Bar do Celsin enfrenta o seu maior desafio em 30 anos

Bar do Celsin enfrenta o seu maior desafio em 30 anos

19 de julho de 2020

Em 30 anos de mercado nunca houve um desafio tão grande. Um dos mais tradicionais bares e restaurantes de Goiânia, o Celsin & Cia (ou Bar do Celsin, como é chamado pelos clientes) superou o desafio de permanecer quatro meses fechados por causa do isolamento social importo pela pandemia de Covid-19 e agora se prepara para enfrentar uma nova realidade: reabertura gradual, com menos mesas e mais cuidados com a higiene. “2020 já era, que venha 2021”, clama Fernando Machado, de 39 anos, que administra o estabelecimento.

O Celsin aposta no reconhecimento construído desde 1991, o que já é um feito no segmento de bar e restaurante, para chegar com saúde até o fim de ano. O estabelecimento, localizado no Setor Oeste, recebe em média 1 mil pessoas por dia. A sua capacidade é para 600 pessoas sentadas, mas pela rotatividade e pelo costume de muita gente de tomar um chopinho em pé, chegava a ter o triplo disso na casa. Uma clientela com muita sede: todo mês são vendidas 1,2 mil caixas de cerveja e 3 mil litros de chope em média.

Quem frequenta o Celsin ou passa pela esquina das Ruas 15 com a 22 não se depara mais com as calçadas cheias e o vai-e-vem de garçons e clientes, como o goianiense gosta. Por causa das restrições sanitárias, o distanciamento das mesas é de dois metros, sem possibilidade de juntar grupos maiores. Cada uma só pode receber quatro pessoas. O acesso à famosa mesa de frios é por fila, com distância de um metro e meio entre os clientes.

A oferta dos produtos ainda não chegou aos 100%, pois alguns vêm de outros Estados. Mas ainda são cerca de 120, entre queijos, embutidos, legumes, comida japonesa e ceviches. Outro sinal dos tempos são os sachês de condimentos. Tudo para cumprir as regras de higiene para tornar o ambiente mais seguro contra o coronavírus. Só em álcool em gel, luvas descartáveis, máscaras e outros produtos de limpeza foram gastos R$ 5 mil para reabrir as portas.

Celson e Fernando são pai e filhos (mais o Frederico) à frente da gestão do negócio

Mas, será que o Celsin conseguirá recuperar as suas vendas e a sua clientela?

O receio na família proprietária do estabelecimento era grande na segunda-feira passada (13/07), véspera da data de reabertura autorizada pela Prefeitura de Goiânia. A resposta foi rápida: as 70 mesas (metade da capacidade do estabelecimento) disponibilizadas foram ocupadas todas as noites, inclusive com fila de espera. A procura foi tão positiva que, na sexta-feira de manhã, quando os proprietários conversaram com o EMPREENDER EM GOIÁS, o receio da família já era outro: como atender a demanda do fim de semana. A retomada será gradual, até porque a pandemia da Covid-19 não foi superada, mas o horizonte agora é otimista.

Ainda não foi possível ao bar e restaurante recontratar todos os funcionários, que somavam entre 65 e 70 diretos antes de ser obrigado a ficar fechado por quatro meses, período em que o faturamento despencou em 90%. Na primeira semana da reabertura, eram apenas entre 25 e 30 colaboradores diretos. Parte das vendas continua do delivery, modalidade que nunca havia sido o forte do Celsin (que adora mesmo é receber os clientes na casa). Durante a quarentena, foi necessário optar pelo serviço. “Estava totalmente inviável manter o negócio desse jeito”, resume Fernando Machado.

TUDO COMEÇOU GRAÇAS AOS ESPETINHOS

A história de sucesso do Celsin & Cia começou graças aos espetinhos inventados pelo Celson Batista, que vislumbrou o potencial neste mercado ao ser convidado para ajudar na cantina da Escola Casinha Feliz, das suas irmãs, no início da década de 90. Não demorou muito e ele alugou o ponto ao lado da escola e abriu o Celson´s Bar, para atender os alunos e familiares, cuja especialidade eram os espetinhos em pratos, com talheres e acompanhamentos (feijão tropeiro, mandioca e vinagrete). Atualmente isso pode não ser mais nenhum diferencial, mas há quase 30 anos era uma grande novidade e atraiu muitos clientes.

O proprietário do imóvel alugado, porém, decidiu construir uma clínica no local. Celson precisou mudar seu pequeno negócio para a Rua 4, no Setor Oeste. Foi quando ocorreu o primeiro grande percalço: Celso arrumou um sócio e o bar foi para Rua 9. O sucesso, porém, não foi suficiente para evitar os desencontros com o colega e o rompimento foi inevitável.

Celson decidiu mudar seu negócio, agora com a ajuda dos filhos Fernando e Frederico, para a esquina da Rua 15 com a 22. Era hora do tudo ou nada. Vendeu tudo o que tinha (casa, carro, etc) para investir no negócio e adotou o nome com que já era chamado pelos clientes. O ano era 1998 e nascia o Celsin & Cia. “Não havia para nós a alternativa de dar errado”, conta Fernando.

Claro, o começo sempre é difícil. Com poucas mesas ocupadas, o faturamento não passava de R$ 200 por dia. Mas não faltaram para a família muito trabalho, persistência e acreditar no negócio. Insistiram no modelo e, aos poucos, os clientes aumentaram. Com eles, a família investia quase tudo que ganhava no próprio negócio, que não parou mais de crescer. Há dois anos, os proprietários tiveram de fazer um grande investimento de R$ 500 mil. De olho na clientela formada por famílias, alugaram uma casa ao lado e a transformaram em brinquedoteca.

As responsabilidades são divididas. Celson é o encarregado dos negócios. Fernando, da parte administrativa. Frederico tornou-se sushiman e hoje responsável também por abastecer a mesa de frios com pratos como carpaccio de tilápia e sushis. “A cada 10 pessoas que passam pelo bufê, novem pegam um salmão, um ceviche”, explica Fernando.

O sucesso do negócio, porém, não fez o trio se esquecer das raízes. Antes da pandemia, todos os dias o sushiman Frederico assumia a faceta de churrasqueiro. Com um carrinho, vendia espetinhos em frente à escola onde tudo começou. Só depois de atender os alunos na saída das aulas é que voltava para o bar/restaurante. “Com a pandemia, isso teve de parar”, lamenta Fernando Machado. A esperança é que a brasa do carrinho de espetos volte a esquentar em 2021.

A história do Bar do Censin é um belo exemplo de empreendedorismo de sucesso em Goiânia, onde não existe fórmula milagrosa, mas muito trabalho, dedicação, persistência e buscar entregar o melhor para os clientes. Não é por acaso que se trata de um raro caso de sobrevivência e de crescimento num setor onde a taxa de mortalidade, com Covid-19 ou não, é considerada alta.

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One thought on “Bar do Celsin enfrenta o seu maior desafio em 30 anos”

  1. Avatar Filomena P Machado disse:

    Tenho orgulho deste bar! Pelo atendimento, pela qualidade dos pratos e pela cerveja geladíssima! Sei da luta e do empenho para continuar na frente sempre! Estou em oração por vces e sei que JESUS e Maria estao abençoando