano de 2022 no Brasil em um ambiente de profundas incertezas e medos do que vem pela frente. A queda do PIB, o aumento da inflação, a constante piora das contas públicas, o desemprego, a desvalorização do real frente ao dólar, tudo isso com o agravamento da pandemia do COVID-19 e com a fome. As eleições gerais para o Executivo federal e estadual, a renovação de boa parte do Congresso Nacional e das Assembleias Legislativas fecham o quadro de inseguranças no país. 

Considerando o período republicano brasileiro, com mais de 130 anos, vivemos períodos de profundas crises de natureza econômica, social e política, com poucos soluços de estabilidade e desenvolvimento.  Somos realmente um povo resiliente frente a tamanhas adversidades que enfrentamos. Nós somos otimistas por natureza. Alguns acreditam até que Deus é brasileiro. Pode ser!

Com todas as adversidades previstas para este ano, teremos imensos desafios a serem transpostos a fim de que possamos caminhar na direção da estabilidade no país. Fé e trabalho não podem nos faltar, sob pena de perdemos as condições para que a democracia e a liberdade continuem habitando entre nós. Precisamos retomar as condições para que valores éticos e morais guiem a vida dos brasileiros, particularmente dos membros do Judiciário, do Legislativo e do Executivo. 

As constantes notícias de corrupção, impunidade e do mau uso do dinheiro público, por parte de todos os poderes da Repúblicas, nos causam repulsa e indignação e, caso não fossemos um povo resiliente, isso criaria em nós a sensação de que o Brasil não tem jeito!

Dentre os inúmeros desafios a serem superados em 2022, gostaria de destacar a enorme irresponsabilidade fiscal que se tem feito presente, em boa parte dos gestores públicos em todas esferas e níveis de poder. Saúde, educação e segurança são alguns exemplos de áreas prioritárias, as quais tem seus recursos prejudicados, por ações deletérias e irresponsáveis desses gestores.

Salários abusivos, benefícios variados e aposentadorias milionárias são um verdadeiro insulto à maioria esmagadora da população. A profunda crise que vivemos há quase dois anos, sem perspectiva de solução de curto prazo, não tem sensibilizado essa classe, pouco produtiva e minoritária, a abrir mão de seus chamados “direitos adquiridos”, em favor do país. Para esses, “farinha pouca, meu pirão primeiro” Muito triste.

O pleno funcionamento da economia neste ano depende muito do sucesso da empresa aqui instalada, pois é ela que desenvolve a nação, gerando emprego e renda. O histórico peso do Estado brasileiro tem ao longo dos anos atrasado o país, pois os seus custos são absurdos e crescentes, sujeitando o empresário brasileiro a uma carga tributária elevada e desproporcional aos benefícios recebidos por ele e pela sociedade. A chamada Lei de Responsabilidade Fiscal, promulgada em 4 de maio de 2.000, estabeleceu normas para as finanças públicas, voltadas para a responsabilidade fiscal. Ela foi um grande avanço para o Brasil, mas, infelizmente, ela “pouco pegou”.

Neste ano, teremos a oportunidade de um “acerto de contas” com a classe política, pois acontecerão eleições no Brasil. Em um país onde boa parte dos políticos não tem currículo, mas sim uma extensa ficha criminal, basta ver os resultados da chamada operação Lava-Jato. É necessário extremo zelo nas escolhas de nossos candidatos. Fujam de lobos na pele de cordeiros. Serão eles os responsáveis pelos rumos do nosso país e do nosso estado. O futuro das nossas empresas e da população em geral dependerá desses eleitos. Que assim seja!

Paulo Borges Campos Jr.
Economista, doutor pela UFG e consultor sênior da Tarumã Consultoria. pauloborges.consultoria@gmail.com

Economista, doutor pela UFG e consultor sênior da Tarumã Consultoria.

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