Crise hídrica pode travar a recuperação da economia

Crise hídrica pode travar a recuperação da economia

31 de maio de 2021

O governo federal publicou nesta sexta-feira (28/5) um alerta de emergência hídrica para o período de junho a setembro em cinco Estados brasileiros: Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná. É o primeiro anúncio dessa natureza em 111 anos de serviços meteorológicos do País e a possibilidade havia sido antecipada pelo Estadão. Todos os estados atingidos estão na bacia do Rio Paraná, polo de produção agropecuária e de grandes hidrelétricas. Na região a situação é classificada como “severa” e a previsão é de pouco volume de chuvas para o período que vai até setembro.

Com sinais de uma crise hídrica, a recuperação econômica esperada no segundo semestre pode não ser alcançada. Pesquisador da UFRJ, Renato Queiroz diz que será “muito difícil” não haver racionamento de energia neste ano, colocando em risco o aumento de demanda dos setores produtivos. O governo Bolsonaro já estuda uma série de ações incluindo a restrição do uso de água para irrigação, o que já desagradou o setor agrícola e a bancada ruralista. Para representantes, a iniciativa vai afetar produtos como milho e teria impacto nos preços, pressionando ainda mais a inflação.

O governo também editou decreto que regulamenta a realização de leilões ainda este ano para compra de reserva de energia de termelétricas, que hoje não fazem parte do sistema de fornecimento de energia do país. Mas, o maior uso de termelétricas vai aumentar o custo da energia: durante o mês de junho, vai vigorar o patamar 2 da bandeira tarifária, o mais caro do sistema.

Por conta disso, economistas já estimam que com a energia mais alta, em 12 meses, o IPCA ultrapasse o nível de 8% e termine 2021 acima do teto da meta (5,25%). E se isso acontecer, a Taxa Selic (juros básicos) pode chegar a 5,5% no fim de 2021. A projeção é do economista André Perfeito para o jornal Estado de S.Paulo, após o índice de reajustes de aluguel acelerar e fechar o mês de maio com alta de 4,10% — em 12 meses, o avanço já chega a 37,04% em 12 meses, a maior taxa desde o Plano Real.

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One thought on “Crise hídrica pode travar a recuperação da economia”

  1. Avatar Antônio Carlos disse:

    A Crise de Energetica no Brasil , assim como várias outras atividades econômicas é fruto da insegurança de ter um país teoricamente capitalista mas com um regime na prática socialista.
    O Capital não aceita riscos no nível que o Brasil impõe ao setor produtivo, em todas cadeias produtivas que se precisa ter investimentos com retorno a longo prazo, o risco do Brasil imputado ao capital pelas alterações políticas de ideologias diametralmente opostas, simplesmente impede da iniciativa privada de investir neste setores.
    Estamos colhendo o que nós mesmos plantamos