Pedidos de recuperação judicial triplicam em Goiás

Pedidos de recuperação judicial triplicam em Goiás

3 de agosto de 2020

O número de pedidos de recuperação judicial triplicou no segundo trimestre deste ano em Goiás: foram 61, 44 deles somente em julho, contra 21 pedidos no primeiro trimestre. Os dados são do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) e foram obtidos com exclusividade pelo EMPREENDER EM GOIÁS. De janeiro a junho deste ano, foram 82 processos do tipo. No mesmo período do ano passado, foram 107, o que mostra uma redução de 24% no Estado. Os números apontam para um forte crescimento de empresas em recuperação judicial com o início da pandemia da Covid-19 em Goiás.

O advogado Hanna Mtanios Hanna Júnior acredita que o crescimento começa a aparecer porque, até a primeira quinzena de julho, a quarentena era mais rigorosa. “Os números recentes do TJ-GO revelam que agora, com o fim do isolamento social imposto pelas autoridades, é que os empresários estão buscando no Judiciário a utilização das ferramentas disponíveis, visando soerguer seus negócios”, avalia.

Por isso, o advogado espera que, nos próximos meses, esse movimento persista. “A tendência de crescimento deve se manter e muito se exigirá do Poder Judiciário, advogados e demais profissionais, a depender da especialidade de cada agente econômico”, diz. Para ele, “os danos econômicos deixados pela pandemia causada pela Covid-19 não serão solucionados com a eventual descoberta de um medicamento ou vacina, muito ainda precisa ser feito”.

Hanna: “A tendência de crescimento deve se manter”

Serviços e comércio
Coordenador do Centro de Pesquisas Econômicas e Mercadológicas na Faculdade Alves Farias, o economista Aurélio Troncoso diz que os pedidos de recuperação judicial têm relação direta com a pandemia. E alerta: como o agronegócio foi menos atingido, a tendência é que grande parte deles seja de empresas do setor de serviços, o que é um problema maior para Goiás.
“O Produto Interno Bruto (PIB) de Goiás está muito atrelado ao setor de serviços e ao comércio”, explica.

De fato, os serviços representam cerca de 65% do PIB goiano, segundo o Instituto Mauro Borges de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos, órgão ligado à Secretaria Estadual da Economia. O economista acredita que a situação poderia ter sido ainda pior, não fossem os acenos do governo com linhas de crédito para socorrê-las. “Os empresários vão esperar, protelar o problema para ver se o governo vai colocar no mercado crédito barato”, avalia. Por isso, o volume maior de pedidos foi em junho – com poucos em março, abril e maio.

Aurélio Troncoso explica que o mecanismo da recuperação judicial costuma ser mais utilizado por empresas de grande porte. Por isso, o número acumulado de processos do tipo no TJ-GO desde o início de 2019 é preocupante: 279. “Quando uma empresa pede a recuperação judicial, acaba suspendendo os pagamentos de suas dívidas por um período. Isso pode prejudicar várias empresas menores, que são suas fornecedoras”, afirma.

O advogado Hanna Mtanios Hanna Júnior diz, por outro lado, que os credores cedem, dão descontos e prazos, “mas vislumbram receber o acordado no futuro”. Por outro lado, acredita o advogado, a devedora em recuperação se esforça para cumprir e plano, se recuperar e se manter ativa no mercado. “As empresas que buscam a recuperação judicial o fazem para se manter ativas, circulando riquezas, produtos e mantendo empregos. No processo de recuperação judicial o espírito é a negociação entre devedora e credores. É importante o diálogo e a compreensão de que perde um pouco agora, mas mantém o agente econômico ativo para realizar novos negócios”, afirma.

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