Pior já passou? Tudo indica que sim

Pior já passou? Tudo indica que sim

16 de agosto de 2020

A tempestade ainda não cessou por completo, mas os empresários goianos já enxergam alguma bonança no horizonte. Os primeiros indicadores após o período mais duro do isolamento social, devido à pandemia de Covid-19, acenam fortemente para um início de recuperação. Isso pode ser notado pelas próprias matérias postadas aqui no EMPREENDER EM GOIÁS. Entre final de março e até meados de junho deste ano, quase 100% relataram cenários sombrios e sérias dificuldades nas empresas goianas. Nas últimas semanas, o otimismo retornou entre os empresários. Com ele, anúncio de novos investimentos. O cenário, de fato, mudou. Para melhor.

Em junho, por exemplo, Goiás teve um saldo positivo de 4,3 mil vagas de emprego formal, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). No mesmo mês, a indústria goiana cresceu 5,4%, o melhor desempenho do ano. “Já saímos do fundo do poço”, diz o presidente da Federação das Indústrias de Goiás (Fieg), Sandro Mabel. Ele lembra que os piores momentos, não por coincidência, ocorreram durante os períodos de fechamento quase total das atividades econômicas, especialmente no início da pandemia, nos meses de março e abril.

Contudo, o fato de que setores que são significativos à indústria goiana terem sido enquadrados na relação das atividades essenciais ajudou a amenizar o impacto. São os casos, por exemplo, da indústria de alimentos, de material de higiene e limpeza, farmacêutica. “O setor empresarial conseguiu, também, manter em funcionamento toda a cadeia de suprimentos para essas empresas”, diz Mabel.

Esses segmentos, especialmente, conseguiram crescer, mas o bom momento é do setor como um todo. “As contrações já começaram”, afirma o presidente da Fieg. Também contribuem para a melhoria do cenário, segundo ele, o bom desempenho do setor agropecuário, com boa produtividade e aumento nos preços da carne e da soja para exportação. Na lista dos fatores positivos, também inclui o auxílio emergencial de R$ 600, concedido pelo governo federal.

Isso não significa, porém, que a crise acabou. O presidente da Fieg lembra que muitos empresários quebraram em Goiás e que a retomada aos patamares anteriores à pandemia deve demorar. Alguns segmentos, como o de confecções, que tem uma longa cadeia composta por muitos pequenos empresários, sentiram mais. “Espero que não ocorram novos fechamentos para que a retomada do emprego seja consistente”, diz.

Sandro Mabel: vários indicadores econômicos voltaram ser positivos em Goiás, mas a crise deixou sequelas

Vendas externas
Coordenador técnico do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás, Leonardo Machado explica que a valorização do dólar favoreceu a exportação de commodities. Some-se a isso o fato de a China, o maior parceiro comercial de Goiás, ter saído da crise mais cedo – o crescimento do PIB chinês foi de 3,2% no segundo trimestre. “A China teve de recompor seus estoques, o que acelerou as exportações do Brasil”, afirma.

Em Goiás, o agronegócio estima ampliar a produção em 9,8% até o final do ano. E, mesmo com a pandemia, o setor teve saldo positivo de mais de 6,5 ml postos de trabalho com carteira assinada. Alguns segmentos tiveram o impacto amenizado por causa de mudanças de comportamento, segundo Machado. Isso ocorreu, por exemplo, entre os produtores de leite e hortifrútis. “Foram culturas que sofreram com o fechamento de hotéis e restaurantes. Porém, o impacto não foi tão grande porque esse consumo foi substituído pelo consumo em casa”, explica.

Essa produção para consumo interno pode dar início a uma retomada com a recuperação da economia nos próximos meses. “Podemos esperar que as exportações continuem muito boas, com destaque para o milho e as carnes, além da recuperação das atividades econômicas para consumo interno”, afirma. “O que precisamos esperar é se essa recuperação será gradativa, mais lenta ou mais rápida”.

Juros baixos e demanda reprimida podem favorecer retomada mais rápida do mercado imobiliário

Mercado imobiliário
De acordo com o presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO), Roberto Elias, a taxa de juros Selic, que está no menor patamar histórico (2%), desestimula o investimento em renda fixa e similares. “Com isso, o mercado imobiliário está aquecido. Até o fim do ano, serão mais investimentos”, diz.

Presidente eleito da Ademi, com posso marcada para 26 de agosto, Fernando Razuk diz que o mercado sofreu queda no início da pandemia, mas que o setor já entrou em processo de recuperação. “Quem está lançando, está vendendo. Com a taxa de juros baixa, cai o valor da parcela e aumenta a demanda. Na outra ponta, o investimento financeiro não está rendendo e muita gente está comprando imóvel para alugar. A perspectiva é a melhor possível”, afirma.

Marcelo Baiocchi, presidente da Federação do Comércio de Goiás, avalia que, após 30 dias do retorno das atividades comerciais, o setor começa a sentir uma pequena estabilização da economia. “Se mantivermos funcionando as atividades do comércio e de serviços, a tendência é não cair mais”, acredita. Ele ressalta, contudo, que os números ainda são muito superficiais após 120 dias de inatividade. “Não é hora ainda de comemorar. Levaremos mais tempo para recuperar o tempo perdido. O Natal pode demonstrar se realmente a economia retornou à normalidade para o comércio e os serviços”, afirma. “Mas estamos muito confiantes, o momento é de retomada e crescimento”.

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