Mourão defende reforma tributária e redução de juros

Mourão defende reforma tributária e redução de juros

16 de junho de 2020

O vice-presidente Mourão participa de debate sobre as perspectivas do Brasil com presidentes das entidades do Fórum Empresarial de Goiás

O vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, afirmou hoje (16/06) que que a retomada do crescimento no Brasil deverá ser diferente para cada setor econômico, admitiu que o governo federal precisa avançar rápido na reforma tributária, na redução dos juros para investimentos e criar ambiente favorável para maior confiança dos empresários e consumidores. Somente assim, enfatizou, o Brasil terá melhores condições de superar a crise econômica causada pela pandemia da Covid-19. O general Mourão participou de webconferência realizada pelo Fórum das Entidades Empresariais do Estado de Goiás, para debater as perspectivas para o Brasil.

“A retomada do crescimento não será linear para todos os setores econômicos. O agronegócio terá crescimento mais rápido do que o setor de serviços, por exemplo, que sofre da falta de demanda e de oferta”, disse. Um dos maiores problemas, na opinião do vice-presidente, é o forte aumento do endividamento e da perda de renda para muitas famílias brasileiras. Disse que há uma discussão no governo sobre a retomada do crescimento, mas frisou que precisa ser dentro do limite da responsabilidade fiscal. “Não vamos descartar incentivos ao setor produtivo”, disse em resposta ao presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Sandro Mabel.

Questionado pelo presidente do Conselho da Adial Goiás, Otávio Lage Filho, sobre as políticas do governo para gerar mais valor agregado às matérias-primas produzidas aqui, o general Mourão afirmou que o Brasil tem de criar políticas para buscar negócios que devem migrar da Ásia para outras regiões do planeta. “Temos de nos apresentar como parceiro confiável para essa produção vir para cá. Temos de trazer esses investimentos, aproveitar a nossa capacidade ociosa”, afirmou. “Aí podemos começar a produzir utilizando os insumos que temos, para exportar produtos com valor agregado”, frisou. Para isto, Mourão enfatizou que é preciso um ambiente político mais tranquilo no Brasil, sem o que ele classificou como “clima de Fla x Flu”, para passar segurança aos investidores.

Presidente da Facieg, Ubiratan Lopes questionou se a reforma tributária poderá reduzir a carga de impostos sobre as empresas e reduzir as taxas de juros do crédito, especialmente para as micro e pequenas empresas. Hamilton Mourão disse que é uma promessa de campanha eleitoral, mas admitiu que pouco avançou. “A discussão está emperrada no Congresso Nacional. Não se pode mais empurrar com a barriga. Acredito que é possível retomarmos a discussão sobre reforma tributária. Se cortarmos a carga de impostos pela metade e eliminarmos consideravelmente a sonegação fiscal no Brasil, vamos ter um avanço significativo para a economia brasileira”, frisou.

Ao responder pergunta do presidente da Federação das Câmara dos Dirigentes Lojistas (FCDL), Valdir Ribeiro, Mourão também admitiu que as medidas estruturantes para fortalecer a economia estão paradas desde o ano passado. “Parece que ficamos numa ressaca após aprovarmos a reforma da Previdência. Precisamos simplificar tributos. Excesso de burocracia ainda continua a perturbar o empreendedorismo no Brasil. O governo também precisa fazer o crédito chegar na ponta, porque há dinheiro para as micro e pequenas empresas”, frisou.

O vice-presidente admitiu também que o governo não consegui ainda destravar as linhas de crédito para socorrer as empresas afetadas pela epidemia, especialmente as micro e pequenas. “Hoje mesmo o ministro Paulo Guedes (Economia) estava discutindo este assunto, para ver como colocar o combustível para fluir por este duto, porque travou. O fundo federal de investimentos, na minha visão, é uma solução para isto. Vamos também atuar junto aos bancos públicos, com os quais temos maior liberdade de trabalhar do que os públicos, para facilitar o acesso ao crédito”, disse.

O general Mourão afirmou para o presidente do Sistema OCB/GO, Luís Alberto Peraira, que o cooperativismo no Brasil será incentivado pelo governo, inclusive para uma recuperação mais rápida das atividades econômicas do País. “O conceito do cooperativismo é muito claro: todos vão ganhar e crescer mais rápido se atuarem em conjunto do que individualmente. O papel do governo é fomentar o setor, inclusive com crédito, e fazer com que suas experiências bem-sucedidas, principalmente no Sul e Centro-Oeste, cheguem a outros Estados e regiões do País”, disse.

O vice-presidente afirmou também que os investimentos em infraestrutura devem ser a prioridade no plano nacional de retomada econômica, buscando recursos externos. “Infraestrutura gera emprego em massa, movimenta a indústria e outros setores. Temos que atrair parceiros privados de fora”, defendeu, ao responder o presidente da Associação Comercial e Industrial de Goiás (Acieg), Rubens Fileti.

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