Mercado de eventos perde mais de R$ 200 milhões em Goiânia

Mercado de eventos perde mais de R$ 200 milhões em Goiânia

28 de julho de 2020

“Para grandes eventos, 2020 acabou”, avalia o Goiânia Convention & Visitors Bureau

O termo reinventar-se se transformou em clichê em tempo de pandemia de Covid-19. Mas não existe outro tão exato para se referir a um setor econômico que está com atividades suspensas desde o início da quarentena, na segunda quinzena de março: o de turismo de eventos. Só no Centro de Convenções de Goiânia (CCG) foram cancelados ao menos 41 feiras, congressos, seminários e similares que seriam realizados este ano. As perdas são estimadas em aproximadamente R$ 213 milhões.

A estimativa é da vice-presidente de Marketing e Eventos do Goiânia Convention & Visitors Bureau – entidade sem fins lucrativos, que trabalha a captação de eventos e promoção na capital –, Sandra Méndez. “Para grandes eventos, 2020 acabou”, diz a consultora, que tem mais de 20 anos de experiência no setor, inclusive como administradora do CCG e da Goiás Turismo.

Grandes eventos rompem facilmente a casa de 1 mil participantes. Podem chegar a 5 mil, 10 mil ou mais. Um ambiente inviável diante do avanço do coronavírus Sars-CoV-2, causador da Covid-19, que gosta de aglomerações. “Está muito claro que a cadeia do turismo de eventos será a última a voltar”, prevê Sandra Méndez. Entre os eventos cancelados está, por exemplo, a Feira Multi Expo, que era para ter sido realizada em junho, com previsão para 20 mil pessoas. Para setembro, estava prevista a Semana de Moda Sinroupas, que deveria receber 10 mil pessoas. No total, havia 14 eventos de abrangência nacional e internacional e outros 27 locais. Juntos, esperavam atrair 180 mil pessoas.

“Está muito claro que a cadeia do turismo de eventos será a última a voltar”, prevê Sandra Méndez

A vice-presidente do Goiânia Convention & Visitors Bureau explica que um turista de eventos costuma gastar R$ 567 por dia. O valor inclui passagens, hospedagem, inscrição, gastos com alimentação, compras e eventuais visitas a cidades turísticas, como a Cidade de Goiás, Pirenópolis, Caldas Novas e Alto Paraíso. A permanência média é de três dias.

A quarentena pegou o setor no início da “alta temporada”. “O calendário começa em março, porque são poucos eventos em janeiro e fevereiro, e vai até a primeira quinzena de dezembro”, afirma. Como a suspensão das atividades econômicas começou em março, o ano foi perdido. Sandra Méndez acredita, contudo, que é hora de se pensar no retorno gradativo, com público reduzido e protocolos de segurança sanitária. “A volta tem de ser por fases, com eventos menores, para o público readquirir a confiança”, afirma.

Eventos digitais
Enquanto os eventos presenciais não voltam, o setor se “reinventa”. Nehemias Ramos, da Win Eventos, é organizador de atividades do setor. Tem mais de 4 mil eventos no currículo. Conta que teve de interromper a Expo Viver Melhor, no shopping Flamboyant, no meio do caminho, quando saiu o primeiro decreto de quarentena em Goiás. Teve de adiar trabalhos, como o Congresso Nacional do Feijão, que reuniria 1 mil pessoas em setembro, e o Congresso Brasileiro de Biomedicina, que ocorreria em outubro, com 2 mil participantes. Tudo foi para 2021.

Nehemias desenvolveu plataforma a digital que já realizou quatro eventos

Mas não ficou parado. Desenvolveu uma plataforma digital, na qual já realizou quatro eventos virtuais. Oito estão agendados para até o fim do ano. Entre eles, o Todos para o Bem, que reunirá cerca de 60 Organizações Não Governamentais que fazem trabalhos sociais. A plataforma Virtuale Eventos possibilita a imersão em ambiente digital que simula o “real”, com auditórios e estantes, por exemplo – conforme o desejo do cliente.

Mesmo com o retorno positivo, Nehemias Ramos lembra que os eventos presenciais são fundamentais para o setor. Para isso, espera que o poder público tenha par ao setor o mesmo olhar que teve para outros. “Com os protocolos corretos, é possível realizar eventos com 50 pessoas, por exemplo. Um evento não é diferente de um culto nas igrejas”, afirma – em Goiânia, os cultos religiosos estão liberados.

Na plataforma da QE Eventos Especiais, até a hora do cafezinho ocorre em ambiente virtual. Fernanda Cury, que tem 22 anos de mercado, afirma que “o céu é o limite”. Tudo é customizado conforme o desejo e o orçamento do cliente. Este ano, ela teve de cancelar 38 eventos, em todo o Brasil. Mas já transformou um que era físico para o digital e conseguiu três novos clientes. Fernanda acredita que os eventos híbridos, que tem parte presencial e parte virtual, serão realidade daqui para frente, mesmo em um eventual fim da pandemia de Covid-19. “O híbrido veio para ficar. Com ele, podemos até mesmo colocar mais pessoas em um evento”, explica. Além disso, a participação de palestrantes de outros países, por exemplo, fica muito mais viável.

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2 thoughts on “Mercado de eventos perde mais de R$ 200 milhões em Goiânia”

  1. Avatar Ricardo Souza disse:

    Bom dia!
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    Muito obrigado! ®

    1. Empreender em Goiás Empreender em Goiás disse:

      Olá Ricardo!
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      Obrigado pelo contato.