Fórum aponta os caminhos para o futuro da indústria em Goiás

Fórum aponta os caminhos para o futuro da indústria em Goiás

23 de setembro de 2021

Jefferson Gomes, superintendente de inovação e tecnologia do Senai nacional, ministra palestra sobre Indústria 4.0

Os caminhos para o futuro da indústria em Goiás e no mundo, além da necessidade de o Brasil investir em pesquisa, educação e na indústria, que é o propulsor da economia do País, foram os principais temas debatidos nesta quarta-feira (22) durante o 1º Fórum Goiano da Indústria do Futuro, dentro das comemorações dos 70 anos da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) e dos 50 anos do IEL Goiás, que promoveram o evento em parceria com o Sebrae Goiás, transmitido do Observatório FIEG Iris Rezende.

“A indústria é o setor mais dinâmico da economia nacional, que cria mais empregos, paga melhores salários do que os demais, tem forte poder de gerar crescimento e promove mais desenvolvimento tecnológico. Só temos um caminho: o do crescimento”, declarou o presidente da FIEG, Sandro Mabel, ao alertar para o processo de desindustrialização pelo qual o Brasil vem passando.

“Estamos diante de um prognóstico assustador, diante da ausência de uma política industrial de longo prazo, que tem levado o Brasil a um agressivo processo de desindustrialização, por falta de se pensar a indústria, por falta de investimentos em pesquisas e inovação”, salientou Sandro Mabel, citando o Índice Global de Inovação (IGI), divulgado na segunda-feira, no qual o Brasil ocupa a 57ª posição, num ranking de 132 países, dez posições abaixo da posição que o País ocupava em 2011. “Basta! é chegada a hora de reagir, de buscar novos caminhos, alternativas para fazer valer a nossa força”, frisou.

“Precisamos falar daquilo que nos move, que movimenta nosso Estado e nosso País economicamente. Precisamos falar da nossa indústria e da forma que estamos nos preparando para receber esse futuro. A cada dia, precisamos falar mais e mais sobre Indústria 4.0, Transformação Digital, Inovação e Inteligência Artificial. É este o caminho que o mundo está seguindo e, inevitavelmente, chegaremos lá”, disse o superintendente do IEL Goiás, Humberto Oliveira.

André Rocha, vice-presidente da FIEG, fala durante o Fórum, ao lado de Humberto Oliveira, superintendente do IEL Goiás

Painéis
Ao abordar o tema Indústria 4.0, no primeiro painel, o superintendente nacional de tecnologia e inovação do Senai, Jefferson Gomes, fez questão de ressaltar que inovar não se trata apenas de investimentos em tecnologia, mas da mudança de conceitos e cultura dentro da empresa, sempre valorizando o fator humano. A Indústria 4.0, ressaltou, engloba um amplo sistema de tecnologias avançadas como inteligência artificial, robótica, internet das coisas e computação em nuvem que estão mudando as formas de produção e os modelos de negócios no Brasil e no mundo.

“A Transformação Digital é inadiável. Não é uma escolha, mas questão de sobrevivência das empresas. Aqueles que não fizerem sua transformação digital vão desaparecer em um futuro próximo”, alertou Francisco Saboya, superintendente do Sebrae (PE) e economista e mestre em Engenharia de Produção da UFPE, ao falar sobre o tema no segundo painel.

Um dos participantes da mesa redonda, o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI),  Igor Calvet, apresentou o resultado de uma pesquisa da ABDI sobre maturidade digital das MPEs brasileiras. Segundo ele, em quatro níveis pré-definidos na pesquisa com 2.527 MPEs, 66% ficaram entre os níveis 1 e 2 em maturidade digital, o que mostra a urgência da transformação digital nas micro e pequenas empresas brasileiras – os níveis foram divididos em 1 (analógico), 2 (emergente), 3 (intermediário),

Inteligência artificial
No terceiro painel, ao falar sobre Inteligência Artificial na Indústria,  o diretor da área de Ciências Humanas do Centro de Inteligência Artificial da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador-geral do Observatório de Inovação e Competitividade do Instituto de Estudos Avançados da USP, Glauco Arbix, destacou que o digital é o motor das mudanças que o mundo vive e é alavancado pela Inteligência Artifical (IA), que é uma tecnologia de propósito geral, pois está presente em todos os setores.

Para ele, o Brasil está cada vez mais dependente do agronegócio e do extrativismo mineral e alerta para a necessidade de tornar a indústria mais digital e competitiva. “Podemos elevar o patamar da indústria por meio da IA, que impacta nos processos, manufatura, fabricação, gestão, segurança, design, cadeia de fornecimento e qualificação. Para avançar, as empresas não precisam só de tecnologia, mas muito de profissionais qualificados, visão e liderança”, diagnosticou.

Inovação
Ao abordar o tema Panorama da Inovação para a Indústria, a gerente executiva de inovação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Cândida Oliveira, lembrou que o Brasil ganhou cinco posições no ranking 2021 do Índice Global de Inovação (IGI) em comparação com o resultado de 2020 e agora está no 57º lugar entre 132 países.

“Porém, esse desempenho é muito baixo e incompatível com nossa economia, sobretudo levando-se em consideração que em 2011, o País estava em 47º lugar”, avaliou Cândida, que expôs os esforços da CNI em incentivar a inovação e o crescimento das empresas brasileiras no sentido de também buscar, junto ao Estado, políticas públicas que possam também promover pesquisa, educação e investimento nessa área.

(Fotos: Alex Malheiros)

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