Sob forte pressão, Caiado recua de um novo decreto

Sob forte pressão, Caiado recua de um novo decreto

14 de maio de 2020

O governador Ronaldo Caiado sinalizou hoje (14/05) que deve adiar ou nem mesmo mais publicar um novo decreto retomando as medidas de restrição às atividades econômicas em Goiás, como vinha anunciado nos últimos dez dias por conta da queda da taxa de isolamento social no Estado. A mudança se deve, principalmente, depois de forte pressão do meio empresarial contra medidas mais rígidas para o funcionamento das empresas. No início desta semana o governador promoveu reunião com lideranças do Fórum das Entidades Empresariais de Goiás, que acabou encerrada prematuramente por discordâncias entre empresários e governo.

O primeiro decreto do governador começou a vigorar há dois meses, quando a taxa de isolamento social chegou a 70%, a mais alta no País, o que foi destacado na imprensa nacional na época. Desde 21 de abril, novo decreto de Caiado flexibilizou boa parte das restrições para as atividades empresariais no Estado e a taxa de isolamento social caiu para menos de 40%, uma das mais baixas no País. Desde a semana passada, o governador e alguns auxiliares anunciaram (leia mais aqui) que seriam adotadas novas medidas restritivas caso esta taxa não superasse os 50% da população. No início desta semana o governador anunciou nas redes sociais e em entrevistas que publicaria novo decreto até esta quinta-feira. Mas, desta vez, se deparou com forte reação contrária de empresários goianos, principalmente da indústria e do comércio.

Presidente da Fecomércio, Marcelo Baiocchi criticou o governador por querer retomar as medidas restritivas. “A defesa da economia também é a defesa da vida, pela possibilidade de sobrevivências das pessoas. O mais difícil é encontrar esse equilíbrio com a estratégia de saúde, mas nós não achamos que seja positivo proibir que está trabalhando com segurança”, afirmou.

Presidente da Fieg, Sandro Mabel foi duro nas críticas e disse que um novo decreto de Caiado representaria o fechamento em definitivo de muitas indústrias em Goiás. Para ele, o governador estaria apenas reagindo à uma pressão da mídia por causa da queda do isolamento social em Goiás. Presidente da Acieg, Rubens Fileti argumentou que uma decisão do governador de restringir novamente o comércio em Goiás seria precipitada e levando em consideração apenas a taxa de isolamento social. “Não é a melhor opção e não foi levado em consideração outros dados importantes como a taxa de ocupação dos hospitais públicos e particulares”, disse.

Para complicar ainda mais ao governo, o jornal O POPULAR publicou matéria hoje informando que equipe técnica da UFG sugeriu para Ronaldo Caiado que o Estado aumente a fiscalização e faça maior campanha de conscientização ao invés de novo decreto de fechamento de empresas em Goiás. Os pesquisadores afirmam que, para o Estado retomar o porcentual mínimo de 50% do isolamento social, basta promover fiscalização mais rígida do cumprimento do atual decreto sobre os setores econômicos que não deveriam estar funcionando e adotar uma melhor estratégia de comunicação. O secretário estadual da Saúde, Ismael Alexandrino, até concordou com a equipe técnica da UFG. Convém lembrar que o governador sempre enfatiza que suas decisões sobre isolamento social são baseadas em pareceres técnicos.

Hoje, em entrevistas para veículos de comunicação, Ronaldo Caiado disse que só vai publicar o novo decreto se construir uma “sintonia com a maioria do Estado e com as entidades” representativas da sociedade. “Quero uma decisão solidária”, enfatizou em entrevista para a Rádio Sagres. “Não é nada de prato feito que vai ser publicado hoje ou amanhã, depende exatamente da adesão ao momento que realmente é preocupante e nós precisamos avaliar como que vamos enfrentá-lo de agora para frente”, disse.

O governador voltou a dizer que o seu primeiro decreto, de março, impediu o aumento da pandemia em Goiás. Mas, que agora a situação tem mudado. “Nós gastamos 39 dias para Goiás chegar aos 100 casos de coronavírus. Ontem extrapolamos 100 casos por dia. Vínhamos com uma média, onde tínhamos o índice de mortalidade inferior a um caso por dia, ontem registramos novo óbitos”, disse.

“Se o meu excesso é no sentido de me preocupar em salvar vidas diante desse quadro que estamos vivendo, mas se não for o sentimento da ampla maioria, não tem sentido dele ser aplicado se existir essa conscientização por cima de todos”, enfatizou o governador em entrevista hoje de manhã para a Sagres. “O que não vou aceitar é as pessoas dizerem que se houver desemprego a culpa é do Caiado ou se faltar leito hospitalar lá na frente também que a culpa é do Caiado”, enfatizou o governador.

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