CNI: 22% das indústrias só conseguem se manter por mais um mês

CNI: 22% das indústrias só conseguem se manter por mais um mês

31 de maio de 2020

Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que, mantidas as condições de isolamento social no País recomendadas pelas autoridades de saúde para se evitar a propagação do novo coronavírus, 22% das empresas industriais do Brasil só têm condições financeiras de manter as atividades em funcionamento por mais um mês e 45%, no máximo, por três meses.
Entre as empresas que tiveram queda de faturamento, 48% avaliam possuírem condições financeiras para manter a atividade entre um e três meses e 25% por menos de um mês. Já entre aquelas que tiveram aumento de faturamento, 23% acreditam que conseguem manter a atividade por um período entre seis meses e um ano e 26% por mais de um ano.

O levantamento aponta que 74% das empresas foram impactadas no atual cenário e 82% registraram queda no faturamento nos últimos 45 dias. Para 49% das que tiveram perda de faturamento, o recuo foi de mais de 50%. Outras 29% viram os ganhos diminuírem entre 31% e 50%.
Para enfrentar este momento e tentar atravessar a crise mantendo a atividade, muitas indústrias se beneficiaram das medidas adotadas pelo governo que permitiram acordos para a suspensão do contrato de trabalho ou redução da jornada e salário durante três meses. As negociações para reduzir jornada e salário atingiram 39% da indústria, sendo que metade adotou a medida pelos três meses permitidos pelo governo. Outros 22% optaram pela suspensão dos contratos, sem o pagamento do salário.

A pesquisa mostra que 66% das empresas não demitiram funcionários em razão dos impactos provocados pela pandemia. E, entre o universo dos que dispensaram empregados, 78% acreditam que essa medida será temporária, mesmo que a maioria acredite que haverá redução de receita no setor industrial como um todo em 2020. “As empresas não gostam de demitir muito rápido, porque demitem e depois têm dificuldade para encontrar mão de obra para recontratar”, afirma o gerente executivo de Economia da CNI, Renato da Fonseca.

O levantamento mostra que sete em cada dez executivos consideram apropriadas as iniciativas adotadas pelo governo para o enfrentamento dos efeitos da pandemia. Mas, quando questionados se essas ações são suficientes, esse índice de concordância cai para 39%. E a dificuldade de acesso ao crédito é um dos obstáculos citados pelos empresários, principalmente para capital de giro. “O agente financeiro está com a certeza de que muitos vão quebrar”, afirma.

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