Empresários ficam indignados com vídeo de Caiado

Empresários ficam indignados com vídeo de Caiado

6 de julho de 2020

Marcelo Baiochi, em vídeo nas redes sociais: “A soberba é o princípio da queda”,

O assunto mais comentado entre empresários goianos no último fim de semana foi o vídeo postado nas redes sociais pelo governador Ronaldo Caiado. Nele, pede a ajuda das mulheres para que Goiás alcance pelo menos uma taxa de isolamento social de 50% (na semana passada a média era de 37%). A polêmica é quando o governador afirma que, um dos motivos que impede o Estado de chegar neste patamar, é a ganância de alguns empresários, que não estariam preocupados com a saúde do trabalhador, mas apenas com o próprio bolso.

“Não é uma luta entre a preservação da vida e da economia. Estão enganados aqueles que querem criar esse falso dilema. É importante que se preserve a força de trabalho do trabalhador goiano”, afirma Caiado. “Quando um empresário está contaminado, quatro trabalhadores já estão contaminados. A casa dele tem dois, três ambientes. Esses patrões intransigentes, como nós vimos alguns querendo que você vá trabalhar de qualquer maneira, não estão preocupados com a sua saúde, mas com o bolso deles. O isolamento social cresceu muito pouco em Goiás, mas com a ajuda de vocês, se Deus quiser, vamos chegar a 50%”, enfatiza no vídeo.

O EMPREENDER EM GOIÁS conversou com três empresários goianos, dos setores industrial e do comércio. Todos pediram anonimato. “A estratégia do governo está clara: jogar os trabalhadores contra os empresários. Mas todos nós, empresários e trabalhadores, estamos no mesmo barco. As restrições econômicas impostas pelo governo estadual já causaram mais de 30 mil demissões em Goiás. De trabalhadores com carteira assinada. Nenhum empresário demite porque gosta. Faz porque é necessário. Se ele não abre seu negócio, não fatura, não consegue pagar as contas. Entre elas, os salários. Não é ganância, é sobrevivência”, diz um empresário do ramo varejista.

“Parece discurso eleitoral. Tenho respeito pelo governador, por sua história, mas fico assustado como tem lidado com o setor produtivo. Tem colocado os empresários goianos como os inimigos da população. Uma hora são os que não querem pagar impostos. Noutra são os que estão preocupados apenas com seus lucros e pouco se importando com os trabalhadores. O governo precisa entender que os micro e pequenos empresários são os que mais sofrem com as restrições econômicas impostas pelo Estado”, afirma um empresário do setor industrial.

“O governo de Goiás e as prefeituras tiveram três meses para se prepararem melhor para o pico da pandemia da Covid-19 em julho. As projeções da UFG, de março, já apontavam para este cenário. Mas parece que pouco foi feito. Não acredito que seja por falta de recursos, uma vez que o governo de Jair Bolsonaro informa já ter repassado mais de R$ 1 bilhão para o Estado e vários municípios goianos. A solução não pode ser apenas abrir e fechar as empresas de acordo com os dados de casos confirmados e mortes. Muito menos pregar a divisão em Goiás, a divisão entre trabalhadores e empresários. Isto é fazer populismo numa situação que merece e exige união”, enfatiza outro empresário goiano.

“Defendemos vidas”

O presidente da Fecomércio, Marcelo Baiochi, se pronunciou (também nas redes sociais) logo depois do vídeo postado pelo governador. O líder empresarial primeiro questionou a eficácia dos estudos realizados pelo UFG, que teria levado o governador e prefeitos a cometerem erros. Disse que as melhores soluções virão do diálogo e da unidade entre todos poderes e segmentos da sociedade. “Não é jogar trabalhadores contra empresários, esposas contra maridos. Queremos ajudar, achar juntos as melhores soluções para os problemas”, frisou.

“Quero deixar bem claro que nós defendemos vidas. Economia é vida. Mais de 10% das empresas goianas já quebraram, mais de 30 mil trabalhadores perderam seus empregos, mais de 2 mil bares e restaurantes não voltam. Vamos viver um momento muito ruim para a economia de Goiás, sem empregos, sem dinheiro. Muitos mais vão sofrer com isso. Isso é fruto de falta de planejamento, de como enfrentar a pandemia. Os empresários defendem vidas. A economia precisa ser salva para que vidas sejam salvas. Chega de discutirmos como se estivéssemos em lados opostos ou em barcos diferentes. Estamos dentro do mesmo barco e temos de remar para o mesmo lado. A soberba é o princípio da queda”, afirmou Baiochi.

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