Como Novo Mundo se tornou a maior rede varejista de Goiás

Como Novo Mundo se tornou a maior rede varejista de Goiás

12 de outubro de 2020

Quais são as chances de construir uma rede nacional varejista, enfrentando por seis décadas as mais variadas crises econômicas e mudanças políticas no País, a partir de uma lojinha de 80 metros quadrados no Centro de Goiânia? Sendo uma empresa familiar? No caso do grupo goiano Novo Mundo, hoje com mais de 140 lojas em dez Estados e responsável por quase 5 mil empregos diretos, aconteceu.

Em seis décadas o grupo foi de apenas uma pequena loja na Avenida Anhanguera para ser considerada hoje entre as dez maiores redes varejistas de móveis e eletrodomésticos do Brasil. Além de outras atividades empresariais como agropecuária, condomínios horizontais, shoppings e até hotel. Esta história, segundo o presidente do grupo Carlos Luciano Martins Ribeiro, foi construída com muito trabalho e com o que chama de “cultura do nós”.

“É uma história de muita luta e dificuldade, de empreender sem ter o capital necessário. Tivemos a determinação de ter um norte, um objetivo, nos cercamos de pessoas boas e tivemos essa cultura do nós. Meu pai sempre falou que a gente não faz nada sozinho, que sempre fizemos e ainda fazemos em conjunto”, conta Carlos Luciano, citando o pai Luziano Martins Ribeiro, que abriu a primeira lojinha do Novo Mundo em 1956.

Luziano Ribeiro primeiro montou um pequeno armazém e, depois, uma pequena marcenaria para produção de móveis. Mas rapidamente percebe que as oportunidades estavam em Goiânia, que na época tinha apenas 23 anos de fundação. “É daí que vem o nome. Novo Mundo tem no Hino Nacional, mas também era a forma que meu pai via Goiânia, uma cidade pequena com muitas oportunidades”, conta Carlos Luciano.

Primeira loja da Novo Mundo, aberta na Avenida Anhanguera, Centro de Goiânia

A primeira loja da Novo Mundo é inaugurada em abril de 1956 na Avenida Anhanguera, Centro, com apenas 80 metros quadrados. No começo trabalhavam Luziano Ribeiro e dois funcionários. “Meu pai comprava a mercadoria do fornecedor, vendia e entregava. Entregou muito produto de carroça em Goiânia”, diz Carlos Luciano.

Nesta época os eletrodomésticos eram artigos de luxo, acessíveis para pequena parcela da população. Mas logo surgiu a primeira inovação do Novo Mundo para o segmento: oferecer crediário próprio aos clientes, menos burocrático e mais acessível. Os concorrentes só tinham opção de pagamento à vista ou parcelamento por meio de instituições financeiras.

“Isso fidelizou nossos clientes, que voltavam com o carnê para pagar na loja e acabavam comprando mais. Temos de ajudar o cliente a escolher o produto certo e a melhor forma de pagamento, além de ser um lugar em que ele tenha confiança de comprar”, afirma Carlos Luciano.

Expansão

Com o aumento da clientela, em muito pouco tempo surgiu a oportunidade (e até mesmo necessidade) de abrir a segunda loja em Goiânia. Não demorou para serem abertas as demais filiais, criando a rede Novo Mundo. Apesar de ser uma empresa familiar, sua gestão é totalmente profissionalizada. Todas as decisões sobre expansão ou novos negócios são baseadas por meio de muitas pesquisas de mercado e, quando necessário, consultorias especializadas.

O empresário Carlos Luciano afirma que para abrir uma filial o mais difícil não é o espaço ou a estrutura, mas sim fazer a avaliação correta sobre o mercado e a capacidade financeira da empresa para manter a nova unidade até a sua consolidação. “São decisões com os pés no chão. Abrir uma loja é fácil. Difícil é fazer ela crescer e ser sustentável ao longo do tempo”, enfatiza. É um conceito levado a sério até hoje no grupo goiano para decidir sobre novas lojas ou negócios.

