Negociação de dívidas na crise

Negociação de dívidas na crise

26 de junho de 2020

O Brasil e o mundo já passaram e ainda irão passar por várias crises. Crise do México em 1994. Crise dos tigres asiáticos em 1997. Crise da Rússia em 1998. Crise provocada pela queda das torres gêmeas em 2001. Crise do subprime iniciada nos EUA e depois Europa em 2008. E, agora, a crise do COVID-19 em 2020.

A história se repete. Todas essas crises provocaram um grande aumento da taxa de inadimplência nos bancos. Quando maior ela é, mais o spread bancário aumenta, ou seja, maior a taxa de juros que os bancos irão cobrar para novos empréstimos, mesmo que o custo do capital para os bancos estejam caindo com a queda contínua da taxa Selic – hoje em 2,25% ao ano.

Para tentar driblar sua inadimplência, os bancos em sua grande maioria concederam carência para continuidade dos pagamentos das dívidas, variando de 60 a 180 dias de carência de juros e também de amortização de principal. O maior intuito dessas concessão é para que o próprio banco não precise provisionar esse crédito inadimplido, ou seja, não pago, em seus balanços.

Pois eles sabem que alguns dos seus clientes, por mais que ganhem carência e prazo não irão efetuar o pagamento. Os balanços da grande maioria das empresas estão muito vulneráveis devido a redução da demanda provocada pela diminuição do consumo, pelo aumento do desemprego e pelo fechamento obrigatório das empresas determinado pelos Governos Estaduais e Municipais.

Mas não tem jeito de fugir da realidade. Apesar dessa manobra contábil, o provisionamento dos bancos no Brasil para cobrir a inadimplência dos devedores duvidosos deverá saltar para de 30 para 40 bilhões de Reais no 2º trimestre de 2020, uma vez que pequenas, médias e grandes empresas de todo o país estão entrando em colapso financeiro.

Observando todas as crises, vemos que os níveis de inadimplência atingem em média cerca de 20% do total de empréstimos sendo que parte acaba sendo renegociada e outra parte os bancos precisam fazer provisionamento para devedores duvidosos.

Com isso, deverá aumentar os níveis de negociação de empréstimos vencidos ou NPLs (Non Performing Loan). Trata-se da aquisição de dívidas não pagas pelas empresas aos bancos para depois realizar da efetivação da aquisição do direito sobre o crédito é realizada a negociação direta com os devedores. Os bancos enxergam na operação uma oportunidade para receber parte do valor dos créditos inadimplidos, reduzindo o prejuízo ocorrido com a operação inadimplida. Já o devedor tem uma alternativa de fazer uma negociação de pagamento mais flexível do que seria com a instituição financeira.

Esse é um mercado novo no Brasil, mas já bastante amadurecido no exterior, que traz uma alternativa em momento de escassez de recursos. O Centro-Oeste recebeu a primeira empresa especializada na negociação e compra de ativos estressados, créditos não performados (Non Performing Loan – NPL) junto a instituições financeiras privadas, a Cronos Capital.

Com apenas 12 meses de operações, a Cronos Capital já realizou negócios de mais de R$ 40 milhões e a previsão é quase que triplicar esse valor nos próximos 12 meses. O tamanho do mercado de dívidas inadimplidas no Brasil – de pessoas físicas e empresas no Brasil – é muito maior: estimado em cerca de R$ 600 bilhões. Se considerados os débitos acumulados nos últimos 15 anos, chega a quase R$ 1 trilhão, segundo dados do Banco Central.

Diretor da Cronos Capital e especialista no mercado de Ativos Estressados.

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