Lojistas de shoppings temem falências em Goiânia

Lojistas de shoppings temem falências em Goiânia

26 de abril de 2020

Com as portas fechadas há quase 40 dias, por causa da quarentena imposta pelo governo estadual como estratégia de conter a disseminação do coronavírus, lojistas de shoppings de Goiânia temem um grande número de falências caso a atividade não seja retomada o mais rápido possível. Para evitar que muitas lojas fechem definitivamente, eles vão tentar convencer a Prefeitura de Goiânia a autorizar o funcionamento dos centros de compras – como permite o Artigo 4º do Decreto 9653/20 do governo do Estado.

De acordo com o presidente da Associação dos Lojistas do Shopping Flamboyant (Aslof), Raphael Rios, alguns empresários iniciaram 2020 com dificuldades, por causa do baixo desempenho da economia nos últimos dois anos. A pandemia, nesse contexto, agravará ainda mais a situação, tornando a situação irreversível. “O pequeno empresário, principalmente, não tem tido acesso ao crédito, que demora muito a sair. Várias lojas não vão reabrir”, acredita.

Raphael Rios diz que não há, por enquanto, consenso entre os lojistas sobre a melhor forma de reabertura. Com baixo fluxo no shopping, para muitos empresários é inviável retomar as atividades, porque o custo de funcionamento fica mais alto que o possível faturamento. O representante dos lojistas do Flamboyant diz que uma das possibilidades é funcionar com horário reduzido e com os cuidados sanitários necessários. A Aslof, nesse caso, está neutra. “Temos de encontrar um plano que for melhor para os lojistas, o Flamboyant e para o governo”, afirma.

Para diminuir prejuízos, muitos empresários optaram por suspender os contratos dos trabalhadores. Saída dolorida para os trabalhadores, segundo o presidente da Aslof. “Pensamos também nas famílias das pessoas que trabalham para nós”, diz. “Mas a crise acaba afligindo mais os pequenos [empresários], que têm um custo proporcional ao faturamento maior”, explica. O próprio Raphael está com metade dos 50 funcionários totalmente parados desde 16 de março, quando começou a quarentena.

Caso ocorra a reabertura com horário reduzido, o presidente da Aslof adianta que podem ocorrer demissões. “Hoje, a maioria trabalha em dois turnos, porque o funcionamento vai das 10 horas às 22 horas. Caso se opte por abrir o shopping ao meio-dia e fechar às 20 horas, por exemplo, não serão necessários funcionários em dois turnos”, explica. Todas essas variáveis serão discutidas com lojistas e direção do shopping, antes de serem levadas à Prefeitura de Goiânia.

O presidente da Aslof diz que a direção do Flamboyant Shopping Center renegociou alguns pontos para auxiliar os lojistas. Ele explica que foram pagos 60% do condomínio e 10% do fundo de promoção. O restante e o aluguel foram suspensos, para negociação posterior. “Mesmo assim, o empresário fica com a pulga atrás da orelha, porque mais à frente terá de pagar [a diferença]”, diz. Procurada, a direção do shopping não quis se pronunciar.

Raphael Rios: “O pequeno empresário não tem tido acesso ao crédito. Várias lojas não vão reabrir”

GOIÂNIA SHOPPING

No Goiânia Shopping, administrado pelo grupo BRMalls, segundo a assessoria de imprensa, os lojistas foram isentados do pagamento do aluguel fixo de abril. “Já a parte proporcional ao faturamento ficou para o primeiro trimestre de 2021”, diz a empresa, por meio de nota. Também foi adiado para o primeiro trimestre do ano que vem o pagamento de 50% do aluguel de março – a outra metade foi abatida.

A taxa de condomínio teve desconto de 25%, com data de pagamento mantida, pois, segundo a BRMalls, o valor é usado para despesa e manutenção dos shoppings, “que continuam sendo feitas”. “O nosso mantra tem sido ajudar o lojista no custo e na receita”, conta Jini Nogueira, diretora Comercial da BRMalls.

A administradora fechou parceria com o Banco Inter. A fintech disponibilizou R$ 300 milhões em créditos para os lojistas, com carência de seis meses, juros a partir de 1% ao mês e pagamento em até 20 anos. Não haverá cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para contratos assinados em abril e maio. A BRMalls esclarece, contudo, que não interfere na negociação entre lojista e banco. “Estamos apenas intermediando a liberação de uma linha de crédito rápida”, explica a diretora comercial, lembrando que a dificuldade de obtenção de crédito foi relatada como uma das principais dificuldades pelos comerciantes.

PASSEIO DAS ÁGUAS
Como forma de minimizar o impacto econômico e ao mesmo tempo preservar empregos, a Aliansce Sonae Shopping Centers, que administra o Passeio das Águas Shopping, informou que vem mantendo diálogo permanente com seus lojistas e parceiros. Diante dos efeitos da pandemia da Covid-19 para o varejo, a Companhia, entre outras medidas, adiou a cobrança dos aluguéis e concedeu isenção dos fundos de promoção até a reabertura do shopping, além de reduzir em 20% os encargos condominiais de março. “Tudo isso para que os lojistas mantenham fluxo de caixa. Agora, segue na implementação de outras medidas de redução desses encargos enquanto seus empreendimentos estiverem fechados”, completou.

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