A demanda por empréstimo por pequenas empresas aumentou entre 7 de abril e 5 de maio, com os impactos econômicos gerados pela crise da Covid-19. Mas apenas 14% dos empresários conseguem o crédito nos bancos. O restante (86%), de acordo com pesquisa realizada pelo Sebrae em parceria com a Fundação Getúlio Vargas, teve o pedido negado ou ainda está em análise. A pesquisa foi realizada entre 30 de abril e 5 de maio e ouviu 10 mil microempreendedores individuais (MEI) e donos de micro e pequenas empresas de todo o País.

O levantamento do Sebrae confirma uma tendência já identificada em outras pesquisas: de que os donos de pequenos negócios têm – historicamente – uma cultura de evitar a busca de empréstimo. Mesmo com a queda acentuada no faturamento, dois terços (62%) não buscaram crédito desde o começo da crise. Dos 38% que buscaram, 88% o fizeram em instituições bancárias.

Os mais demandados foram os bancos públicos (63%), seguidos dos bancos privados (57%) e cooperativas de crédito (10%). Entretanto, avaliando a taxa de sucesso desses pedidos, o estudo do Sebrae mostrou que as cooperativas de crédito lideram na concessão de empréstimos (31%) e, na sequência, aparecem os bancos privados (12%) e os bancos públicos (9%).

“O Sebrae está trabalhando para ampliar o volume de instituições parceiras para a operação do Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe). Já contamos com 12 organizações, entre bancos públicos e privados, cooperativas de crédito e agências de fomento. Queremos estender esse apoio a um número maior de empresários”, afirma o presidente da entidade, Carlos Melles.

A pesquisa revelou que as medidas de isolamento recomendadas pelas autoridades de saúde atingiram a quase totalidade dos pequenos negócios: 44% interromperam a operação do negócio, pois dependem do funcionamento presencial; outros 32% mantêm funcionamento com auxílio de ferramentas digitais; e 12% mantêm funcionamento, apesar de não contar com estrutura de tecnologia digital. Apenas 11% conseguiram manter a operação sem alterações, por outras razões, entre segmentos listados como serviços essenciais.

Com relação ao faturamento do negócio, a maioria dos donos de pequenas empresas (89%) apontou uma queda na receita mensal. Na média, o faturamento foi 60% menor do que no período pré-crise. Apesar de preocupante, esse resultado é melhor do que o identificado nas duas pesquisas anteriores. Em março, a queda havia sido de 64%. No 2º levantamento, no início de abril, a perda média de receita havia sido ainda maior (69%).

Para tentar superar esse momento, as empresas estão lançando mão de diferentes recursos: para 29% delas, a alternativa foi passar a realizar vendas online, com o uso das redes sociais; 12% disseram ter começado a gerenciar as contas da empresa por meio de aplicativos; e 8% passaram a realizar vendas online por aplicativos de entrega.

Embora todos os setores tenham registrado perdas, foram mais sensíveis na atividade da economia criativa (eventos, produções etc) com queda de 77%, turismo (-75%) e academias de ginástica (-72%). Já os segmentos com menor perda de faturamento, de acordo com o estudo, foram pet shops e serviços veterinários (-35%), agronegócio (-43%) e oficinas e peças automotivas (-48%).


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