Reabertura em Goiânia não será normal e nem para todos

Reabertura em Goiânia não será normal e nem para todos

13 de julho de 2020

O governador Ronaldo Caiado e o prefeito de Goiânia, Iris Rezende, anunciam hoje as novas regras para o funcionamento das atividades econômicas na capital e no interior do Estado. Representantes do setor produtivo foram convidados para o evento, às 9 horas, no Palácio das Esmeraldas. A novidade é que, ao menos em Goiânia, não haverá mais a quarentena alternada, cujo período de 14 dias de paralisação das atividades termina hoje.

Depois de praticamente quatro meses sem abrir as portas, finalmente os bares e restaurantes poderão voltar a receber clientes. Contudo, nada será como antes. Presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Goiás (Abrasel), Fernando de Oliveira Jorge explica quais são as principais restrições: o atendimento deve se limitar a 50% da capacidade e as mesas terão de estar distantes dois metros uma das outras.

No caso dos restaurantes com bufê, há duas possibilidades: ou o estabelecimento fornecerá luvas descartáveis aos clientes ou a comida será servida por um funcionário. Isso para evitar que várias pessoas toquem nos mesmos talheres. Além dessas medidas, os cuidados já conhecidos de uso de máscara e uniformes pelos trabalhadores, máscaras e dispensadores de álcool em gel para os clientes.

Falta, ainda, definir o horário de funcionamento. “É importante que se permita o funcionamento à noite, nem que seja limitado até 22 horas, 23 horas, por exemplo”, afirma Fernando Jorge. A retomada, contudo, não deve ser imediata. “Tem de reconvocar os funcionários, treiná-los nas novas boas práticas, comprar e estocar os produtos, fazer a inspeção dos equipamentos”, lista. Para Fernando Jorge, todo o processo pode levar cerca de uma semana.

Além disso, há os empreendimentos que sucumbiram à crise. A estimativa da Abrasel é de 30% dos bares e restaurantes baixaram as portas definitivamente. “Outros 10% vão reabrir, mas não vão resistir. A volta será muito complicada”, afirma o presidente da entidade. Outra preocupação é com o comportamento dos clientes, devido “à ansiedade da reabertura”. Mas o período de férias, em que muita gente está fora da capital, ajuda a evitar aglomerações.

No comércio, conforme o presidente da Associação Comercial e Industrial de Goiás (Acieg), Rubens Fileti, disciplina será “um mantra”. O dirigente empresarial afirma que os lojistas estão muito rígidos no cumprimento dos protocolos sanitários, mas ainda há alguma dificuldade em relação aos clientes e colaboradores. “É preciso uma mudança completa no comportamento”, afirma.

O receio é porque a retomada ocorre em um momento em que o número de casos de Covid-19 em Goiás é crescente. “Se fizer a reabertura [sem os cuidados] vai jogar por água abaixo todo o esforço que fizemos todo esse tempo”, afirma Fileti. “O protocolo é uma necessidade, deve ocorrer de verdade”. O líder classista estima que 15 mil bares e restaurantes e 10 mil estabelecimentos comerciais e de serviços não tenham sobrevivido à crise econômica.

Higienização da Rua 44
Os comerciantes da região da Rua 44 esperam que, desta vez, não se repita o abre e fecha de duas semanas atrás. Os estabelecimentos do local abriram no dia 30 de junho, mas tiveram de voltar atrás um dia depois, quando começou a valer a quarentena 14 por 14 em Goiânia. Ainda hoje, haverá um processo de sanitização de calçadas e fachadas das lojas.

Além de todos os cuidados já conhecidos, haverá a instalação de pórticos indicando a localização de profissionais de saúde que farão a aferição da temperatura dos clientes. Haverá, ainda, limitação de dois vendedores por loja e o horário de funcionamento será das 9 horas às 17 horas, de acordo com o presidente da Associação Empresarial da Região da 44 (AER44), Jairo Gomes. A entrada de caravanas de outros Estados deve seguir vetado.

Outro setor que ficou parado desde o primeiro decreto estadual, de 16 de março, é o de academias de musculação e similares. No caso desses estabelecimentos, a limitação deve ser de 30% no número de alunos por hora, além do afastamento de dois metros entre cada equipamento – que não poderão ser revezados entre os frequentadores.

A entrada às academias não poderá ser feita por meio de equipamentos que exijam contato, como catracas biométricas, e, no caso de lutas e artes marciais, não poderá haver combate, “apenas treinamentos técnicos, de sombra”, explica o presidente do Sindicato das Academias (Sindac), Dennis Egídio.

Egídio diz que a reabertura deverá ser paulatina. Por causa da necessidade de convocação de funcionários e adaptação dos espaços, deve durar entre sete a dez dias. No entanto, nem todo mundo terá condições de voltar. O Sindac estima que 30% dos estabelecimentos quebraram, o que deve chegar a 50% até o fim do ano. “Talvez nem os 30% voltem, pois muitos estão com medo da doença. Assim, não haverá faturamento suficiente para bancar os altos custos”, lamenta.

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