Construir já ficou mais caro neste ano do que em 2020 inteiro

Construir já ficou mais caro neste ano do que em 2020 inteiro

14 de julho de 2021

Nos últimos 12 meses, o preço do aço chegou a subir 150% em Goiás, conforme o Sinduscon

O sonho do imóvel próprio ou de fazer aquela bela reforma em casa se transformou num pesadelo para o consumidor goiano. Em seis meses de 2021, o Custo Unitário Básico (CUB) da construção civil já acumula um aumento maior que todo o ano passado. O levantamento é do Sindicato da Indústria da Construção de Goiás (Sinduscon-GO), que apurou uma elevação de 10,9% no índice entre janeiro e junho. Em 2020 inteiro, a alta foi de 8,2%. De acordo com o presidente da entidade, Cezar Mortari, a tendência é de que os preços sigam em alta até o final do ano, especialmente para o consumidor final.


Mortari explica que a indústria da construção consegue absorver parte dos reajustes da indústria de base, mas que, ainda assim, a tendência é que o consumidor sinta o impacto na hora de comprar um imóvel, seja novo ou usado. De acordo com ele, isso ocorre por causa do efeito cascata. “Quando o imóvel novo fica mais caro, o consumidor começa a procurar um usado, mantendo a tendência de alta”, diz.


Com a aceleração dos preços em 2021, o valor de referência do CUB em Goiás atingiu R$ 2.002,09 – em dezembro do no passado, o indicador havia fechado em R$ 1.804,63. De acordo com Mortari, esse movimento teve início entre junho e julho de 2020, quando as atividades econômicas tiveram a primeira flexibilização após a quarentena mais dura de março devido à pandemia de Covid-19. Mas ele se intensificou no segundo semestre. Assim, nos últimos 12 meses, o valor do CUB subiu 19,9%, passando de R$ 1.668,70 em junho de 2020 para os atuais R$ 2.002,09.

Vilão da construção
O maior vilão do CUB é o aço. Com o reaquecimento do mercado nos últimos 12 meses, o produto chegou a ter reajustes na ordem de 150% no período. A atividade acelerada no exterior também influenciou, pois não havia produto para importação – segundo o presidente do Sinduscon, 95% do aço consumido no Brasil tem produção interna. Para formar a tempestade perfeita do aumento de preço, o câmbio disparou.


Nos últimos meses, porém, a indústria da construção tem conseguido importar aço da Turquia, com valores cerca de 10% menores que o pago internamente, mesmo com as taxas que incidem no preço final. Outros materiais que têm tido forte elevação são os derivados de plástico e, em menor escala, o concreto.

Mesmo com essas elevações, Mortari acredita que o mercado imobiliário continuará aquecido até o fim do ano, com alguma dificuldade nas habitações do programa Casa Verde e Amarela, que substituiu o Minha Casa Minha Vida. Segundo ele, isso ocorre porque os juros básicos seguem baixos, sendo menos atrativos para o investidor de padrão intermediário ou alto. O Sinduscon estima que a valorização dos imóveis deve oscilar em torno de 20% em valores anualizados.


Varejo
O movimento que ocorre na indústria se repete no varejo. Ainda que, segundo a presidente do Sindicato do Comércio de Materiais de Construção de Goiás (Sindimaco), Irma Fernandes, ressalte que a alta nos preços esteja menos agressiva que no ano passado, ela ainda ocorre pontualmente. “Com a falta de produtos, entra a lei da oferta e da procura. Os preços subiram muito em todas as linhas de material de construção. Alguns mais, outros menos, mas todos subiram”, diz.


De acordo com o Sindimaco, os produtos que tiveram mais reajustes foram o grupo de ferragens, tubos e conexões, louça, tintas e pisos. Cimento, argamassa, areia e brita registraram altas mais moderadas. De acordo com tabela da entidade, o aumento médio este ano está na casa dos 38%, com o tijolo furado encabeçando a lista (47,5%). O cimento comum subiu, em média, 27,9%. “O repasse (ao consumidor) não é automático e nem no mesmo porcentual que vem da indústria, pois a maioria das lojas faz um preço médio de custo para amortizar os aumentos muito grandes”, afirma Irma.

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