93% das empresas goianas tiveram empréstimo negado

93% das empresas goianas tiveram empréstimo negado

22 de setembro de 2020

Nove em cada dez empresas goianas que buscaram linhas de crédito durante a pandemia foram frustradas. A conclusão é de um levantamento da Associação Comercial e Industrial de Goiás (Acieg), com base nos cadastros feitos pelos empresários junto a instituições bancárias após o início das restrições às atividades econômicas decorrentes da crise causada pela Covid-19. Conforme o estudo, 63% dos empresários do universo pesquisado (em torno de 1.250) procuraram um banco para obter empréstimos no período. Desse total, 93% receberam um não como resposta – e apenas 7% tiveram êxito.


Segundo o presidente da Acieg, Rubens Fileti, isso ocorreu por causa do aumento do risco de inadimplência, fator que tem peso fundamental na liberação de recursos por parte dos bancos. Muitas empresas e empresários, diz o líder classista, têm restrição em órgãos de proteção de crédito e pendências em cartórios. O pior período, explica Fileti, foi logo no começo da pandemia, em março e abril. A partir do meio do ano, o cenário melhorou um pouco, com programas garantidores de crédito, como os lançados pelo governo federal. “A partir de julho, houve uma destravada”, afirma.

Programas
Para melhorar o acesso dos empresários ao financiamento, a Acieg, em parceria com outras entidades (como a Associação Pró-Desenvolvimento Industrial, a Adial), governo estadual, concessionárias de serviços públicos, cartórios e instituições financeiras (Banco do Brasil e Sicoob) lançaram os programas Mais Empregos e Mais Crédito. Por meio deles, os empresários participam de audiências de conciliação para negociar as pendências. Também têm parceladas as dívidas com a Enel (fornecedora de energia elétrica) e a Saneago (de água). Com o crédito aprovado, parte do valor é automaticamente transferida para a quitação de taxas cartorárias.


Com esse mecanismo, a taxa de obtenção de crédito subiu. Segundo o levantamento da Acieg, 68% das empresas atendidas conseguiram obter financiamento ou parcelar as dívidas anteriores – 18% não compareceram e 14% não conseguiram negociar. Os segmentos que mais buscaram o atendimento – que é feito na própria Acieg desde o dia 14 – foram o comércio varejista (19%), o de alimentos e o da construção (ambos com 15%). Isso ocorre, segundo Fileti, porque os micro e pequenos empresários desses segmentos têm, normalmente, dificuldade em conseguir empréstimos.


Outro braço do Mais Empregos e Mais crédito é uma consultoria do Sebrae, no sentido de organizar os processos administrativos das empresas que, segundo o presidente da Acieg, é a maior fragilidade dos empreendedores. “O empresário percebeu que, para pegar empréstimo, precisa se reorganizar”, diz Fileti. “Além disso, precisa usar o crédito com responsabilidade para que seu negócio seja perene”, alerta. Os atendimentos seguem até sexta-feira (25), mas os programas podem ser ampliados. “Esse modelo nunca havia sido pensado. Todas as ações, como mutirões de renegociação, eram isoladas. Agora, todos os serviços estão em um único lugar”, cita Fileti.

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