O dragão da inflação está de volta

O dragão da inflação está de volta

13 de outubro de 2021

Há mais de 27 anos,  o Plano Real colocava fim a um período trágico da economia brasileira, marcado pela hiperinflação. Nos anos seguintes à edição desse plano, a economia conviveu com momentos de desequilíbrio, entre oferta e demanda, mas em nenhum momento se perdeu o controle e vislumbrou a volta da inflação.

Na base do Plano Real, existe um tripé, que se levado à risca, impede uma aceleração inflacionária. Em destaque: metas de inflação, taxas de câmbio flutuantes e equilíbrio fiscal. No governo atual, as metas de inflação e fiscais não vêm sendo respeitadas, permitindo a aceleração dos preços. No mês de setembro, o IPCA, o índice oficial que mede a inflação, atingiu 1,16% e, no acumulado dos últimos 12 meses, chegou a 10,25%, uma situação preocupante, uma vez que restam ainda três meses, para encerrar o ano.

De janeiro a setembro, os violões do aumento dos preços foram os mesmos: alta constante dos derivados do petróleo, flutuação do dólar frente ao real, falta de insumos e as crises hídrica e energética. As causas mencionadas acima, levaram a uma inflação de custos e não de demanda, o que só ocorre com o aumento do consumo.
No entanto, a equipe econômica do governo, liderada pelo ministro Paulo Guedes, na contra mão tomou medidas para conter a inflação de demanda e não de custos, aumentando a taxa Selic em mais de 100%, passando (3% para 6,25%).

Diante disso, além de não ceder, a inflação continua aumentando, haja vista que um dos pilares do Plano Real, o cumprimento das metas fiscais, não vem sendo respeitado. Com isso, o dólar tem flutuado para cima frente ao real, encarecendo os componentes importados, necessários à produção e aumentando os custos operacionais. O reflexo desse movimento tem recaído sobre o aumento dos preços no varejo, alimentando o dragão da inflação.

É preciso corrigir os rumos, caso contrário a inflação não irá ceder, com prejuízos principalmente para os que ganham menos, a maioria da população.

Júlio Paschoal
Economista e Professor da UEG – GO

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