Mais de 5 mil lojas não devem reabrir em Goiânia

Mais de 5 mil lojas não devem reabrir em Goiânia

15 de junho de 2020

Das cerca de 25 mil lojas localizadas nos shopping centers da Grande Goiânia, incluindo os populares, cerca de 5 mil (em torno de 20%) não reabrirão suas portas quando os centros de compras forem autorizados a voltar a funcionar. E se a situação persistir até julho, este índice poderá chegar a 30%. A estimativa é dos representantes das entidades de classe ligadas ao comércio, lojistas e aos shoppings. Eles lembram que, há quase 60 dias, os empresários estão sem faturamento, mas tendo de pagar contas com os fornecedores, salários dos trabalhadores e, estão totalmente descapitalizados, entrando numa situação insustentável, até mesmo sem retorno.

No País, 401 shoppings (69% do total) localizados em 138 municípios de 17 Estados já voltaram a funcionar. Em Goiás, dos 41 shoppings, 14 estão abertos em Anápolis, Águas Lindas, Aparecida de Goiânia, Alexânia, Catalão, Jataí, Luziânia, Mineiros, Rio Verde e Valparaíso de Goiás. Contudo, a maioria (27) está em Goiânia e continua fechada, de acordo com levantamento da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrace).

Marcelo Baiochi, presidente da Federação do Comércio do Estado (Fecomércio), endossa o coro daqueles que estão preocupados com os rumos do setor varejista. “A falta de compromisso do poder público para estabelecer ou sinalizar uma data para reabertura do comércio é o pior cenário que pode existir”, afirma. Ele alerta que se as lojas não forem reabertas, de imediato, o desemprego vai aumentar para 20 mil agora em junho e 30% do comércio fechará suas portas até o fim de julho. Acrescenta que, de março para cá, a Prefeitura de Goiânia já deixou de arrecadar R$ 60 milhões e o Estado cerca de R$ 325 milhões apenas do setor terciário.

“A situação é muito difícil, insuportável, é calamitosa. Já estamos considerando perdido o ano de 2000”, disse Geovar Pereira, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Goiânia (CDL), ao questionar o porquê as lojas localizadas em centros comerciais não poderem abrir as portas, durante este período de pandemia por causa da Covid-19, enquanto outros segmentos do comércio estão funcionando e provocam até mais aglomerações de pessoas. “Não são os shoppings que farão piorar a situação da doença. O que ocorre é uma discriminação com o segmento”, salienta. Ele conta que as negociações com a Prefeitura de Goiânia continuam visando a volta do funcionamento dos shoppings, mas não há previsão.

Geovar Pereira: “Não são os shoppings que farão piorar a situação da doença. O que ocorre é uma discriminação com o segmento”

Sem perspectivas
O diretor da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), Fernando Maia, entende que não ter uma sinalização dos poderes público municipal e estadual de quando o comércio, sobretudo os centros de compras, poderão voltar a funcionar é pior do que uma data ruim, de longo prazo. “Estamos sem perspectivas, sem orientações, sem poder fazer planejamentos. Isso tem deixado os empresários inseguros e já demitindo seus funcionários, o que vai gerar uma crise social ainda mais grave”, relata. Ele cita também a questão da cadeia produtiva como um todo que, com a demora do comércio de voltar a operar, poderá demorar até cinco anos para voltar a se estruturar.

Geovar Pereira, que é dono de uma rede de lojas de joias e óculos, com seis unidades em shoppings da Grande Goiânia, conta que, mesmo com vendas online e uma loja localizada em Campinas, em funcionamento, seu faturamento está 90% inferior do que o registrado antes da pandemia. “Minha situação não é diferente dos demais lojistas”, atesta.

As administrações dos shoppings na capital já haviam se preparado para a reabertura das lojas no último dia 6 de junho. Para garantir um ambiente seguro em termos de higienização contra o vírus para lojistas, trabalhadores e clientes, os centros de compras seguiram o protocolo de operação, com recomendações baseadas em referências internacionais e no Comitê de Operações da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrace). São cerca de 20 medidas sanitárias adotadas. Entre elas, uma higienização mais rigorosa e completa, sinalizações de circulação das pessoas nos halls e elevadores de mão e contramão, obrigatoriedade do uso de máscaras, aferição da temperatura corporal dos visitantes e outras ações.

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