Material de construção: preços caem na indústria, mas sobem no varejo

Material de construção: preços caem na indústria, mas sobem no varejo

26 de agosto de 2021

Após um ano de forte aumento, o Custo Unitário Básico da Construção Civil de Goiás (CUB) dá sinais que pode entrar num ciclo de acomodação. A variação, em julho, foi de 0,55%, diante de 1,29% em junho, segundo levantamento do Sindicato da Indústria da Construção de Goiás (Sinduscon-GO). De acordo com o presidente da entidade, Cezar Mortari, há sinais de estabilização do indicador, ainda que “em patamar extremamente alto”.

Com a desaceleração em julho, o acumulado de 12 meses diminuiu pela primeira vez no ano: de 19,9% em junho, para os atuais 19,7%. “É a primeira vez desde de junho do ano passado, quando o setor retomou as atividades após fechar por causa da pandemia, que o indicador para de subir”, explica Mortari.

O presidente do Sinduscon-GO explica que um dos maiores vilões do aumento de preços no último ano, o aço, é também o responsável pela atual desaceleração. Em um ano, o produto subiu cerca de 150%, em média. Em julho, diz Mortari, não sofreu reajuste. “Isso foi fundamental para a estabilização dos preços”, diz. Ele reforça, ainda, que a tendência foi observada em praticamente todo tipo de material.

De acordo com Mortari, o cenário atual reflete a oferta de material, que se aproxima da normalidade. “Foi o desabastecimento que jogou os preços na lua”, diz. Para setembro, pode haver algum recrudescimento no CUB. Isso porque, conforme o presidente do Sinduscon, há previsão de reajuste de 8% a 10% no cimento. Isso, porém, deve ser circunstancial. “Os preços vão se estabilizar e o mercado vai se normalizar se abastecendo”, afirma.

O que pode mudar esse cenário, contudo, é a instabilidade política. “Se a política continuar tensa, não há tanto problema. O que preocupa é alguma quebra institucional”, alerta.

Varejo
Se a indústria da construção respira ares de estabilização dos preços, no varejo ainda não há essa percepção. Proprietário da Premier Ferragista, que trabalha com material básico de construção, Felipe Durante diz que o setor ainda está em momento de valores altos. Um dos problemas é o aumento dos preços dos combustíveis. “O varejo sofre bastante, porque o transporte dos materiais de construção no Brasil é feita pelo transporte terrestre. Para nós, os aumentos são quase semanais”, queixa-se.

Nas lojas, segundo Felipe Durante, os produtos cujos preços estão mais salgados são as ferragens, maquinário elétrico e arames, além das tintas, que têm embalagem de metal. “Esperamos que essa estabilidade da indústria chegue a nós em breve” diz.

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