Desespero: movimento em pit dogs cai até 70%

Desespero: movimento em pit dogs cai até 70%

6 de junho de 2020

Jefferson Porto, da rede Komiketo: “Para reabrir, tem de reabastecer o estoque, colocar os funcionários na ativa e ainda correr o risco de não ter cliente”

Verdadeira instituição goianiense, a ponto de estar prestes a ser tombada como patrimônio cultural e imaterial do Estado (conforme projetos em tramitação na Assembleia Legislativa), os pit dogs estão entre os estabelecimentos que mais têm sofrido com a limitação de atividades devido ao coronavírus. Do ponto familiar às grandes redes, o setor tem amargado prejuízos e colecionado relatos de dificuldades por terem as atividades limitadas aos sistemas de delivery, drive thru e take away (em que o cliente pede por telefone e retira no local).

Conforme o Sindpitdog, existem cerca de 1,3 mil pit dogs e lanchonetes de rua em Goiânia. Empregam cerca de 10 mil pessoas e fomentam uma cadeia com outros 25 mil trabalhadores, que produz os insumos para os estabelecimentos.

A rede Komiketo, que nasceu na Cidade Jardim, em Goiânia, completa 34 anos neste mês. Nos últimos anos, se expandiu para shoppings (está no Cerrado, Aparecida, Buriti, Araguaia, Passeio das Águas e Goiânia Shopping) e construiu uma unidade na T-4, Setor Serrinha. Tem ainda dois pit dogs: um na Praça Leo Lynce, no Setor Oeste, e outra na Praça do Ipê, no Setor Bueno. Diante da situação atual, 19 dos 170 funcionários foram demitidos desde o início da quarentena, em 16 de março. Dos demais, 32 seguem trabalhando (incluindo os da área administrativa) e o restante está de férias coletivas. O proprietário Jefferson Porto, que começou essa história há mais de três décadas, resume o momento do setor: “É desesperador”.

Porto conta que planeja fechar definitivamente as unidades que funcionam em três shoppings. A operação nos centros comerciais, reclama, é muito onerosa. Com a queda brutal de faturamento devido à pandemia, mantê-las tornou-se inviável. Mesmo com a flexibilização da quarentena em Aparecida de Goiânia, ele preferiu manter a unidade do Buriti Shopping fechada, pois não há certeza de que os clientes reaparecerão.

Jefferson Porto acredita que muitos outros empreendedores do setor estão na mesma situação. “Os estoques estão zerados. Para reabrir, tem de reabastecer o estoque, colocar os funcionários na ativa e ainda correr o risco de não ter cliente”, diz. Para atestar as dificuldades, ele cita o exemplo da unidade do Setor Serrinha. O aluguel do imóvel, que era de R$ 20 mil, está em R$ 10 mil, após acordo com o proprietário. Porém, o faturamento caiu 70%. As contas não fecham. “Tinham muita mercadoria nos shoppings. Trouxe tudo para as que ainda funcionam, mas acabou. Agora, não sei o que fazer”, conta o dono da rede.

Como vários outros empresários, de todos os setores, Jefferson Porto reclama que não tem conseguido acessar as linhas de financiamento anunciadas pelos governos. “Dei entrada [nos pedidos], mas não sai, é muita burocracia”, critica. Diante do quadro, ele se vê no início de tudo, com o pit dog da Cidade Jardim, que não existe mais. “Será preciso recomeçar a vida”.

PEQUENOS SOFREM MAIS
Pequenos comerciantes estão entre os mais vulneráveis no atual cenário. Walter Rodrigues tem 67 anos tinha um pit dog na Praça do Cruzeiro há mais de 20 anos, que foi desativado por causa da obra do BRT no local. Assim, passou a administrar o pit dog da filha, no Jardim América. No local, trabalhavam quatro pessoas. Agora são duas mais o entregador.

Rodrigues diz que não usa aplicativos de entrega. “Eles são sócios que não trabalham”, diz. Usa apenas o WhatsApp para receber os pedidos dos clientes. Sem poder colocar mesas no estabelecimento, a venda que chegava a 200 sanduíches por dia em um bom fim de semana ou até 100 em dias úteis caiu para, no máximo, 45. Mesmo assim, com preço menor. “Um X-Tudo, que custava R$ 13, agora tem de ser R$ 10”, conta.

“Estou tendo prejuízo, não tem mais condições. Era melhor ter fechado tudo desde o primeiro dia [de quarentena]”, lamenta. A renda, que caiu abruptamente, não tem sido suficiente nem para bancar as despesas pessoas. “Só de remédio, gasto R$ 600 por mês”, conta Rodrigues, que não está otimista com o futuro próximo. “O normal não volta mais”.

Ademildo Godoy: “Os pit dogs são muito vulneráveis, não têm receita e não conseguem crédito nas instituições bancárias”

FALTA APOIO
Presidente do Sindpitdog, Ademildo Godoy confirma que os empreendedores não estão encontrando socorro. “Os pit dogs são muito vulneráveis [economicamente], não têm receita e não conseguem crédito nas instituições bancárias”, descreve. Por isso, ele cobra mais presença do governo, que, segundo ele, deveria cumprir “seu papel”. Godoy explica que as compras são feitas de produtores locais. “A alface é comprada de um produtor de Goianira. O hambúrguer ou é caseiro ou adquirido em Senador Canedo ou Aparecida de Goiânia”, exemplifica.

Godoy critica a postura da Prefeitura de Goiânia, que, há uma semana, havia aventado com um calendário de reabertura das atividades que seguem proibidas na capital, mas que nesta semana decidiu que não haverá flexibilização da quarentena nos próximos 15 dias, ao menos. “O calendário ruiu”, lamenta. O presidente do Sindpitog reclama, ainda, do gerenciamento da pandemia em Goiás e cobra mais testes. “Estamos perdendo a guerra para o vírus”, acredita.

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