Empresas precisam agir rápido para evitar colapso

Empresas precisam agir rápido para evitar colapso

22 de junho de 2020

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados essa semana revelam o que já era esperado pelo mercado econômico brasileiro: o segundo trimestre de 2020 começou com novas perdas recordes para o setor de serviços brasileiro devido ao fechamento dos negócios para contenção do novo coronavírus.

O volume de serviços em abril caiu 11,7% na comparação com o ano anterior, segundo o Instituto, que demonstrou ser o recuo mais forte desde o início da série histórica, em janeiro de 2011. Foi a terceira taxa negativa seguida, período em que as perdas acumuladas foram de 18,7%.

Em Goiás, não foi diferente. As vendas no comércio varejista, mostrou o IBGE, sofreram redução de 19,6% em abril, comparadas com as do mesmo mês de 2019. A queda nas vendas teve impacto muito forte na receita nominal do comércio goiano, que sofreu redução média de 21,9% em abril, comparado com o faturamento médio do mesmo mês do ano passado. O comércio goiano acumula retração de 6,3% nas vendas neste ano.

Nesse lamentável contexto, os pedidos de falência e recuperação judicial devem aumentar em todo o país. Dados da Serasa Experian já mostram que, de março a abril deste ano, os pedidos de recuperações judiciais aumentaram 46%, enquanto o de falências cresceu 25%.

A situação deve se agravar nos próximos meses. Por isso, empresas, em especial as de micro e pequeno porte, devem agir rápido para evitar o colapso total. Mesmo com a retomada gradual das atividades sinalizada pela prefeitura de Goiânia, e mesmo que o governo estadual tome decisão similar nas próximas semanas, dificilmente os micro e pequenos empresários conseguirão recuperar os prejuízos em curto prazo, infelizmente.

É necessário, nos casos em que a situação financeira for delicada, buscar uma eficaz e planejada reestruturação da empresa. Nesses casos, cabem aos empresários executar uma série de decisões que visem readaptar a atividade para a realidade atual.

Entre os instrumentos para evitar o fim imediato do negócio estão a renegociação de dívidas visando à equalização do fluxo de caixa; aconselhamento jurídico na revisão de contratos e para avaliar possibilidades de buscar incentivos que o governo está concedendo no período da pandemia; e a completa readequação da operação ante a realidade econômica atual.

Afinal, a economia do mundo mudou. Mesmo quem está em uma situação que não seja tão crítica, vai precisar readaptar o negócio. A mudança é inevitável. O momento, portanto, é de planejamento e profissionalismo para sobreviver à essa nova realidade. Os números da economia não devem melhorar em curto prazo de tempo. Então, é preciso mesmo agir para sobreviver ao momento atual. E agir rápido para evitar perdas ainda mais severas de faturamento e, mais grave ainda, de empregos, o que só piorará o cenário de retração econômica.

Especialista em direito empresarial, sócio do escritório Tibúrcio|Freitas Advogados.

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