Arthur Igreja: “Empresas serão salvas pelo coronavírus”

Arthur Igreja: “Empresas serão salvas pelo coronavírus”

23 de junho de 2020

Arthur Igreja: “Com o coronavírus, as empresas correram para modernizar seus hábitos e muitas vão sair melhores da crise do que entraram”

Como em toda grande crise, muitas empresas vão desaparecer ao longo da atual instabilidade econômica gerada pela pandemia de Covid-19, mas inúmeras “serão salvas pelo coronavírus.” Parece contraditória a afirmação do economista Arthur Igreja, feita durante a palestra virtual “Tendências de Mercado”, promovida pelo Sistema OCB/GO, entidade que representa e capacita as empresas cooperativistas em Goiás, em parceria com a FECOOP CO/TO, Federação dos Sindicatos das Cooperativas do Centro-Oeste e Tocantins.

Entretanto, ele explica que situações antes impensáveis, como a suspensão obrigatória de atividades comerciais, e a necessidade vital de uma rápida adoção de alternativas para a sobrevivência dos negócios (delivery, home office, reunião virtual, além do já usual e-commerce, por exemplo) obrigaram a mudança de rumo daquelas que ainda resistiam à transformação digital.
“Inúmeras empresas estavam em marcha lenta nessa transformação digital e, provavelmente, ficariam pelo caminho nos próximos cinco anos. Com o coronavírus, elas correram para modernizar seus hábitos e muitas vão sair melhores da crise do que entraram, porque vão incorporar esses novos hábitos e ter resultados ainda melhores”, destaca Arthur Igreja.

Segundo o economista, o comércio digital é uma ferramenta importante nesse momento, mas não é a única esfera a ser observada, para a sobrevivência das empresas durante e pós-pandemia. Ele ressalta que, enquanto as pessoas tiverem que conviver com a existência do coronavírus sem uma vacina que combata a doença, será preciso fazer a “vacinação dos negócios”. Isso significa que as empresas precisam entregar uma experiência segura, de forma a garantir a saúde dos colaboradores, famílias e clientes, e comunicar essa postura da melhor forma possível.

Arthur Igreja ressalta que é preciso fortalecer os negócios também em outras esferas, como em treinamento, formação de equipes, procedimentos e, principalmente, na atitude de ir até o cliente. Comenta que, em plena crise econômica, há empresas batendo recorde de vendas, simplesmente porque adotaram uma postura mais proativa de correr atrás do cliente onde ele esteja. “Agora que o volume de negócios caiu e que fomos obrigados a desacelerar, ganhamos mais tempo para agir. Por que não aproveitar esse tempo para sair da crise com um negócio mais robusto? Quem sabe mexer na decoração da loja, treinar as equipes: há inúmeras formas”, comenta.

Recuperação
Para Arthur Igreja, a retomada da atividade econômica vai ser muito mais lenta do que se deseja. Ele afirma que, diferentemente da China, cuja economia caiu violentamente nos primeiros meses e que, no segundo trimestre, chegou a uma recuperação de 90%, o Brasil ainda está em movimento de queda, porque teve o início da crise somente em meados de março. Conforme análise do economista, o País deve ter uma retomada comparativamente mais lenta, com muita volatilidade, e não deve conseguir recuperar as perdas de 2020 apenas no segundo semestre.

“O que temos para hoje é um mundo com coronavírus. O que podemos fazer para mitigar os efeitos é tomar os cuidados de máscara, de distanciamento. Vamos ter que incorporar esses novos hábitos, um novo jeito de fazer negócios, novas práticas, novas ferramentas. E cada um tem que entender qual é o motor econômico da sua região, sua cidade. O número, em geral, vai ser feio, mas vão ter regiões mais blindadas, pela característica de atividade econômica.”

É o caso do agronegócio brasileiro, que praticamente não parou. O setor, segundo ele, é uma mola propulsora para a recuperação da economia, que vários outros países não possuem. “Em 2014/2015, se não fosse o agronegócio, o Brasil teria derretido em mais de 20%. O agro sempre está lá para segurar a economia brasileira.”

Modelo do futuro
Estudioso sobre os movimentos de vanguarda da tecnologia, Arthur Igreja diz que, dos últimos dez livros que leu sobre o futuro das profissões e empresas, recém-lançados nos EUA, sete chamam a atenção para o cooperativismo. O modelo de negócios baseados na criação de valores, com foco nas pessoas e distribuição de renda mais justa é apontado como o futuro da economia. Para ele, é justamente o olhar mais humano desse movimento que o torna mais resiliente e que permite que as empresas cooperativas se recuperem mais rapidamente. Afinal, é um modelo societário em que todos têm voz, participam e que colhem os resultados do empreendimento – são as características coletivas que o fortalecem em épocas de dificuldade.

Além disso, Igreja destaca como ponto primordial no cooperativismo o relacionamento mais profundo com a comunidade, porque possui uma visão de longo prazo estabelecida. “O mundo está, passo a passo, descobrindo essas questões. Fala-se em economia compartilhada, mas isso já está no DNA do cooperativismo. Falta usar mais esse orgulho e levá-lo para mais pessoas.”

A palestra virtual ministrada por Arthur Igreja foi mediada pelo presidente do Sistema OCB/GO, Luís Alberto Pereira, e teve como debatedores o jornalista Wanderley Carlos de Faria, editor do portal EMPREENDER EM GOIÁS, e da gerente técnica e econômica do Sistema OCB nacional, Clara Maffia. “Agora é a hora em que nossos princípios farão a diferença, principalmente o da intercooperação e o do interesse pela comunidade. Teremos de trabalhar muito isso, voltado para as questões ambientais, e conseguir comunicar isso de maneira eficaz. Além disso, somos um armazém de confiança e isso faz a diferença”, afirma Luís Alberto.

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