Fieg: aumento dos juros ameaça novos investimentos

Fieg: aumento dos juros ameaça novos investimentos

6 de maio de 2021

Mabel: “É fundamental que se avance com as reformas”

Em meio ao aumento da inflação de alimentos, combustíveis e energia, o Banco Central (BC) subiu ontem (5/05) os juros básicos da economia em 0,75 ponto percentual pela segunda vez consecutiva. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic de 2,75% para 3,5% ao ano. A decisão era esperada pelos analistas financeiros. Os analistas das instituições financeiras estimam que a taxa subirá mais nos próximos meses, atingindo 5,5% no fim de 2021 e 6,25% no fim de 2022.

A Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) avaliou como negativa a decisão do Copom. Para a o presidente da entidade, Sandro Mabel, o aumento da taxa de juros prejudica ainda mais o setor produtivo, em um momento que as empresas precisam de acesso ao crédito com juros baixos para manter a operação e os empregos. “A pandemia impôs um cenário altamente desafiador para as empresas, que tiveram suas atividades suspensas por lockdowns e viram o consumo interno recuar por bens e serviços. Precisamos dar fôlego aos negócios!”, afirmou. Para Sandro Mabel, é fundamental que se avance com as reformas. “Precisamos aliviar a pressão inflacionária não com mais juros, mas contendo o déficit público, implementando as reformas que o País tanto precisa para recuperar o caminho do crescimento”, afirmou.

O Copom tirou importância da indicação de normalização parcial dos juros, mas sinalizou pressa para promover os ajustes. Nesse sentido, o Bank of America manteve inalterada a projeção de Selic em 5% no fim deste ano, mas ajustou suas estimativas em relação ao ritmo de normalização e passou a projetar mais duas elevações de 0,75 ponto percentual nas reuniões de junho e de agosto. Antes, o cenário contemplava uma redução no ritmo de aperto.

“Um dos fatores que dão apoio ao cenário do Copom está na inclusão da frase relacionada ao mandato do BC, de que a decisão também implica em uma suavização das flutuações do nível de atividade e fomento do pleno emprego. Isso indica que o Copom não quer fazer aumentos nos juros que ‘matem’ a economia, mas sim uma normalização que, neste momento, ele considera que seja parcial”, afirma o chefe de economia e estratégia do banco no Brasil, David Beker.

O profissional nota, ainda, que, nas projeções reveladas pelo Copom, a estimativa para o IPCA em 2022 está abaixo do centro da meta, em 3,4%. “Claro que o cenário pode mudar, mas, com as informações que temos hoje, aparentemente a Selic não precisa chegar nos 5,5% que estão no Focus”, afirma. Assim, Beker manteve inalterada não só a projeção de Selic em 5% neste ano, mas também a estimativa de 5,75% para o juro básico em 2022

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