Este planejamento criterioso também permitiu blindar a empresa das várias crises econômicas no País nas últimas décadas, inclusive a atual, uma das mais graves já presenciadas pelo grupo, que se viu obrigado a promover significativos cortes nos custos, inclusive com fechamento de algumas filiais, nos últimos dois anos.

Mas todo empreendedor consegue ver oportunidades até nas crises, como cortar gastos operacionais desnecessários (as gorduras que em épocas de crescimento econômico passam despercebidas), sempre evitando que o enxugamento cause qualquer prejuízo aos serviços de vendas e atendimento ao cliente.

Por conta desta gestão profissionalizada, o Novo Mundo manteve presença nos mercados de Goiás, Minas Gerais, Maranhão, Bahia, Tocantins, Mato Grosso, Pará, Amazonas, Roraima e Distrito Federal. “A crise fez reduzirmos o número de lojas menores, mas mantivemos nossas operações em todos estes Estados, buscando a consolidação nestes mercados, como também em locais estratégicos para o grupo como o Maranhão, a porta de entrada tanto para o Norte como para o Nordeste do Brasil”, diz Carlos Luciano.

O crescimento das lojas de eletrodomésticos possibilitou a expansão do Novo Mundo para outros segmentos. Por conta do alto custo do frete de móveis produzidos por terceiros em São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná, principais polos moveleiros do País, o grupo investiu na fábrica própria de colchões e estofados Montreal, em Aparecida de Goiânia, e já planeja abrir a segunda unidade em São Luís, no Maranhão.

O Novo Mundo investiu também em fábricas de móveis de alto padrão Saccaro e Época. Na área de shopping centers, o grupo goiano tem participação no Pantanal Shopping, em Cuiabá, e mais recentemente fez um investimento ousado no complexo Mega Moda, localizado na chamada “Região da Rua 44”, em Goiânia. O interesse no segmento de moda, segundo Carlos Luciano, partiu da percepção do tamanho dessa atividade em Goiás, que tem quase dez mil confecções.

Com o movimento intenso de compradores no Mega Moda, considerado hoje um dos maiores shoppings atacadistas de moda do País, o Novo Mundo construiu um hotel de 285 leitos na região. Outras empresas coligadas ao grupo são o condomínio residencial horizontal Aldeia do Vale (Goiânia) e na agropecuária, com seis unidades da Fazenda Barra Bonita, tocadas até hoje com a ajuda de Luziano Ribeiro.

Sucessão

Carlos Luciano divide a gestão do Novo Mundo com as duas irmãs e o pai, sendo que cada um tem 25% das ações do grupo. A preocupação com a sucessão levou o grupo a adotar práticas de governança para evitar que conflitos familiares atrapalhassem o andamento dos negócios. “Vimos muito grupo varejista bom acabar por causa de conflito familiar. Como a gente sempre diz aqui, tem de brigar lá fora. Aqui dentro é trabalho”, brinca o presidente do Novo Mundo.

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3 thoughts on “Como Novo Mundo se tornou a maior rede varejista de Goiás”

  1. Avatar Maria antonia disse:

    Estou sem entender pq uma empresa de grande porte pode se desfazer tanto de um cliente, hoje tentei falar com uma loja Novo Mundo em São Sebastião DF, liguei duas vezes, na primeira vez não marquei o tempo e na segunda vez fiquei 1h47minutos e não fui atendida, me deixaram em uma gravação até desistir. Liguei em (61) 33399111. Estou horrorizada

  2. Avatar Joaquim Paulo da costa disse:

    Lembro-me da loja inicial Novo Mundo na Anhanguera, Sr. Luciano tinha o Galaxy 500, na frente tinha jóia lar, Carlos Saraiva, e do lado Edenlar, hoje novo mundo, Empresa orgulho de Goiás, da época só existe novo mundo e Fugioka um pequeno foto na Araguaia, parabéns a diretoria, tenho saudades de ver senhor Luciano fundador, Deca de 60 eu conversava muito com ele!!! Parabéns. . Empresa orgulho de Goiás!!!!