Startups prometem aumentar a validade de frutas e vegetais

Startups prometem aumentar a validade de frutas e vegetais

17 de agosto de 2020

Nichollas Camargo: Nanoceuticals e AgroSustain desenvolveram sistema em forma de filme nanoscópico, que impede a contaminação de frutas e vegetais

Um filme nanoscópico desenvolvido pela startup goiana Nanoceuticals, em parceria com a empresa suíça AgroSustain, garante em até 21 dias a durabilidade de frutas e vegetais, além de impedir a contaminação durante a colheita até o ponto de venda, pois é capaz de interromper o desenvolvimento de várias espécies de fungos patogênicos. Ainda em fase de regulamentação pelas autoridades sanitárias brasileiras, mas já em caráter experimental em alguns países da Europa, a expectativa é de que ele chegue em 2021 ao mercado nacional, onde grandes redes comerciais já manifestaram interesse no produto. Em breve, as empresas poderão apresentar a novidade ao mundo inteiro.

A empresa goiana é especialista em desenvolver soluções tecnológicas para indústrias que atuam no ramo de ciências da vida. “Iniciamos colaboração com a companhia europeia após desenvolvermos um sistema em forma de filme nanoscópico, que recobre e dispersa o ativo da AgroSustain sobre as frutas e vegetais, o que possibilitou ganhos para ambas as empresas em termos tecnológicos, ao potencializar as chances de sucesso do produto”, explica Nichollas Serafim Camargo, gerente de tecnologia e inovação da Nanoceutisc.

A parceria entre a empresa brasileira e a suíça nasceu depois da participação de ambas no programa AIT-SwissNex, que é organizado pelo governo suíço para capacitar e fomentar a interação entre startups brasileiras e a do país europeu. O filme foi desenvolvido pela equipe técnica da Nanoceuticals, em colaboração com pesquisadores da AgroSustain, que tem um importante histórico na área de compostos bioativos antimicrobianos, utilizados para impedir a contaminação de frutas e legumes.

Comestível
Fabricado com ativos naturais e extratos vegetais produzidos no Brasil, o filme é totalmente comestível, o que é importante do ponto de vista regulatório. Atualmente o produto está na fase de protótipo, embora ainda exista a barreira regulatória a ser vencida para que ele se torne um produto comercial no Brasil. Após essa etapa, ele será produzido na planta industrial da Nanoceuticals, em Aparecida de Goiânia.

Do ponto de vista da concorrência internacional, o produto desenvolvido em Goiás tem diferenciais como o de ser extremamente fino, na escala nanosmétrica. Essa característica reduz bastante a massa do filme, minimizando o sabor e o odor deste recobrimento.

O filme pode ser aplicado em qualquer tipo de alimento, mas é principalmente indicado para frutas e legumes perecíveis, em que o aumento do tempo de prateleira é fundamental para a sua viabilidade comercial, sobretudo aqueles que são exportados e importados entre os hemisférios e as estações do ano. A ideia da Nanoceuticals foi a de desenvolver um filme dispersível, que pudesse ser facilmente aplicado na superfície das frutas, o que é um dos diferenciais do produto, dada a aplicação em larga escala, possível a partir da tecnologia desenvolvida, só realizada graças cooperação tecnológica entre a Nanoceuticals e a AgroSustain.

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